Este Blog é um "clone" de http://softwarelivre.org/vicente, atualizado automaticamente pela funcionalidade de "blog externo" do Cirandas.net.
2010 e a "fúria da natureza"
6 de Janeiro de 2010, por Vicente Aguiar - Um comentário
Num primeiro post de janeiro, eu gosto de trazer, normalmente, uma poesia ou algo do gênero para iniciar o ano com arte e boas vibrações. Entretanto, dado ao momento singular que estamos vivenciando em nosso planeta, resolvi trazer aqui um desabafo enviado pelo meu amigo Louti Bahia para minha caixa de email, logo nos primeiro dias de 2010.
Louti me fez lembrar que, toda vez que uma catástrofe acontece, ela é atribuída à famosa “fúria da natureza”. Indo mais além, ele me questiona: será que o justo não seria atribuí-las à inconseqüência, ganância e imediatismo dos seres humanos? Afinal, não é de hoje que geólogos nos orientam para a não ocupação de encostas, sejam por casas pobres ou ricas. Inúmeros urbanistas e arquitetos avisam que a ocupação desenfreada do solo está diminuindo as áreas de infiltração e as enchentes vão piorar. Técnicos e mais técnicos alertam para os perigos do crescimento urbano desordenado. Ambientalistas alertam para o perigo do efeito estufa, pois o derretimento das geleiras e a elevação do nível do mar será fatal para cidades litorâneas como Salvador. Quem dá ouvidos? Quem liga? Quem segue as orientações?
Po outro lado, só vemos empreiteiras devastando áreas verdes imensas para construir condomínios de luxo. Fábricas produzindo carros de alto consumo. Obras públicas cobrindo leitos de rios que deveriam é ter sua área natural de vazão preservada. Lixo jogado pelas janelas, entupindo ralos e bueiros. Todos se comovem alguns dias com as imagens das catástrofes na TV, na Internet, mas logo depois, voltam aos seus objetivos imediatos, calculam seus lucros, ignoram todos os alertas e fazem tudo o que sabem que não deveriam fazer. Aí, quando as novas tragédias acontecem, a responsabilidade é de quem? Da “fúria da natureza”, é claro. ;-)
É, amigo Louti, que venha então 2010... dessa vez, "2010 vezes melhor" para ver se esse "tempo ruim" melhora.
Retrospectiva 2009: o universo colaborativo em pauta
27 de Dezembro de 2009, por Vicente Aguiar - Sem comentários aindaMais um ano se foi. Porém, entre vários fatos que pude ter acesso ou acompanhar em 2009, cheguei a conclusão que esse ano foi bem marcante do ponto de vista da temática ligada a produção colaborativa e aos commons. Isto porque, dentro dos muitos acontecimentos que se desdobraram ao longo desse ano, alguns foram bem singulares, mais especificamente, únicos - dentro daquela parte da história que pessoalmente puder ter acesso , é claro. ;-)
Assim, no clima das retrospectivas de fim de ano, resolvi fazer um post que menciona alguns desses acontecimentos de 2009 que colocaram o univreso colaborativo em pauta:
1 - Nobel de Economia em 2009
A prêmio Nobel de Economia em 2009, Elinor Ostrom, além de ser a primeira mulher a ganhar Nobel de economia no mundo, tem o seu trabalho sobre "análise da governança econômica dos commons" como principal referência citada pelo prêmio.
O trabalho pioneiro de Ostrom aborda, em sua maior parte, a governança de recursos de propriedade comum ("common-pool resources - CPR") - recursos que são rivais, mais que ainda precisam ou devem ser tratados como commons - como, por exemplo, um sistema de água e o ar.
Contudo, ela também é considerada como uma crítica aos processos de mercantilização da informação e do conhecimento. Por exemplo, no artigo “Ideas, Artifacts, and Facilities: Information as a Common-pool Resource”, escrito em 2003, Elinor Ostrom denuncia a questão da “informação que costumava estar livremente disponível, e que passa a ser cada vez mais privatizada, monitorizada, encriptada e restrita.” Segundo a Nobel em economia, “o emparcelamento é provocado por conflitos e contradições entre as leis de propriedade intelectual e as capacidades ampliadas das novas tecnologias.” Vale então conferir esse belo trabalho - infelizmente, apenas em inglês (até o presente momento).
2 - Lançamento de três importantes livros: "The Art of Community", "Software Livre Cultura Hacker e Ecossitema da Colaboaração" e a "Revolução do Software Livre".
Em 2009, muitos livros foram lançados tendo como pauta o fenômeno dos softwares livres e seu ecossistema colaborativo. O primeiro então que eu destaco vem de fora do Brasil: o Jono Bacon - um dos coordenadores da comunidade intrenacioinal ligada à distribuição Ubuntu (GNU/Linux) - lançou um livro bem interessante intitulado "The Art of Community" ( "A Arte das Comunidades") - também, até o momento, apenas em inglês. 
Apesar de ter um caráter um pouco "prescritivo" (do tipo receita, ou mais especificamente, "Como gerir uma comunidade de software livre e se dar bem") sobre algo que é singular e muda de caso para caso, o livro toca em pontos importantes sobre o universo das comunidades que dão vida a grandes projetos de software livre,a exemplo do próprio Ubuntu.
Além disso, pela primeira vez que eu tenha conhecimento, um livro com tal finalidade é publicado comercialmente, além de ser permitido o livre download para fins não comerciais. Sinal que existe uma boa demanda para este tipo de temática ligada aos projetos de software livre no mundo. Assim, levando em consideração que toda comunidade de software livre tem a sua singularidade e complexidade, os pontos trazidos pelo livro podem contribuir para reflexões sobre o funcionamento e a dinâmica das comunidades e seus projetos.
Outra publicação que teve como pauta o fenômeno dos softwares livre e todo o seu ecossitema foi o livro "A Revolução do Software Livre", organizado pela Comunidade Sol do Estado do Amazonas.
O livro tem artigos escritos por dez autores que participam ativamente do movimento de software livre, nos mais variados segmentos, como filosofia. São eles: Alexandre Oliva, Cezar Taurion, Christiano Anderson, Jansen Sena, Marcelo Ferreira, Paulino Michelazzo, Pedro Rezende, Pedro Mizukami, Rubens Queiroz e Tiago de Melo. O prefácio da publicação é do diretor-executivo da Linux Internacional, Jon "Maddog" Hall.
Além dos dois livros acima, não poderia deixar de mencionar o livro "Software Livre, Cultura Hacker e Ecossistema da Colaboração." - mesmo correndo o risco de ser um pouco arrogante pelo fato de ter eu mesmo organizado esse trabalho em parceria com o Sérgio Amadeu.
Com um foco mais acadêmico, esse livro, no formato de coletânea, traz artigos elaborados a partir de estudos e pesquisas de diversas áreas das ciências humanas, que foram desenvolvidos em diferentes universidades e centros de pesquisa do Brasil (UFBA, UNICAMP, USP e Casper Líbero), mas que têm em comum o mesmo objeto de análise: a temática do Software livre, Cultura hacker e o ecossistema da colaboração. Por isto, além de subsidiar outras pesquisas, esse livro pode ajudar quem tem interesse de adentrar nesse universo coalborativo.
3- Fiat desenvolve carro colaborativo licenciado em Creative Commons
Dentro desse novo paradigama colaborativo de produção, a Fiatl foi primeira multinacional ligada a produção de automóveis que adotou um projeto literalmente "aberto", ou seja, que permite a participação direta de seus clientes, usuários no planejamento de um carro, mais especificamente, o Fiat MIO.
Segundo o próprio site dop projeto, "Vale lembrar que todo conteúdo será livre. A Fiat acredita que o conhecimento gerado neste projeto deve ser propagado sem restrições, podendo ser utilizado por simples usuários ou até mesmo engenheiros e outros fabricantes de veículos." Uau... vindo de uma multinacional como a Fiat, vale a pena duvidar e conferir de perto. :-)
4 - Lançamento do software livre Noosfero para redes sociais
O Projeto Noosfero que foi lançado ao mundo em 2009, também não podia ficar de fora da lista. :-) Não apenas por ser um de software livre, mas principalmente por ser uma solução web voltada para a criação de redes sociais, mas também por ter surgido a partir de uma empresa cooperativa brasileira, mais especificamente baiana com o financiamento de uma rede de patrocinadores nacionais e internacionais.
Junto com o projeto, quatro redes sociais que utilizam esse software livre como plataforma também foram inauguradas em 2009:
-
SoftwareLivre.org
A rede informação e relacionamento da comunidade brasileira de software livre. -
Zen3.net
Uma rede de comunicação e cultura digital ligada a Fundação Ynternet.org da Suiça. -
Unifreire
Rede formada por pessoas e instituições freirianas de vários países, entre as quais, os Institutos Paulo Freire. -
Cirandas
Rede de intregação, articulação e informação dos atores da Economia Solidária no Brasil.
De certa fomra, tudo isso mostra não apenas que cada vez mais o Brasil ( mais especificamente o Nordeste) está contribuindo com desenvolvimento de código aberto no mundo, como também é possível que um projeto de software livre seja criado a partir de um empreendimento privado.
5 - O Presidente da República do Brasil participa de um evento comunitário de Software Livre em 2009
Independete de posição partidária, a presença de um preseidente da república num evento comunitário de software livre é um grande símbolo da força e do papel que esse paradigama tecnológico tem hoje para mundo e cada vez mais aqui no Brasil, em particular.
Por isto, o 10° Fórum Internacional de Software Livre (FISL 10) que ocorreu nesse ano de 2009, em Porto Alegre, acaba sendo um marco fundamental para difusação desse paradigma colaborativo. Para quem esteve lá e pôde presenciar o discurso do Presidente de perto, tem uma noção exata do que digo. Para quem não foi, não deixe então de assistir esse discurso do presidente.
6 - Feliz 20...
Agora, é aguardar as cenas dos próximos capítulos e conferir quais outros resultados esses belos acontecimentos de 2009 podem gerar tanto em 2010 como também nos anos seguintes. Até lá... :-)
Internet no Brasil em debate
22 de Novembro de 2009, por Vicente Aguiar - Sem comentários aindaEssa proposta já foi difundida na Internet, mas não custa nada contribuir na divulgação:
O Ministério da Justiça, por meio de sua Secretaria de Assuntos Legislativos, lançou no último dia 29 de outubro um processo de consulta pública para a construção colaborativa de um marco civil para a Internet no Brasil. A consulta, realizada por meio da Internet, pode ser acessada pelo endereço http://culturadigital.br/marcocivil/
A proposta é criar uma espécie de declaração dos direitos dos internautas que possa basear a construção de um marco legal sobre a internet (que ainda não existe!) aqui no Brasil. Por isto, vale muito aproveitarmos esta oportunidade de participação, interagindo no Fórum on-line e colocando opiniões sobre temas como: privacidade dos dados; filtragem de conteúdo; além da liberdade de expressão. O prazo é até dia 17 de dezembro de 2009. ;-)
Por que usar GNU/Linux ajuda a preservar o meio ambiente?
8 de Novembro de 2009, por Vicente Aguiar - Sem comentários ainda
No dia 04 de outubro, a Revista Muito, ligada ao Jornal Atarde aqui de Salvador, fez uma matéria sobre o "Consumo Verde", uqano foi destacada a relação entre software livre e a preservação do meio ambiente. Como eu participei dessa matéria da Revista, assinada pela jornalista Katherine Funke, achei que seria importante mostrar, com um pouco com um pouco mais de detalhes, como isso acontece na prática.
Sendo assim, segue abaixo algumas pesquisas e projetos que demonstram como usar GNU/Linux e ajudar a preservar o meio ambiente:
Diminuição do consumo de energia
Um estudo da IBM nesse de 2009 demonstrou que uma série de medidas adotas pelo sistema operacional GNU/Linux diminuem o consumo de energia de um computador/Servidor. Essas e outras medidas também fazem parte de um projeto internacional, apoiado pela Intel Corporation, denomindo LessWatts.org .
Dentre os vários projetos existentes por lá gostaria de destacar o "PowerTop". Esse utilitário fornece uma análise detalhada da performance de consumo de energia de seu computador pessoal - e ainda dá dicas como melhorá-la. Isto porque, PowerTOP é uma ferramenta Linux que verifica os componente(s) de software que tornam o consumo de energia do sistema maior do que deveria estando no estado ocioso. A partir kernel versão 2.6.21 , o kernel não tem mais uma marcação de timer fixada em 1000Hz. Isto pode dá uma enorme economia de energia, porque a CPU fica em modo de baixa energia por longos períodos de tempo durante o sistema ocioso. Para mais informações em português, acesse aqui.
Além disso, para quem é usuário do Desktop GNOME, é possível usar o "GNOME Power Manager" q
ue permite qualquer usuário configurar as opções de consumo de energia do seu computador. Normalmente, ele é encontrado no Painel de controle, como também em "Preferências" no menu GNOME, mais especificamente em "Gerenciamento de Energia". 
Aproveitamento de Hardware
- Uma das características mais interessantes do GNU/Linux é a sua alta performance em termos de aproveitamento de hardware. Isso também foi comprovado pela pesquisa da IBM. Segundo ela, o sistema operacional GNU/LINUX apresenta melhor performance ambiental ao necessitarem de requisitos mínimos de hardwares para funcionar, segundo mostra a tabela abaixo:

Um outro projeto que representa bem essa capacidade é o Linux Terminal Server Project (LTSP).
O LTSP é usado como solução para performance de computadores antigos e para implementação de uma rede de baixo custo. Motivo este a qual é usado em escolas, telecentros e projetos de metareciclagem de máquinas por todo mundo. Com essa solução é possível ter um servidor principal (geralmente um micro de melhor performance, no qual está instalado o LTSP) e vários clientes conectados via rede a este servidor. Assim, om um servidor não muito grande (ex: 3 Ghz e 2 GB RAM) podemos ter, por exemplo, trinta 486s "pendurados", rodando softwares de última geração. Saiba mais em português...
- Muitos dos usuários de computadores não imaginam o que os computadores ainda podem fazer e, a não utilização de soluções "Multihead" no GNU/Linux é um exemplo disso. Afinal, como o próprio nome já informa ("MultiHead" vêm do inglês "cabeças múltiplas"), a idéia do multi-head é otimização e melhor aproveitamento dos recursos que temos em termos de harware. Em outras palavras, isso sognifica, por exemplo, usar quatro moniotres, quatro teclados e quatro mouses num mesmo gabinete (vulgo "CPU") para quatro usuários ao mesmo tempo. Parece milagre? Saiba mais e veja que não...
Agora, por meio de todos esses projetos (e por ouros projetos GNU/Linux que ainda possam existir!), fica mais entender porque usar GNU/Linux ajuda a preservar o meio ambiente. :-)
Nova versão da animação em massinha sobre Software Livre
23 de Outubro de 2009, por Vicente Aguiar - Sem comentários aindaBem bacana a nova versão da animação em massinha sobre Software Livre. Nela é possível escutar com muito mais nitidez a narração da história sobre o software livre, junto com uma nova musiquinha de fundo... Apesar de gostar mais da trilha sonora da primeira, o resultado final dessa versão ficou muito legal e vale a pena a compartilhar. Parabéns ao Kretcheu pela iniciativa e ao Ary Favero Jr pela locução! :-)
Para que todas/os possam comparar e tirar suas próprias conclusões, segue abaixo as duas versões:
VERSÃO 0.2
Software Livre - Animação em massinha from kretcheu on Vimeo. Adaptação do Kretcheu e Ary Favero Jr.
VERSÃO 0.1
Versão original de Aurélio Heckert e Rozane Suzart.
Acessibilidade com ORCA e GNU/Linux
13 de Setembro de 2009, por Vicente Aguiar - Sem comentários ainda
Durante muito tempo existiu uma lenda (dentre muitas!) na área de informática que um computador com GNU/Linux não era sinônimo de acessibilidade no Brasil. Uma das razões para tal crença estava ligado ao fato em que muitas pessoas ainda não conheciam o leitor de tela para deficientes visuais denominado de ORCA, do Desktop GNOME (ambiente desktop do GNU/Linux no qual o ORCA está inserido).
Contudo, graças ao esforço da equipe brasileira de tradução do Projeto GNOME, essa lenda urbana já está se diluindo. Afinal, o ORCA já é 100% traduzido para o português brasileiro e, assim, já pode ser utilizado por qualquer deficiente visual em nosso país que tenha acesso a um computador com GNU/Linux instalado.
Em especial, esse esforço de tradução só foi possível porque o principal responsável pela tradução do ORCA é um deficiente visual, nascido na Bahia, de nome Tiago Melo Casal. Além de revisar a tradução do Orca a cada lançamento, Tiago usa o aplicativo todos os dias e está em contato com vários outros cegos que usam software livre no Brasil e no mundo. Para mostrar um pouco do trabalho realizado por Tiago, o ex-coordenador da equipe de tradução do GNOME - Leonardo Fontenelle - fez uma bela entrevista com ele, onde parte dela pode ser conferida abaixo:
LEONARDO - Começando pelo começo: Você poderia falar um pouco sobre você mesmo?
TIAGO - Sou Tiago, Brasileiro, nasci em 18 de Julho de 1985 em Salvador capital do Estado da Bahia. Sou cego, nasci com Retinose Pigmentar. Atualmente moro no Estado do Ceará, com minha companheira que também é cega. Diariamente utilizo computador, Orca, GNOME e Linux.
Por volta de 2002/2003, ouvi falar em Linux, em Software Livre e Open Source, me interessei e comecei a procurar e ler na internet textos sobre o assunto. Na época, não havia para Linux recursos de acessibilidade voltados para a realidade dos cegos brasileiros, como síntese de voz (via software) em Português. Havia leitores de tela para modo texto, utilizando síntese de voz via Hardware ou utilizando Linhas Braille, equipamentos que não eram comuns no Brasil. Por outro lado, os softwares de síntese de voz em sua maioria só falavam em Inglês. Leitor de telas para o ambiente gráfico, eu desconhecia.
Comecei a utilizar o Linux com o Linvox em 2004, um projeto brasileiro que trazia num LiveCD o Linux Kurumin com o Dosvox funcionando através do WINE. O Dosvox é um conjunto de programas para cegos com síntese de voz em Português (via software), como Editor de Textos, Navegador de Internet, Cliente de Correio Eletrônico, Telnet Falado e outros programas, inicialmente era para ambiente DOS e depois passou para ambiente Windows, por isso a necessidade do WINE, eu utilizava o Shell no Linux através do Telnet Falado do Dosvox.
Em 2006 criei a lista de discussão Linvox no Yahoo Grupos, onde diversas pessoas trocam experiências sobre Acessibilidade no Linux.
A autonomia dos cegos melhorou com toda a infra-estrutura de Acessibilidade desenvolvida no GNOME, com os leitores de telas para aplicativos em GTK+, principalmente com o Leitor de telas Orca. O Orca fez a diferença e o GNOME tornou-se referência de Ambiente Gráfico Acessível. A primeira distribuição Linux que trouxe o GNOME com Orca e uma maneira simples de um cego iniciar o LiveCD, utilizar o sistema e instalá-lo sem a ajuda de alguém que enxergue, foi o Linux Ubuntu. Comecei a utilizar o Orca com voz em Espanhol em 2006, em 2007 já foi possível utilizar o Orca com fala em Português, graças ao eSpeak, software de síntese de voz com fala em diversos idiomas. De lá para cá, o GNOME e o Orca só têm evoluído, aplicativos em GTK+ têm melhorado a acessibilidade, como o Firefox que deu um grande salto em Acessibilidade com a versão 3.0.
LEONARDO - Além do Orca, quais outras qualidades da acessibilidade do GNOME? E o que é que precisa melhorar?
TIAGO - No geral, o GNOME é muito acessível, com desenvolvimento ativo da infraestrutura básica de acessibilidade — ATK/AT-SPI —, do leitor de telas Orca e de outros projetos da área. Em específico para meu caso e das pessoas que não enxergam, podemos utilizar mais de 80% do GNOME em conjunto com aplicativos em [ou que interagem com] GTK2, como: Nautilus, GEdit, Editor de textos do OpenOffice/BROffice, Firefox/Iceweasel, gnome-terminal, Adobe Reader, Brasero, e outros.
A acessibilidade do GNOME está disponível para os aplicativos escritos em GTK2 e utilizando o ATK/AT-SPI, a inacessibilidade aparece quando um aplicativo é desenvolvido sem vínculo com o ATK/AT-SPI e em aplicativos antigos desenvolvidos em GTK1.2 ou anterior. Uma das maneiras de evitar que a acessibilidade seja esquecida seria embutir no GTK+ o código do ATK/AT-SPI. [Nota: o GAIL, que fazia a ponte entre o ATK, foi incorporado ao GTK+ em dezembro de 2007.]
LEONARDO - Você estava falando do LiveCD do Ubuntu. Quais são, hoje em dia, as distribuições mais acessíveis aos cegos, tanto para uso cotidiano quanto para instalação?
TIAGO - Vou citar algumas distribuições Linux, sendo que eu direi sobre facilidade ou dificuldade tendo como base a utilização por cegos brasileiros, que na sua maioria não têm acesso a hardware de síntese de voz ou Linha Braille, portanto necessita de síntese de voz via software. Para iniciante, eu considero até o momento o Ubuntu a distribuição mais fácil para começar a utilizar o Linux, é possível o cego sem ajuda de alguém que enxerga utilizar via LiveCD, instalar e utilizar diariamente; outra distribuição boa é o Mandriva, também dá para utilizar pelo LiveCD, instalar e utilizar diariamente. Tem também o OpenSolaris, um Unix acessível, dá para utilizar pelo LiveCD, instalar e utilizar diariamente. Voltando para as distribuições Linux, o Fedora 11 veio com GNOME e Orca, vem com um soft de síntese de voz com uma fala em inglês, é uma voz muito boa, mas como só trouxe um idioma, o que dificulta na instalação por pessoas falantes de outros idiomas, após instalar o Fedora 11 e instalando posteriormente falas no idioma de quem está utilizando o sistema, resolve a questão, mas se já tivesse falas em outros idiomas no CD, como o software eSpeak, seria bem melhor. Um amigo testou o OpenSuSE, no geral ele gostou da acessibilidade. É possível utilizar o Slackware, mas no momento é necessário a ajuda de alguém que enxergue na instalação, até que o cego possa utilizar o sistema com algum leitor de tela de modo texto ou um gerenciador de janela em GTK2 com o Orca. Atualmente eu utilizo o Debian, por enquanto o instalador texto não tem software de síntese de voz (só síntese via hardware ou Linha Braille), mas tudo indica que está caminhando para isso na próxima versão, se realmente acontecer será um diferencial muito importante de outras distribuições. Existem e existiram distribuições Linux específicas para cegos, como o Oralux que foi descontinuado, atualmente tem algumas distribuições, mas o interessante é que as grandes distribuições integrem os recursos de acessibilidade disponíveis.
No geral, penso que qualquer distribuição que tiver instalado um software de sínteze de voz (prefiro o eSpeak porque tem fala em diversos idiomas), tiver um leitor de tela de modo texto e tendo o GNOME como gerenciador de janelas (que já vem com o Orca), já dá para um cego utilizar o sistema, dá também se o gerenciador de janelas for em GTK2 (LXDE ou XFCE, configurando algumas variáveis dá para ter acessibilidade).
LEONARDO - Então o eSpeak tem uma opção de voz para português do Brasil? Eu ia mesmo perguntar quais são as opções de síntese de voz para brasileiros. O Dosvox, imagino, não funciona com o Orca.
TIAGO - Falando mais um pouco sobre o TTS (Texto para Fala) eSpeak: as regras do eSpeak para falar em português do Brasil foram implementadas pelo amigo Cleverson Uliana (em outubro/novembro de 2006), permitindo a utilização do Orca e outros leitores por mais pessoas no Brasil, antes da tradução do eSpeak para Português do Brasil utilizávamos o TTS Festival com fala em Inglês ou Espanhol, existia uma fala para o Festival em Português mas não era de fácil instalação e com a dependência de um componente extra com licença restritiva. Outro TTS com falas em Português do Brasil é o MBROLA (Banco de dados de voz BR1, BR2 e BR3), a licença do MBROLA é livre e restritiva em alguns pontos, a distribuição Oralux que foi descontinuada, vinha com fala em alguns idiomas e em Português utilizando o MBROLA. Atualmente está em desenvolvimento o Banco de Dados de Voz BR4 em MBROLA, fala conhecida como Liane TTS, em desenvolvimento pelo Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados) e pelo NCE/UFRJ (Núcleo de computação Eletrônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro), é uma fala Brasileira com qualidade; também está em desenvolvimento um driver para a utilização da Liane TTS com o GNOME e o Orca, sendo testado pela comunidade com êxito; a Liane TTS também é utilizada pelo Dosvox no Windows. Se a pessoa desejar, pode utilizar o eSpeak como interface para se utilizar as falas do MBROLA, como as falas Brasileiras BR1, BR3 e até a BR4 (Liane TTS), utilizar as falas em outros idiomas do MBROLA, também as regras para o Português do Brasil foram feitas pelo Cleverson Uliana, com isso, pode-se utilizar o MBROLA via eSpeak com o Orca e outros leitores, no Linux e no Windows. Há alguns softwares de síntese de voz comerciais, cito o VoxIn por ser o melhor em minha opinião, com opções de fala em diversos idiomas e pelo valor ser barato, custa em torno de 5 euros a fala para cada idioma disponível.
O Dosvox é um conjunto de programas, é desenvolvido no NCE/UFRJ, inicialmente era para DOS e depois passou para Windows, tem uma síntese de voz própria e em Português, também pode utilizar outros TTS em SApi4 e/ou SApi5 (sistema de fala da MS), e suporta Liane TTS. Penso que existe um projeto para portar o Dosvox para Linux, mas por enquanto quem gosta do Dosvox utiliza ele no Linux através do WINE, como é um sistema de programas com fala não há necessidade de leitor de tela para os programas do Dosvox, também como o WINE não é em GTK+ ele não é acessível para o Orca.
Para Ler a entrevista na íntegra, basta acessar o blog do Leonardo Fontenelle. ;-)
1a. Conferência Web W3C Brasil
12 de Setembro de 2009, por Vicente Aguiar - Sem comentários ainda
Essa quem trabalha com web não pode percer! Essa é a chamada de papers, casos de uso e tutoriais que serão selecionados para apresentação durante a 1ª. Conferência Web W3C Brasil organizada pelo W3C Escritório Brasil.
A Conferência Web W3C Brasil foi criada para oferecer ao público brasileiro um amplo fórum anual de discussão e debate sobre a evolução da Web, a padronização de suas tecnologias e seu impacto na sociedade e na cultura. A Conferência reunirá pesquisadores, desenvolvedores, usuários, empresas, agências digitais, mídia e todos aqueles que são apaixonados pela Web e que têm algo a oferecer, usar e debater.
Cada submissão recebida será avaliada pelo Comitê de Programa, que selecionará aquelas que forem mais adequadas às temáticas e objetivos da Conferência.
Datas importantes:
30 de setembro de 2009 - data limite para submissão dos trabalhos para a conferência
22 de outubro de 2009 - divulgaçãos dos trabalhos selecionados para apresentação na conferência
Mais informações sobre a Conferência Web W3C Brasil podem ser obtidas na Internet no endereço http://conferenciaweb.w3c.br
Plenária na Câmara dos Vereadores de Salvador sobre Software Livre
12 de Setembro de 2009, por Vicente Aguiar - Sem comentários aindaQuem estiver em Salvador (ou perto), está mais do que convidado para essa plenária! Afinal, temos que aproveitar esse espaço para reforçar a adoção de tecnologias livres em nossa terra.

A "nova economia" e o Capitalismo 2.0 em números.
7 de Setembro de 2009, por Vicente Aguiar - Sem comentários aindaNa atual era da Informação, cada vez mais as coisas que compõem o nosso dia-a-dia são de natureza digital, isto é, necessitam de um software para serem utilizados e trocados. Do ponto de vista econômico, podemos afirmar que estamos num mundo onde as atividades econômicas não mais ocorrem em fábricas que utilizam máquinas e processos manuais; e sim por meio de organizações e pessoas interligadas (em rede) através de softwares.
Segundo Eben Moglen (consultor jurídico da Free Software Foundation), isso significa dizer, em palavras, que “a economia do século XXI é sustentada por software. Software é elemento tão fundamental para o desenvolvimento econômico no século XXI quanto o foi a produção de aço no século 20. A estrutura societária nos Estados Unidos, por exemplo, mudou, e o resto do mundo desenvolvido está mudando, e continuará mudando nos países em desenvolvimento, rumo a uma economia cuja commodity primária fundamental à produção é o software”.
Em números, para entender melhor essa afirmação, basta que a gente compare os valores (de hoje!) das ações das grandes multinacionais de software, com o setor que foi referência na era industrial passada: os automóveis.

Setor Automativo. Fonte: http://biz.yahoo.com/ic/ll/330mkt.html

Setor de Softwares. Fonte: http://biz.yahoo.com/ic/ll/821mkt.html
Um bom gráfico vale mais do que muitas palavras. Ao compararmos os valores da Microsoft (maior empresa de software do mercado) com a maior empresa produtora de automóveis (a Toyota - que produziu 7,1 milhões de veículos em 2008 ), fica mais claro que estamos querendo dizer.
Por outro lado, essa "nova economia" já está se alterando. Se o setor de softwares tem essa importância, outro setor está cada vez mais alterando os valores e o processo de acumulação do capitalismo contemporâneo: os Provedores de Informação pela Internet - "Internet Information Providers".

Setor de Provedores de Informação pela Internet. Fonte: http://biz.yahoo.com/ic/ll/851mkt.html
Se os valores financeiros mostram que o setor de softwares é estratégico para a "nova economia" capitalista, o setor de softwares (webs!) que geram informação por meio da Internet é mais estratégico ainda. Afinal, depois de compararmos os números acima, fica mais fácil entender porque a Microsoft fez um grande acordo comercial com a Yahoo, com medo do avanço daquela que pode se tonar - muito em breve - na multinacional mais poderosa do mundo: a Google Inc.
Software Livre e Economia Solidária: uma outra proposta de desenvolvimento na Era da Informação.
7 de Setembro de 2009, por Vicente Aguiar - Sem comentários ainda
Na semana passada eu participei do II Congresso Internacional Software Livre e Governo Eletrônico – Consegi 2009 - realizado pela Escola de Administração Fazendária - Esaf, em parceria com a Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação - SLTI/Ministério do Planejamento. Nesse evento de 2009, participei de uma mesa sobre Economia Solidária, quando pude apresentar um debate sobre "Software Livre e Economia Solidária: uma outra proposta de desenvolvimento na Era da Informação".
Essa apresentação foi uma continuidade do debate do CONSEGI de 2008 sobre "Economia Solidária e apropriação tecnológica". Dessa vez, procurei reforçar a noção de que para construir uma outra proposta de desenvolvimento pautado nos princípios e valores da economia solidária e da sustentabilidade, se faz necessário compreender este atual senário do Capitalismo Informacional e construir estratégias políticas que superem este processo de concentração de riqueza e desigualdade social do atual capitalismo informacional. Para quem tiver interesse no debate, os slides seguem AQUI.














