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A prioridade do governo Temer - TEXTO 06

19 de Junho de 2016, 3:20 , por Zenivaldo - 0sem comentários ainda | Ninguém está seguindo este artigo ainda.
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A PRIORIDADE DO GOVERNO TEMER

O governo interino Temer está agindo com ampla desenvoltura, no sentido de implementar medidas que penalizarão a população, principalmente os mais carentes. Essa ação, de forma voraz, está sustentada em três aspectos: o amplo apoio e o caráter do atual Congresso, a conivência da mídia hegemônica e o atendimento ao mercado financeiro.
A maioria de parlamentares que forma a base do governo foi eleita com financiamento do grande setor privado e somente a esse presta satisfações, como servis mercenários que são. Tem desprezo pela população, a qual somente na época das eleições será chamada a votar, induzida pela força do dinheiro que controla nossas eleições, determinando seu resultado. Ao lado disso, o caráter dos congressistas que formam a base governamental está refletido no “mar de lama” (e podre) que nos chega todo dia. O próprio Deputado Cunha já ameaçou que se cassado e/ou preso, levará metade do Congresso consigo. É inacreditável a desfaçatez com que os Deputados e Senadores denunciados vêm a público falar de sua honestidade e inocência! Ou, a sem cerimônia com que se ameaça a ação investigadora, através de proposições apressadas de alteração da lei da delação premiada, bem como o “impeachment” do procurador Rodrigo Janot. Com base na “qualidade” desse Congresso, o presidente interino Temer se sente à vontade para implementar as medidas que bem entende.
Por outro lado, a conivência da mídia hegemônica quando não aplaude as medidas adotadas, omite a discussão do verdadeiro impacto que esses atos terão sobre a vida das pessoas comuns. Vejamos o caso da proposta de emenda constitucional – PEC 241/16 que trata da limitação dos gastos públicos para a despesa primária (fica de fora a despesa com os juros). O que significa esse ato? Pelo projeto do governo, por 20 anos o gasto das despesas primárias será congelado na prática (reajuste somente da inflação). Ora, isso significa que investimentos em Educação, Saúde, Saneamento Básico e para outros setores essenciais da população serão reduzidos cada vez mais ou mesmo eliminados. Tomando-se a Lei Orçamentária de 2016 como exemplo, temos que a Educação está contemplada com 5,66% do total orçamentado, a Saúde com 6,72%, a Despesa Social e Combate à Fome com 4,44%. Enquanto a Despesa com Juros abarca 29,44% do total do orçamento (Anexo I da Lei).
A Educação, a Saúde e a Proteção Social representam metade do que será pago em juros! E, pela Emenda Constitucional do limite dos gastos, esses três itens ficarão congelados por 20 anos. Mas os juros não. Não seria razoável que a imprensa do país discutisse o impacto dessa medida na vida das pessoas? Mas, ao contrário, vemos tanto nos meios de comunicação televisiva, como nos jornais e revistas, tão somente a voz dos governistas e até o apoio dessa dita imprensa. O Ministro Meirelles (Fazenda) disse textualmente que deverão ser revisados os índices da Educação e da Saúde. Para ele, a Constituição de 1988 errou em pensar em parâmetros mais exigentes para Educação e Saúde públicas. Não faltaram governistas a dizer que aquela Constituição colocou o chapéu onde o braço não podia alcançar. Em outras palavras, correção proposta deverá penalizar ainda mais, rebaixar mais o nível da já deficiente Educação e da lamentável Saúde que o governo oferece à população. Toda essa fala, teve o endosso ou o silêncio concordante da mídia hegemônica. As redes de televisão e os grandes jornais dispõem de um corpo de economistas e cientistas sociais que tem a cancha de abrir um debate, clareando a população sobre o que representa essa medida em sua vida. Por que não o fazem?
O terceiro ponto em que se sustenta o governo interino do PMDB, o mercado financeiro, está satisfeito com a atuação daqueles que hoje comandam o destino do Brasil. Afinal, tudo caminha como programado: a Previdência sob o comando do Ministério da Fazenda aguarda o momento de ser privatizada; o pré-sal vai ser entregue às empresas petrolíferas internacionais (mais exatamente às quatro “irmãs” que dominam o mercado); e, a despesa com o pagamento dos juros está intocável, não entra no “limite” proposto por Temer. Conforme o Anexo I da Lei de Orçamento 2016, está previsto o pagamento de R$ 519 bilhões (correspondente aos 29,44% da despesa total). O site informativo da FIESP (ela mesmo), denominado de “jurômetro” registra que até 18.06.2016 já foram pagos R$ 146,7 bilhões de juros. Logo, o mercado está feliz, está tudo indo muito bem nesse nosso Brasil!
Essa confluência nefasta de um Congresso vendido, uma imprensa inidônea e um mercado financeiro ganancioso e livre constituem a sustentação desse governo totalmente descolado dos interesses da população. É preciso que tomemos consciência do rebatimento disso em nossas vidas. Se a imprensa não traz essa discussão, temos que fazê-la. Temos que usarmos os meios legais que dispomos para assumirmos a nossa função política e assim, criar as consciências críticas. E isso começa em cada um de nós, com nossas leituras, com informações diversificadas, com o papo entre amigos e, principalmente o uso das redes sociais para divulgar nossas ideias.

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