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Exposição dos grupos temáticos

27 de Setembro de 2011, 21:00 , por Eduardo Sá - 0sem comentários ainda | Ninguém está seguindo este artigo ainda.
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Por Eduardo Sá, do jornal Fazendo Media

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Após a plenária na tarde de ontem (27) os grupos temáticos se reuniram para sistematizar pontos de convergências nas falas do evento. Cada representante, em seguida, apresentou ao público as avaliações coletivas sobre os relatos. O primeiro deles foi Daniel Tygel, do Fórum Brasileiro de Economia Solidária (FBES), que elogiou a riqueza da plenária e atentou para o desafio de tirar essas experiências da invisibilidade. O principal, na sua opinião, é a luta pela autonomia no sentido de estimular mecanismos de auto gestão.

Uma luta pela autonomia de sermos o que somos, a história, como a auto demarcação em Minas Gerais. A economia solidária trabalha com condições materiais de obter avanços nesse sentido. Defendemos a auto gestão como radicalização da democracia”, afirmou.

Mais atenção com o consumo alienante, fortalecimento dos circuitos solidários e horizontes comuns claros, além da necessidade de trabalhar as divergências internas nos grupos para enriquecer o processo, são outras observações levantas por Tygel.

Invisibilidade midiática

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Apontada por diversos participantes, ficou clara a necessidade de ampliar formas de divulgar as iniciativas locais e disseminar outros pensamentos por causa do bloqueio da mídia hegemônica. Para enfrentar esse desafio foi articulado um grupo de comunicadores populares para a cobertura do evento. Eles têm experiências locais de comunicação alternativa e vão multiplicar esse conteúdo em outros meios.

Quem explicou esse cenário foi Raquel Júnia, da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio de Saúde (EPSJV-Fiocruz) e do jornal Fazendo Media, do Rio de Janeiro.  Segundo ela, a comunicação é entendida por duas perspectivas: do direito e da necessidade, que convergem em vários pontos. Para ela, a democratização dos meios dos meios de comunicação é fundamental nesse sentido.

“Mesmo estando na declaração universal dos Direitos Humanos e na constituição brasileira a comunicação não é tratada como tal. A necessidade fica mais clara com essas falas e oficinas sobre a questão da visibilidade das lutas, dos conceitos de desenvolvimento, identidades culturais. Como nos mostramos para a sociedade se não temos os meios de comunicação?”, deixou a pergunta no ar.

Para ela, as redes e movimentos ainda caminham muito devagar nessa área, apesar de termos muitas histórias para contar. Ela observou ainda que as filas das intervenções eram de denúncias que precisam ser expostas para a sociedade. No último dia será realizada um oficina para aprofundar esse debate e pensar formas de potencializar as alternativas nessa área. Ela concluiu com uma citação de Paulo Freire, educador brasileiro que via a educação como parte fundamental no processo pedagógico: “Dizer a palavra não é privilégio de poucos homens, mas direitos de todos os homens”.

Justiça Ambiental e Agroecologia

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São dois temas que estão relacionados e têm uma complementaridade mais direta. A agroecologia depende do acesso a terra, que é uma justiça ambiental. São vários os conceitos que ambos segmentos abordam, todos eles ajudando a lidar com conflitos de diferentes naturezas.

Raquel Rigotto, da Rede Brasileira de Justiça Ambiental, destaca que esses princípios e práticas buscam um acesso mais justo e equitativo direto e indireto aos recursos naturais do país. Em sua opinião, nenhum grupo social deve pagar o preço do desenvolvimento, que geralmente não afeta os geradores desses impactos.

 

“Os impactos sobrecarregam segmentos. Não há decisão prévia para os projetos nessas localidades, gerando resistências e insurreições. As comunidades devem afirmar sua diferença, seu modo de vida e maneira de construir. Constituir direitos para serem protagonistas de modelos alternativos, e divulgá-los para disputar o campo simbólico”, afirmou.

Segundo Eugenio Ferrari, da Associação Nacional de Agroecologia (ANA), as limitações impostas pelo agronegócio precisam ser melhor compreendidas, valorizadas e é necessário também estabelecer um compromisso maior com essas identidades de resistência.

Além do acesso, é preciso botar ela para produzir, fazer seu funcionamento ecológico permitir a recuperação do agro sistema de maneira mais equilibrada. Nesse sentido, são necessárias soluções específicas para cada território: conhecimento e autonomia para o protagonismo dessas lideranças locais. Conciliar o conhecimento empírico com o acadêmico é fundamental, e realizar uma releitura da agricultura nativa”, conclui Ferrari.

Saúde Coletiva e Soberania Alimentar

O geógrafo Josué de Castro, que lutou contra a fome em vida, teve seus estudos apontados como referência para introduzir esses dois temas. Ana Elise, da Saúde Coletiva, lembrou do primeiro mapa da fome a partir dos territórios feito pelo intelectual e ressaltou sua tese de que a fome não é fruto da natureza e sim do desenvolvimento social.

Precisamos pensar na saúde em si e a alimentação nesse contexto. Se quisermos boa saúde é preciso entender a boa alimentação com seu processo adequado e saudável. A reforma sanitária pode incorporar essa agenda para o Brasil, precisamos ampliar esse debate”, defendeu Elise.

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Maria Emília, do Fórum de Soberania Alimentar, por sua vez, sugeriu como princípio metodológico a valorização das experiências de modo a problematizá-las para propor alternativas. Ela ressaltou que não existe soberania alimentar sem a reforma agrária.

“Terra e alimentos estão muito associados. Além do encurralamento das empresas há também a proibição de gente dentro das áreas de preservação. Nesse contexto, a auto demarcação relatada em Minas Gerais é elemento importante. Afirmação da importância da diversidade do cultivo também é fundamental na soberania alimentar”, disse Emília.

Dados sistematizados como instrumento de trabalho, como a volta do beriberi no Maranhão devido à monotonia alimentar, também são importantes para ela. Uma leitura das agriculturas nativas, da sócio diversidade e identidades culturais mostrando como é complexo o campesinato brasileiro é outro ponto relevante. A visibilidade dessas identidades se torna elementar nesse cenário, tendo o mapeamento dos alimentos regionais e suas representações territoriais uma solução. Emília concluiu defendendo a reinvenção da tradição com o regate da cultura alimentar e seus valores nutritivos, numa relação com o manejo da biodiversidade.


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