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Descrição

16 de Março de 2015, 11:31 , por Bruno Chaves Correia Lima - 0sem comentários ainda | Ninguém está seguindo este artigo ainda.
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A vila de Baiacu é um povoado situado na contra costa da Ilha de Itaparica, é remanescente dos primeiros processos colonizadores do Brasil, no século XVI, sendo considerada a mais antiga e importante colônia de pescadores da Ilha. Baiacu tem um valor simbólico para a nação brasileira por ter sido nessa região o início da catequização pelos portugueses, um marco da igreja católica e o primeiro povoado fundado pelos jesuítas no cenário nacional.

 

Vila de Baiacu

 

No início, século XVI (1560), Baiacu era a mais importante e tradicional das 27 (vinte e sete) comunidades existentes na Ilha de Itaparica, devido a ter sido o único vilarejo onde o jesuíta Luís da Grã e seus companheiros de catequese aportaram e edificaram a segunda igreja católica matriz no Brasil, sob a invocação do Nosso Senhor da Vera Cruz, catalogada entre as primeiras edificações religiosas do país, por onde passaram padre Manoel da Nóbrega e José de Anchieta. 

 

Hoje, as ruínas da igraja se mantêm em pé devido a ação de Gameleiras, árvore essa sagrada para o candomblé, simbolizando o orixá Irôko.

 

 

Em 1603, houve a introdução a caçadas de baleias, uma vez que, havia uma quantidade expressiva dessas espécies marinhas na localidade, que perdurou até meados do século XIX. Essa caça era motivada pelo óleo dessa espécie marinha, elemento importante para a construção das edificações da época, tanto em Itaparica, Salvador e localidades limítrofes.

 

A economia de Baiacu caracteriza-se pela pesca, sendo a sua maior produção de siri catado e chumbinho. Além dessas espécies, encontra-se: ostra, aratu, caranguejo, sururu, lambreta e peguari.

 

Essa diversidade é resultado da extensa faixa de mangue que cerca a localidade, a presença do mar e o encontro com o rio da Comboinha, riacho do Bugi, riacho da Rua de Baixo e Porto da Ilha enriquem o ecossistema que contribuem para a subsistência dos nativos de Baiacu.

 

O modo de pesca ainda é tradicional, tendo como uma característica peculiar os paeros, que é o lugar onde os pescadores guardam seus utensílios de pesca. No passado eles eram feitos com ossos e óleos de baleia e eram denominados de tejupares, porém atualmente essa estrutura é feita com palhas de coqueiro e estacas de pau.

 

 

Em Baiacu existem muitas lendas que são passadas de geração a geração. Uma delas é que no dique, localizado próximo a Igreja Velha,  existe um caixão abarrotado de ouro e as chaves desse caixão estão no maxilar de um jacaré. Outra lenda ao redor deste dique é que as pessoas encontravam ouro e porcelana imersos no chamado Lago dos Jesuítas, e na busca desse ouro, mergulhadores arriscaram a vida e foram sugados pela areia movediça existente na região. Essas estórias sobre o ouro da região têm origem na crença de que para não ter os bens apreendidos por Portugal, a Ordem de Jesus teria enterrado seus tesouros.

 

Outro mito existente em Baiacu vincula-se a Ilha dos Burgos. Para se chegar a essa ilha, saindo da BA 001, anda 1 km no mangue a pé e depois atravessa aproximadamente 15 min de barco. Ao chegar em Burgos, pode-se observar ruínas da Casa Grande/Senzala datada aproximadamente do século XVI.

 

 

Essa pequena ilha dentro de Baiacu também carrega seus mitos, segundo relatos os senhores da antiga fazenda maltratavam muito os seus escravos, sendo bastante perversos e vingativos, diante disso, frente essa história marcada pelo sofrimento dos negros, afirma-se que, se qualquer sujeito evocar palavras negativa ou palavrões pessoalmente em Burgos, os espíritos respondem, sendo capaz de se ouvir gritos, vozes, chibatadas e panelas batendo.

 

Baiacu também dispõe do Grupo de Samba de Roda Nova Revelação que é um samba da ponta do pé, onde as mulheres dançam e os homens tocam, inclui a participação de crianças.

 

Com relação a personalidades encontradas em Baiacu, encontrou-se Dona Santinha é uma memória viva, detentora da história de Baiacu, uma vez que chegou à localidade em 1930 após fugir da seca da região do Sertão da Bahia. Ela é benzadeira e tem aproximadamente 105 anos, casou-se duas vezes, não recorda a quantidade de filhos que gerou, talvez dez, mora sozinha, porém a filha caçula que mora na beira da maré a visita diariamente. A mesma afirmou que não sai de Baiacu desde a década de 1980, desde que ficou viúva ficou cada vez mais caseira. Aprendeu o ofício da reza com a sua madrinha, rezando pessoas contra o mal olhado, espinhela caída e mal do ventre. Dona Santinha afirmou que sua mãe foi Mãe de Santo e seu pai era Ogan, refletindo dessa forma, a materialização do sincretismo em sua casa, pois além de ser Católica e devota de Santo Antonio e de Nosso Senhor da Vera Cruz, freqüenta assiduamente a Festa da entidade Tremiterra, no mês de maio e a Festa da Entidade Capeaçu no mês de junho, ambas acontecem no Terreiro de Santa Barbara em Baiacu, cujo Dª Santinha é participante assídua.

 

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