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CORAL - Consumo Responsável Amorim Lima

21 de Junho de 2016, 22:14 , por Fabiana Gonçalves - 0sem comentários ainda | 1 pessoa seguindo este artigo.
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CORAL - Consumo Responsável Amorim Lima

Os Grupos de Consumo Responsável são organizações de consumidores que se associam a produtores (associados ou não) para realizar compras coletivas diretas. A proposta é criar circuitos alternativos mais curtos de comercialização, baseados nos princípios da economia solidária e do cooperativismo, proporcionando aos produtores preços mais justos e uma nova relação de comercialização com os consumidores, que por sua vez, terão acesso à produtos agroecológicos a preços também mais justos e também poderão estabelecer nova relação com o consumo de alimentos.

O acesso e o consumo de alimentos são uma parte importante dessas organizações,  mas não a única. Para realiza-lo é preciso repensar e modificar alguns hábitos de consumo que estão adaptados ao sistema hegemônico de comercialização, como o planejamento do consumo e o respeito à sazonalidade das culturas.  

A proposta dessa organização vai além do acesso a alimentos orgânicos.  Pretende-se, através desta associação direta entre produtores e consumidores, fortalecer a agricultura familiar, agroecológica ou em transição, e também os movimentos sociais que lutam por acesso e permanência na terra.  Procura-se priorizar a produção local, optando por produtos de regiões mais distantes apenas quando não houver opções viáveis nas proximidades. Eliminar o maior número possível de atravessadores, proporcionando uma aproximação entre os produtores e os consumidores, criando redes menos dependentes de recursos externos a elas. Compreendendo o consumo como um ato político que pode ser praticado de forma mais consciente a ativa ao buscar conhecer as condições e consequências implícitas: quem produziu isso? Sob quais relações de trabalho? Como produziu? Qual caminho esse alimento percorreu até chegar a você? Podendo, assim, fazer escolhas de consumo que vão além da liberdade aparente que se tem nas prateleiras de um hipermercado.

Por que comprar produtos locais da agricultura familiar agroecológica?

Ao consumir produtos locais diminuímos a demanda de recursos na realização da comercialização permitindo um melhor pagamento ao produtor, e um preço mais justo ao consumidor. A proximidade entre produtor e consumidor torna viável que os sujeitos do processo possam se conhecer e estabelecer relações que vão para além da compra e venda. Consumir alimentos locais e de época é um exercício para uma nova relação com o ato de comer e seus sabores.

A Agricultura Familiar é quem produz a maior parte dos alimentos no Brasil. Os latifúndios do agronegócio, mesmo ocupando a maior parte do território brasileiro, produzem a menor parte da comida que nos alimenta, e, no entanto, ainda são um dos grandes responsáveis pelo êxodo rural, campeões no uso de agrotóxico, muito ocorrentes nos casos de trabalho escravo, e a lista poderia seguir bastante. Ao nos organizarmos para consumir produtos provindos da agricultura familiar estamos incentivando esses agricultores a permanecerem na terra.

A Agroecologia aparece na atualidade como um modelo alternativo ao modelo hegemônico da agricultura, que está voltada para o agronegócio.  Trata-se de uma ciência, um movimento e uma prática, que dialoga com os saberes tradicionais em busca de uma agricultura socialmente justa e ambientalmente viável.

A Economia Solidária propõe uma nova forma de realizar a produção, comercialização, distribuição e consumo das coisas, pautada por princípios de democracia, cooperação, solidariedade, autogestão, preservação ambiental e direitos humanos, em que o ser humano é mais valorizado do que o capital.  

Nessa organização, para além de alimentos, é possível organizar compras coletivas de produtos de higiene, limpeza, artesanatos, produtos de saúde, entre outros. Os consumidores ativos que guiam o caminho.

Por se tratar de um formato descentralizado de escoamento de alimentos, normalmente estes grupos costumam ter uma atuação em pequena escala, no nível de bairros ou regiões das cidades, e é isso que pretendemos. A ideia é que ninguém tenha que andar muito para chegar ao ponto de retirada. Pretendemos, ainda, a construção de uma rede solidária em cooperação real entre os vários “grupos de consumo responsáveis” espalhados pelos bairros da cidade. Essa organização pode servir como espaço de articulação de outras iniciativas que visem o fortalecimento e integração dos movimentos no campo e na cidade.

No Brasil existem diversas experiências de organizações de Grupos de Consumo Responsáveis e uma rede desses grupos vem sendo articulada há alguns anos. Saiba mais no site do Instituto Kairós (em: http://institutokairos.net/).

Como irá funcionar o CORAL?

Para um Grupo de Consumo Responsável acontecer à primeira coisa que precisa ser realizada é agregar pessoas interessadas em participar. Além de uma proximidade geográfica essas pessoas precisam estar dispostas a realizar, juntas, essa nova forma de consumo. A proposta do CORAL é aglutinar a comunidade do Amorim Lima em torno dessa pauta.

Um segundo passo é encontrar o grupo de produtores locais que serão nossos parceiros. Além de serem produtores locais, da agricultura familiar agroecológica ou em transição, é necessário considerar a viabilidade da logística da comercialização em cada caso.

Para realizar isso tudo é preciso estruturar uma gestão para o grupo. A gestão realiza o contato com os produtores, pensa na logística do transporte, organiza os pedidos, as retiradas, os pagamentos, o recebimento dos produtos, a comunicação interna e externa, entre várias outras funções. 

Na maioria dos Grupos de Consumo Responsável essa gestão funciona utilizando-se de ferramenta virtuais. Uma mudança de habito importante que necessita ocorrer entre os consumidores para o bom funcionamento do grupo é realizar seu consumo planejado, uma vez que são feitos pedidos para entrega em data marcada, exigindo o compromisso dos consumidores com a retirada e pagamento do seu pedido.

Existem diversas formas de organizar essa gestão. O grupo junto precisa ir afinando a sua forma. Como ferramenta, uma primeira proposta é usar o Cirandas.net, que é uma rede social pensada para projetos da Economia Solidária. Existe um tutorial simples de como se associar ao Cirandas.net, que será compartilhado com todxs.  

A taxa de associação é uma colaboração mensal fixa de todos os associados ao grupo. Ela é cobrada por Unidade de Consumo. Uma Unidade de Consumo pode ser uma pessoa, uma casa, um casal, um grupo de amigos que se reúne para consumir juntos (exemplos de unidade de consumo: Casa Azul, Família Borges, Marina Soares). O nome da Unidade de Consumo deve ser o mesmo do seu login no Cirandas, isso é muito importante para a gestão funcionar bem. O nome da Unidade de Consumo é o nome que a pessoa deve sempre usar nas retiradas, informes de pagamento etc. Além de pagar os custos do trabalho essa taxa também vai compor o fundo coletivo do grupo. Existe uma proposta de começar com uma taxa de R$15,00 mensais. Mas isso também é algo interessante de ser acordado entre todxs.

Uma vez associado ao grupo é possível acessar todos os produtos comercializados á preço de custo do produtor, acrescido do valor do transporte quando houver.

A precificação é aberta, o que significa dizer que os valores são abertos em preço de custo dos produtos no produtor, custo do transporte e custo de manutenção do grupo. Os produtos são repassados para os consumidores pelo preço do produtor acrescido do frete. Os custos de manutenção do grupo serão pagos com o dinheiro da associação ao grupo.  

Combina-se um período de um dia da semana para a retirada. Pode ser algumas horas de manhã e algumas no final da tarde.  Esse dia e horário será acordado entre os participantes nos nossos primeiros encontros, considerando as disponibilidades dos agricultores parceiros e do espaço utilizado.  Além da retirada dos produtos nesse momento o grupo também aproveita para se reunir e se conhecer. Ocorrem reuniões periódicas para se pensar e conversar sobre o andamento do grupo. Nessas reuniões todos tem voz e voto iguais, se o voto for necessário.  O uso do fundo coletivo é decidido nessas reuniões.  No CORAL as retiradas ocorrerão no Sábado pela manhã, por conta de toda a logística de uma escola, mas ainda precisamos decidir coletivamente o melhor período.

Para se associar mande um e-mail para a gcramorimlima@gmail.com pedindo para entrar na lista de e-mail. A gestão te respondera dando as boas vindas. Depois de preenchido seu cadastro, que será encaminhado por e-mail, e pedido para participar da comunidade aqui no Cirandas a gestão autorizará sua entrada. 

Venha nos ajudar a construir o CORAL!

 

Obs: O CORAL tem como grande inspiração a ComerAtivaMente, que é outro grupo de consumo com funcionamento bem parecido, que também está aqui no Cirandas. 


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