Anarquismo é uma teoria politica que pretende criar anarquia, "a ausência do senhor, do soberano". [P-J Proudhon, What is Property, p. 264] Em outras palavras, anarquismo é uma teoria politica que almeja criar uma sociedade na qual os indivíduos cooperem livremente entre si como iguais. Assim, o anarquismo se opõe a todas as formas de controle hierárquico - venha ele do estado ou de capitalistas - por ser danoso tanto ao individuo quanto à sua individualidade e portanto desnecessário.

Nas palavras da anarquista L. Susan Brown:

"Embora a compreensão polular de anarquismo seja de um movimento violento anti-estado, o anarquismo é uma tradição muito mais sutil e delicada do que a simples oposição ao poder governamental. Os anarquistas se opõem à idéia de que o poder e a dominação são necessários para a sociedade, e por isso defendem formas mais cooperativas e anti-hierárquicas de organização econômica, politica e social." [The Politics of Individualism, p. 106]

Portanto, "anarquismo" e "anarquia" são sem dúvida as idéias mais deturpadas na teoria política. Geralmente, as palavras usadas para significar "caos" ou "desordem", e portanto, por implicação, anarquistas desejam o caos social e o retorno "à idade da pedra".

Este processo de falsificação tem paralelos na historia. Por exemplo, em países em o governo é exercido necessariamente por uma pessoa (monarquia), as palavras "república" ou "democracia" são usadas precisamente como "anarquia", significando desordem e confusão. Aqueles que se interessam em manter o status quo obviamente se dedicam a afirmar que a oposição ao corrente sistema não poderia funcionar na prática, e que uma nova forma de sociedade resultaria no caos. Ou, como Errico Malatesta expressou:

"enquanto pensarem que o governo é necessário e que sem governo tudo seria desordem e confusão, é natural e lógico que anarquia, que significa ausência de governo, soe como ausência de ordem." [Anarchy, p. 12].

Anarquistas querem mudar essa idéia do "senso comum" de "anarquia", para que as pessoas vejam que o governo e outros relacionamentos sociais hierárquicos são tão nocivos quanto desnecessários:

"Mude as opiniões, convença o público de que o governo não é apenas desnecessário, mas extremamente nocivo, e então a palavra anarquia, justamente porque significa ausência de governo, significará para todos: ordem natural, conjunto das necessidades humanas e o interesse de todos, completa liberdade com completa solidariedade." [Ibid., pp. 12-13].

Este FAQ é parte do processo de mudar ideias banais em volta do anarquismo e do significado da anarquia.

O que significa "anarquia"?

A palavra "anarquia" vem do grego, prefixo an (ou a), significando "não", "que não quer", "a ausência de", ou "a falta de", mais archos, significando "um governo", "diretor", "chefe", "pessoa em um cargo", ou "autoridade". Ou, como Peter Kropotkin colocou, Anarquia vem de palavras gregas significando "contrario à autoridade". [Kropotkin's Revolutionary Pamphlets, p. 284]

Embora as palavras gregas anarchos e anarchia sejam tidas como significando "sem governo" ou "estando sem governo", anarquismo, pode ser interpretado, em seu significado estrito, original, simplesmente como "nenhum governo". "An-archy" significa "sem um governante", ou mais abrangente, "sem autoridade", e é nesse sentido que os anarquistas tem continuamente adotado a palavra. Por exemplo, encontramos Kropotkin arguindo que o anarquismo "ataca não apenas o capital, mas também todas as formas de poder do capitalismo: lei, autoridade, e o Estado". [Op. Cit., p. 150] Para anarquistas, anarquia significa "não necessariamente ausencia de ordem, como geralmente se supõe, mas ausencia de governo". [Benjamin Tucker, Instead of a Book, p. 13] Veja o excelente resumo de Hence David Weick:

"Anarquismo pode ser compreencido como uma ideia politica e social genérica que expressa negação de todo poder, soberania, dominação, e divisão hierárquica, e o desejo de sua dissolução. . . Anarquismo é portanto mais que anti-estatismo . . . o governo (estado) . . . é, apropriadamente, o foco central da crítica anarquista". [Reinventing Anarchy, p. 139]
Por esta razão, mesmo sendo anti-governo ou anti-estado, anarquismo é primariamente um movimento contra a hierarquia. Porque? Por que a hierarquia é a estrutura organizacional que encorpora a autoridade. Mesmo sendo o estado a "mais alta" forma de hierarquia, e os anarquistas serem, por definição, anti-estado; isto não define suficientemente o anarquismo. Os anarquistas verdadeiros se opõem a todas as formas hierárquicas de organização, não apenas o estado. Nas palavras de Brian Morris:
"O termo anarquia vem do Grego, e essencialmente significa 'sem governo'. Anarquistas são pessoas que rejeitam todas as formas de governo ou autoridade coercitiva, todas as formas de hierarquia e de dominação. Eles são portanto opostos àquilo que o anarquista mexicano Flores Magon chamou de 'trindade sombria' -- o estado, o capital e a igreja. Os anarquistas opõem-se tanto ao capitalismo quanto ao estado, da mesma forma que opõem-se a todas especie de autoridade religiosa. Mas anarquistas tambem buscam estabelecer ou realizar por varias maneiras, uma condição de anarquia, que é, uma sociedade descentralizada sem instituições coercitivas, uma sociedade organizada atraves de uma federação de associações voluntarias". ["Anthropology and Anarchism,"Anarchy: A Journal of Desire Armed, no. 45, p. 38]
A referencia à "hierarquia" neste contexto passa por um desenvolvimento -- os anarquistas "classicos" como Proudhon, Bakunin e Kropotkin não usaram essa palavra, mas raramente (eles usualmente preferiam "autoridade", que foi usada como resumo de "autoritario"). De qualquer foma, pelos seus escritos está claro que eles foram uma filosofia contra a hierarquia, contra qualquer desigualdade de poder e privilegios entre individuos. Bakunin se referia a isso quando atacou a autoridade "oficial" mas defendeu a "influencia natural" quando afirmou:
"Quer tornar impossível que alguem oprima seus companheiros? Então faça algo para que ninguem possua poder" [The Political Philosophy of Bakunin, p. 271]
Da mesma forma Jeff Draughn escreveu, "coisas como essas sempre fizeram parte latente dos 'projetos revolucionarios', apenas recentemente este conceito claro de anti-hierarquia afluiu para uma análise mais específica. Todavia, a raiz disto é plenamente visível na raiz da palavra grega 'anarquia'" [Between Anarchism and Libertarianism: Defining a New Movement]

Enfatizamos que esta oposição à hierarquia é, para anarquistas, não limitada apenas ao estado ou ao governo. Ela inclui toda economia autoritaria e relacionamento social tanto quanto politico, particularmente aqueles associados com a propriedade capitalista e trabalho assalariado. Isto pode ser visto no argumento de Proudhon de que "Capital . . . no campo político é análogo a governo . . . A idéia economica de capitalismo . . . [e] as políticas de governo ou de autoridade . . . [são] identicas . . . [e] ligadas de farias formas . . . Aquilo que o capital faz com o trabalho... o Estado [faz] com a liberdade . . ." [extraido de Max Nettlau, A Short History of Anarchism, pp. 43-44] Nesse sentido encontramos Emma Goldman opondo-se ao capitalismo inclusive por levar as pessoas a vender seu trabalho, resultando em que "a inclinação e o julgamento dos trabalhadores acabam subordinados à vontade do patrão". [Red Emma Speaks, p. 36] Quarenta anos antes Bakunin expressou o mesmo ponto de vista quando arguia que sob o corrente sistema "o trabalhadores vendem sua personalidade e sua liberdade pela doação de seu tempo" para o capitalista em troca de salario [Op. Cit., p. 187].

Deste modo "anarquia" significa mais que apenas "não governo", significa oposição a todas as formas de organização autoritaria e hierarquica. Nas palavras de Kropotkin, "à origem da concepção anarquista da sociedade . . .  a critica . . . às organizações hierárquicas e às concepções autoritarias de sociedade; e . . . à analise das tendencias que são vistas nos progressivos movimentos da humanidade." [Kropotkin's Revolutionary Pamphlets, p. 158] Dessa forma, qualquer tentativa de afirmar que anarquia é puramente anti-estado é uma falsificação da palavra e da maneira como a tem sido usada pelo movimento anarquista. Conforme argui Brian Morris, "quando alguem examina os escritos dos anarquistas classicos . . . tanto quanto o carater do movimento anarquista . . . fica claramente evidente que eles nunca tiveram uma visão limitada [de apenas ser contra o estado]. Eles sempre se opuseram a todas as formas de autoridade e exploração, e foram igualmente críticos do capitalismo e da religião quanto o foram do estado". [Op. Cit., p. 40]

E, só para frisar o óbvio, a anarquia não significa caos nem faz os anarquistas gente que quer criar o caos e a desordem. Pelo contrario, queremos criar uma sociedade baseada na liberdade individual e na cooperação voluntaria. Em outras palavras, ordem desde abaixo, não desordem imposta de cima pelas autoridades.

O que significa "anarquismo"?

Segundo Peter Kropotkin, Anarquismo é "um sistema de não governo socialista" [Kropotkin's Revolutionary Pamphlets, p. 46]. Em outras palavras, "a abolição da exploração e da opressão do homem pelo homem, que é a abolição da propriedade privada [i.e. capitalismo] e do governo". [Errico Malatesta, "Towards Anarchism," in Man!, M. Graham (Ed), p. 75]

Anarquismo, portanto, é uma teoria política que almeja criar uma sociedade que funciona sem hierarquias politicas, economicas ou sociais. Anarquistas defendem que a anarquia, a ausencia de governos, é uma forma viavel para um sistema social e que funciona maximizando a liberdade individual e da igualdade social. Eles vêem as metas de liberdade e igualdade como mutuamente auto relacionadas. Ou, no famoso dito de Bakunin:

"Estamos convencidos que liberdade sem Socialismo é privilegio e injustiça, e que Socialismo sem liberdade é escravidão e brutalidade". [The Political Philosophy of Bakunin, p. 269]
A historia da sociedade humana prova este ponto. Liberdade sem igualdade é apenas liberdade fpara o poderoso, e igualdade sem liberdade é impossivel e uma desculpa para a escravidão.

Embora existam muitos diferentes tipos de anarquismo (do anarquismo individualista ao comunismo anarquista -- veja seção A.3 para mais detalhes), sempre houve dois pontos comuns entre todos eles -- a oposição ao governo e a oposição ao capitalismo. Nas palavras do individualista anarquista Benjamin Tucker, o anarquismo insiste "na abolição do Estado e na abolição da usura; em que nunca mais haja o governo do homem pelo homem, e que nunca mais haja a exploração do homem pelo homem". [Native American Anarchism - A Study of Left-Wing American Individualism por Eunice Schuster, p. 140] Todos os anarquistas visam lucro, vantagens e renda como usuarios (i.e. como exploração) mas se opõem à forma [exploração] como essas coisas são conquistadas da mesma maneira que se opõem ao governo e ao Estado.

Em termos gerais, nas palavras de L. Susan Brown, a "ligação unificadora" no anarquismo "é a condenação universal da hierarquia e da dominação e a disposição por lutar para a liberdade da individualidade humana". [The Politics of Individualism, p. 108] Para anarquistas, uma pessoa não pode ser livre se estiverem sujeitos ao estado ou à autoridade capitalista.

Portanto o Anarquismo é uma teoria política que defende a criação da anarquia, uma sociedade baseada no máximo de "não governantes". Para conseguir isto, "em comum com todos os socialistas, os anarquistas asseguram que a propriedade privada da terra, do capital, e do maquinário já teve seu tempo; e está condenada a desaparecer: e que todos os requisitos para a produção precisam, e serão, transformados em propriedade comum da sociedade, e serão administrados em comum pelos produtores da riqueza". E... eles sustentarão que o ideal na organização política da sociedade é alcançar uma condição onde o funcionamento do governo será reduzido ao mínimo. . . [e] que o desejo final da sociedade é a redução das funções do governo ao nível zero -- que é, para uma sociedade sem governo, tambem an-archy" [Peter Kropotkin, Op. Cit., p. 46]

Portanto, o anarquismo é tanto positivo quanto negativo, por ser ao mesmo tempo uma análise e uma crítica social a uma sociedade que nega aquilo que o homem necessita. Estas necessidades, apenas para citar as básicas, são liberdade, igualdade e solidariedade, que será discutida na seção A.2.

O anarquismo une analise crítica com esperança, conforme a afirmação de Bakunin, "a ansia por criar é a ansia por destruir". Impossivel construir uma sociedade melhor sem compreender o que há de errado com a atual.

Porque o anarquismo também é chamado de socialismo libertário?

Muitos anarquistas, vendo a natureza negativa da definição de "anarquismo", tem usado outros termos para enfatizar os aspectos inerentemente positivos e construtivos de suas ideias. Os termos mais comuns usados são "socialismo com liberdade", "comunismo com liberdade" "socialismo libertario", e "comunismo libertario". Para anarquistas, socialismo libertario, comunismo libertario, e anarquismo são virtualmente identicos.

Considerando as definições do American Heritage Dictionary, encontramos:

LIBERTARIAN [LIBERTÁRIO]: aquele que acredita na liberdade da ação e do pensamento; aquele que acredita no livre arbítrio.

SOCIALISM [SOCIALISMO]: um sistema social em que os produtores possuem tanto o poder político quanto os meios de produção e os bens de partilha.

Fundindo estas duas deninições em uma::
LIBERTARIAN SOCIALISM [SOCIALISMO LIBERTÁRIO]:um sistema social que acredita na liberdade da ação e pensamento e no livre arbítrio, em que os produtores possuem tanto o poder político como os meios de produção e os bens de partilha.
(É importante destacar que nos dicionários em geral há uma lacuna de sofisticação política. Apenas usamos estas definições para mostrar que "libertario" não implica em capitalismo de "livre mercado" nem "socialismo" de propriedade do estado. Outros dicionarios, obviamente, darão outras definições -- particularmente para socialismo. Aqueles que quiserem debater as definições dos dicionarios, que sintam-se livres para fazê-lo (um hobby eterno e politicamente inutil), quanto a nós estamos fora disto).

Todavia, desde a criação do Partido Libertario [os libertarianos] nos EEUU, muitas pessoas agora consideram a ideia de "socialismo libertario" ser, em termos, uma contradição. De fato, muitos "Libertarianos" pensam que os anarquistas estão apenas tentando associar as ideias "anti-libertarias" do "socialismo" (como os Libertarianos as concebem) com a ideologia Libertaria de forma a fazer aquelas ideias "socialistas" mais "aceitaveis" -- em outras palavras, tentando roubar o rótulo "libertario" de seus legitimos donos.

Nada poderia estar tão longe da verdade. Os Anarquistas tem usado o termo "libertario" para descrever a si mesmos e suas ideias desde 1850. O anarquista revolucionario Joseph Dejacque publicou Le Libertaire, Journal du Mouvement social em New York entre 1858 e 1861 [Max Nettlau, A Short History of Anarchism, p. 75]. Conforme o historiador anarquista Max Nettlau, o uso do termo "comunismo libertario" data de novembro de 1880, quando um congresso anarquista frances o adotou [Ibid., p. 145]. O uso do termo "Libertario" por anarquistas tornou-se mais popular depois de 1890 quando foi usado na França na tentativa de desviar-se de leis anti-anarquistas e de evitar as associações negativas da palavra "anarquia" na mente do povo (Sebastien Faure e Louise Michel publicaram o jornal Le Libertaire -- O Libertario -- na França em 1895, por exemplo). Desde então, particularmente fora da America, este termo sempre foi associado com ideias e movimentos anarquistas. Tomanto um recente exemplo, nos EU os anarquistas organizaram "A Liga Libertaria" em julho de 1954, que tinha fortes principios anarco-sindicalistas e que durou até 1965. O Partido "Libertario" dos EU, por seu turno começou a existir apenas nos principios dos anos 1970, ou seja, 100 anos depois que os primeiros anarquistas usaram o termo para descrever suas ideias politicas (e 90 anos depois que a expressão "comunismo libertario" foi adotada). Foi aquele partido, não os anarquistas, que "roubaram" a palavra. Depois, na Seção B, discutiremos porque a ideia de capitalismo "libertario" (como desejava o Partido Libertario) é uma contradição em termos.

Como tambem explicaremos na Seção I, apenas um sistema socialista-libertario da propriedade pode maximizar a liberdade individual. Desnecessario dizer que a propriedade estatal -- que comumente se chama "socialismo" -- para anarquistas, nada tem a ver com socialismo. Na verdade, conforme descrito na Seção H, "socialismo" de estado é apenas uma forma de capitalismo, que não contempla qualquer conteúdo socialista.

Os anarquistas são socialistas?

Sim. Todos os ramos do anarquismo se opõem ao capitalismo. Isto porque o capitalismo baseia-se na opressão e na exploração (veja seções B e C). Anarquistas rejeitam a "noção de que os homens não podem trabalhar juntos sem que haja um senhor dirigente para tomar para si uma porcentagem do que é produzido" e pensam que em uma sociedade anarquista "os trabalhadores farão suas proprias regulamentações, decidirão quando, onde e como as coisas serão feitas". Apenas dessa forma os trabalhadores livrarão a si mesmos "da terrivel escravidão do capitalismo". [Voltairine de Cleyre, "Anarchism," pp. 30-34, Man!, M. Graham (Ed), p. 32, p. 34]

(É necessário enfatizar aqui que os anarquistas se opõem a toda e qualquer formula economica que esteja baseada na dominação e na exploração, incluindo feudalismo, "socialismo" estilo sovietico ou coisa parecida. Nos concentramos no capitalismo porque ele domina o mundo de hoje).

Individualistas como Benjamin Tucker da mesma forma que anarquistas sociais como Proudhon e Bakunin proclamaram a si mesmos "socialistas." Eles fizeram isso porque, como Kropotkin inseriu em seu clássico ensaio "Modern Science and Anarchism," "da mesma forma que o Socialismo foi incompreendido em seu vasto, generico, e verdadeiro sentido -- em seus esforços para abolir a exploração do Trabalho pelo Capital -- os Anarquistas marcharam lado a lado com os Socialistas daquele tempo". [Evolution and Environment, p. 81] Ou, nas palavras de Tucker, "a base do Socialismo [é] que o trabalho deveria ser posse de seu executor", uma exigencia em que "as duas escolas do pensamento Socialista. . . Socialismo de Estado e Anarquismo" concordam. [The Anarchist Reader, p. 144] Consequentemente a palavra "socialista" foi originalmente definida para incluir "todos aqueles que acreditam nos direitos individuais de possuir aquilo que ele ou ela produziu". [Lance Klafta, "Ayn Rand and the Perversion of Libertarianism," in Anarchy: A Journal of Desire Armed, no. 34] Esta oposição à exploração (ou usura) é compartilhada por todos os verdadeiros anarquistas e a colocam sob a bandeira socialista.

Para a maioria dos socialistas, "a única garantia de que não nos roubem os frutos de nosso trabalho é ter a posse dos instrumentos de trabalho". [Peter Kropotkin, The Conquest of Bread, p. 145] Por esta razão Proudhon, por exemplo, apoiava as cooperativas de trabalhadores, onde "cada participante na associação . . . tinha individualmente uma quota na propriedade da companhia" pela sua "participação em perdas e ganhos . . . a força coletiva [e.e. mais valia] deixava de ser uma fonte de lucros para um pequeno número de diretores: tornando-se propriedade de todos os trabalhadores". [The General Idea of the Revolution, p. 222 and p. 223] Dessa forma, em adição ao desejo de terminar com a exploração do trabalho pelo capital, os verdadeiros socialistas tambem desejam uma sociedade na qual os proprios produtores detenham e controlem os meios de produção. Os meios pelos quais os produtores farão isso é um foco de debates nos círculos anarquistas e socialistas, mas o desejo de chegar lá permanece comum. Os Anarquistas defendem o controle direto pelos trabalhadores. A posse seria controlada pelas associações de trabalhadores ou por comunas (veja seção A.3 nos diferentes tipos de anarquismo).

Alem disso, os anarquistas tambem rejeitam o capitalismo por ser tão autoritario quanto explorador.. Sob o capitalismo, os trabalhadores não governam a si mesmos durante o processo de produção nem tem controle sobre o produto de seu trabalho. Desta forma, em situações onde raramente prevalece uma base de igualdade para todos, a exploração não deixa de se fazer presente, e é a isso que se opõem os anarquistas. Esta perspectiva pode ser melhor explicada na obra de Proudhon (que inspiraram tanto Tucker como Bakunin) onde ele argui que o anarquismo significaria "a definitiva paralização da exploração por proprietários e capitalistas [e] a abolição do sistema de salarios" o fim de um sistema onde "cada trabalhador. . . é simplesmente o empregado do promotor-capitalista-proprietario; ou participante. . . No primeiro caso o trabalhador é subordinado, explorado: sua condição permanente é de obediencia. . . No segundo caso ele avilta sua dignidade enquanto homem e enquanto cidadão. . . fazendo parte de uma organização produtiva, na qual ele não passa de um escravo . . . nós precisamos sem exitar, pois não temos escolha. . . formar uma ASSOCIAÇÃO de trabalhadores. . . porque sem ela, permaneceriamos como subordinados ou superiores, e ali [na associação] se daria fim. . . aos senhores e aos trabalhadores assalariados, figuras repugnantes em uma sociedade democratica e livre". [Op. Cit., p. 233 e pp. 215-216]

Consequentemente todos os anarquistas são anti-capitalistas ("Se a riqueza produzida fosse de propriedade dos trabalhadores, o capitalismo não existiria" [Alexander Berkman, What is Communist Anarchism?, p. 37]). Benjamin Tucker, por exemplo -- o anarquista mais influenciado pelo liberalismo (conforme discutiremos depois) -- chamou suas ideias de "Socialismo Anarquista" e denunciou o capitalismo como um sistema baseado na "usura, na captação de juros, no aluguel e no lucro". Tucker assegurou que em uma sociedade anarquista, não capitalista, de livre mercado [socialista], os capitalistas se tornariam redundantes e a exploração do trabalho pelo capital cessaria, uma vez que "trabalho. . . significaria. . . seguramente seu salario natural, seu produto integral". [The Individualist Anarchists, p. 82 e p. 85] Assim, a economia seria baseada no apoio mutuo e na livre troca de produtos entre cooperados, artesãos e camponeses. Para Tucker, e para outros anarquistas Individualistas, o capitalismo não é um verdadeiro mercado livre, sendo regido por numerosas leis e monopolios que garantem que os capitalistas tenham vantagens sobre os trabalhadores, tirando vantagem pela exploração e garantindo o lucro, juros e renda (veja seção G para uma completa discussão sobre o assunto). Até mesmo Max Stirner, o arqui-egoista, considerava a sociedade capitalista tão desprezivel quanto seus "fantasmas", a propriedade privada, a competição, a divisão do trabalho, e coisas semelhantes.

Assim, os anarquistas consideram a si mesmos como socialistas, mas socialistas de um tipo específico -- socialistas libertarios. Conforme o anarquista individualista Joseph A. Labadie explicitou (repetindo tanto Tucker quanto Bakunin):

"Dizem que Anarquismo não é socialismo. Isto é um erro. Anarquismo é Socialismo voluntario. Existem duas expécies de Socialismo, arquista e anarquista, autoritario e libertario, estatal e livre. Na verdade, cada proposição para um melhoramento social é feita para aumentar ou diminuir o poder de vontades e forças externas sobre o individuo. Quando elas aumentam são arquistas; quando elas diminuem são anarquistas". [Anarchism: What It Is and What It Is Not]
Labadie declarou em muitas ocasiões que "todos os anarquistas são socialistas, mas nem todos os socialistas são anarquistas". Nessa linha, Daniel Guerin comentou que "O Anarquismo é na realidade um sinônimo de socialismo. O anarquista é primariamente um socialista cuja meta é abolir a exploração do homem pelo homem" e isto ecoa atraves da historia do movimento anarquista, seja no plano social ou individual [Anarchism, p. 12]. Na verdade, o martir Adolph Fischer do Haymarket usou exatamente as mesmas palavras que Labadie para expressar o mesmo fato -- "cada anarquista é um socialista, mas cada socialista não é necessariamente um anarquista" -- reforçando a compreensão de que o movimento está "dividido em duas facções; os comunistas anarquistas e os Proudhon ou anarquistas classe-média". [The Autobiographies of the Haymarket Martyrs, p. 81]

Dessa forma, anarquistas sociais e individualistas discordam em muitos assuntos -- por exemplo, suponhamos que um não capitalista, dissesse que o mercado livre seria a melhro maneira de maximizar a liberdade -- eles combatem o capitalismo e se opõem à exploração e à opressão e concordam que uma sociedade anarquista precisa, por definição, ser baseada na associação, não no salario, no emprego. Apenas trabalhadores associados "diminuirão o poder de vontades e forças externas sobre os individuos" durante as horas de trabalho e que a autogestão do trabalho por aqueles que o executam é a essencia do real socialismo. Esta perspectiva pode ser vista nos argumentos de  Joseph Labadie quando ele argumenta que o sindicato foi "um exemplo de conquista da liberdade pela associação" e que "sem o sindicato, o trabalhador é bem mais escravo de seu empregador do que com ele". [Different Phases of the Labour Question]

De qualquer modo, o significado das palavras mudam com o tempo. Hoje "socialismo" na maioria das vezes refere-se a socialismo de estado, um sistema que ao qual todos os anarquistas se opõem como uma negação à liberdade e aos ideais genuinos do socialismo. Todos os anarquistas concordam com a afirmação de Noam Chomsky neste assunto:

"Se por esquerda compreende-se 'Bolshevismo', então quero dissociar-me da esquerda. Lenin foi um dos maiores inimigos do socialismo". ["Anarchism, Marxism and Hope for the Future", Red and Black Revolution, no. 2]
O Anarquismo desenvolveu-se em constante oposiçao às ideias do Marxismo, social democracia e Leninismo. Muito tempo antes de Lenin subir ao poder, Mikhail Bakunin avisou aos seguidores de Marx contra a "burocracia vermelha" que instituiria "o pior de todos os governos despóticos" se as ideias socialistas estatais de Marx fossem mesmo colocadas em prática. De fato, a obra de Stirner, Proudhon e especialmete Bakunin todas elas preveram o horror do Socialismo de estado com grande precisão. Acrescente-se a isso que os anarquistas foram os primeiros e mais ardorosos criticos e opositores ao regime Bolshevik na Russia.

Não obstante, enquanto socialistas, os anarquistas compartilham de algumas ideias com alguns Marxistas (certamente com nenhum Leninista). Tanto Bakunin como Tucker aceitaram a análise e a crítica de Marx ao capitalismo tanto quanto sua teoria do trabalho e do valor (veja seção C). O proprio Marx foi profundamente influenciado pelo livro de Max Stirner The Ego and Its Own, que continha uma brilhante crítica àquilo que Marx chamou de comunismo "vulgar" que equivalia ao socialismo de estado. There have also been elementos do movimento Marxista se apropriando de visões muito semelhantes ao anarquismo social (particularmente o ramo anarco-sindicalista do anarquismo social) -- por exemplo, Anton Pannekoek, Rosa Luxembourg, Paul Mattick e outros, qye estão muito longe de Lenin. Karl Korsch e outros escreveram com simpatia acerca da revolução anarquista na Espanha. Há muita coesão entre Marx e Lenin, mas há tambem coesão entre Marx e muitos Marxistas libertarios, que teceram ásperas críticas contra Lenin e contra o Bolshevismo. As ideias de tais Marxistas libertarios se aproximam do ideal anarquista pela livre associação de iguais.

Consequentemente o anarquismo é basicamente uma forma de socialismo, que se coloca em oposição direta àquilo que usualmente se define como "socialism" (i.e. propriedade e controle estatal). Em vez de "planejamento central" que muitas pessoas associam com a palavra "socialismo", os anarquistas defendem a livre associação e cooperação entre individuos, agrupamentos de trabalhadores e comunidades, opondo-se ao socialismo de "estado" como uma forma de capitalismo de estado em que "cada homem [e mulher] será um assalariado, e o Estado o único pagador de salario". [Benjamin Tucker, The Individualist Anarchists, p. 81] Assim, a rejeição anarquista ao Marxismo (que a maioria das pessoas imagina como "socialismo") tanto quanto à "ideia do Capitalismo de Estado . . . que a fração Social-Democrata do grande Partido Socialista está agora tentando converter em Socialismo". [Peter Kropotkin, The Great French Revolution, p. 31] A objeção anarquista em se identificar com o Marxismo, "planejamento centralizado" e Socialismo/Capitalismo de Estado com socialismo será discutido na seção H.

Por causa destas diferenças como os socialistas de estado, e para reduzir a confusão, muitos anarquistas chamam a si mesmos apenas de "anarquistas", embora todos concordem que anarquistas são socialistas. Seja lá como for, com o advento dos chamados "libertarios" de direita nos EU, alguns pro-capitalistas passaram a chamar-se a si mesmos de "anarquistas". Do ponto de vista histórico e lógico, anarquismo implica em anti-capitalismo, i.e. socialismo, que é algo, frizamos, que todos os anarquistas concordam (para acompanhar uma discussão completa do porque "anarco"-capitalistas não são anarquistas veja seção F).

De onde vem o anarquismo?

De onde vem o anarquismo? A melhor coisa que podemos fazer para responder é apresentar A Plataforma Organizacional dos Comunistas Libertarios produzida pelos participantes do movimento Makhnovista na Revolução Russa (veja Seção A.5.4). Ela afirma que:
"A luta de classes surgiu pela escravidão dos trabalhadores e de sua aspiração pela liberdade, na opressão surgiu a ideia de anarquismo: a ideia da total negação de um sistema social baseado nos principios de classes e no Estado, a ser substituido por uma sociedade livre não estatista, uma sociedade de trabalhadores organizados sob a auto-gestão.

"Assim, anarquismo não se deriva de reflexões abstratas de um intelectual ou de um filósofo, o anarquismo nasce a partir da luta direta dos trabalhadores contra o capitalismo, nasce a partir do necessario e das necessidades dos trabalhadores, nasce a partir de suas aspirações por liberdade e igualdade, aspirações que tornam-se particularmente incisivas nos melhores períodos heróicos da vida e da luta das massas trabalhadoras.

"Os pensadores da resistencia anarquista, Bakunin, Kropotkin e outros, não inventaram a ideia de anarquismo, mas, o descobriram dentro das massas, simplesmente ajudaram pela força de seu pensamento e conhecimento a defini-lo e a espalha-lo". [pp. 15-16]

Como o movimento anarquista em geral, os Makhnovistas foram um movimento de massa formado por gente da classe trabalhadora resistindo às forças da autoridade, tanto Vermelhas (Comunistas) como Brancas (Tsaristas/Capitalistas) na Ukraine entre1917 e 1921. Peter Marshall relata que o "anarquismo . . . tradicionalmente tem seu carro chefe entre os trabalhadores e os camponeses." [Demanding the Impossible, p. 652]

O Anarquismo foi criado na, e pela, luta do oprimido pela liberdade. Para Kropotkin, por exemplo, "Anarquismo . . . originado nas lutas do dia a dia" e "o movimento Anarquista se renova cada vez que recebe as impressões de uma grande lição prática: ele deriva sua origem dos ensinamentos da vida em si mesma" (veja tambem seção J.5). [Evolution and Environment, p. 58 e p. 57] Para Proudhon, "a prova" de suas ideias mutualistas repousam na "prática corrente, na prática revolucionaria" das "associações de trabalhadores . . . que expontaneamente. . . se formaram em Paris e Lyon . . . organizações de credito e organizações de trabalho. . .". [No Gods, No Masters, vol. 1, pp. 59-60] Na realidade, conforme um historiador demonstra, existiam, "patentes semelhanças entre a ideia associativa de Prodhon . . . e o programa dos Mutualistas de Lyon" e que aquilo foi "uma destacada convergencia [entre as ideias], esse fato possibilitou a Proudhon uma articulação mais coerente de seu positivo programa, por causa do exemplo dos trabalhadores de Lyon. O ideal socialista que ele perseguia já estava sendo realizado, em certo gráu, por aqueles trabalhadores". [K. Steven Vincent, Piere-Joseph Proudhon and the Rise of French Republican Socialism, p. 164]

O anarquismo surge da luta pela liberdade e dos nossos desejos por alcançar uma vida completamente humana, uma vida em que tenhamos tempo para viver, para amar e para brincar. O anarquismo não foi inventado por algumas pessoas divorciadas da vida, em torres de marfim olhando de cima para a sociedade e fazendo julgamentos baseados em suas noções daquilo que é certo e errado. Pelo contrario, o anarquismo foi o produto da luta da classe trabalhadora e de sua resitencia à autoridade, à opressão e à exploração. Conforme Albert Meltzer observou, "eles nunca foram propriamente teóricos do Anarquismo, um escritor surge e escreve sobre aquilo que já foi produzido na prática pelos trabalhadores e pelos camponeses; historiadores burgueses se referem a eles como sendo líderes, e sucessivos escritores burgueses (citando historiadores burgueses) relegam a classe trabalhadora a líderes burgueses". [Anarquismo: Argumentos pró e contra, pp. 10-12] Aos olhos de Kropotkin, todos os escritores anarquistas "trabalharam fora da expressão geral dos principios [anarquistas], e das bases teoricas e cientificas de seus ensinamentos" retirando das experiencias das pessoas da classe trabalhadora em luta toda sua análise acerca das tendencias evolutivas da sociedade em gera. [Op. Cit., p. 57]

Contudo, as tendencias anarquistas e as organizações na sociedade existem bem antes de Proudhon colocar a pena no papel em 1840 e declarar-se a si mesmo um anarquista. Portanto, anarquismo, enquanto teoria política específica, nasceu com o advento do capitalismo (O Anarquismo "emergiu no fim do século dezoito. . . [e] e assumiu o dualístico desafio de destruir tanto o Capital como o Estado". [Peter Marshall, Op. Cit., p. 4]) Escritores anarquistas tem analizado a historia para tendencias libertarias. Kropotkin argumentou, por exemplo, que "eles são o tempo todo Anarquistas e Estatistas". [Op. Cit., p. 16] Em Mutual Aid (e em outros trabalhos) Kropotkin analisou os aspectos libertarios das sociedades anteriores e notou algumas implementaram com sucesso (em certo gráu) organizações anarquistas ou aspectos do anarquismo. Foi particularmente o caso dos povos indígenas, por exemplo, a maioria das tribos nativas americanas organizaram a si mesmas das mais anarquisticas maneiras.

Kropotkin reconheceu nestas tendencias um exemplo real das ideias anarquistas anteriores à criação do movimento anarquista "official" e argumentou que:

"Desde tempos remotos, a antiga idade da pedra, homens [e mulheres] tem percebido os males resultantes da delegação de alguma autoridade pessoal. . . Consequentemente eles desenvolveram em um clã primitivo, a comunidade tribal, uma associação medieval . . . e finalmente em uma cidade medieval livre, tais instituições com a autorização deles resistiu à usurpação de suas vidas e fortunas tanto por parte de estranjeiros que queriam conquistá-los, como de homens do seu próprio clã empenhados em estabelecer sua autoridade pessoal". [Kropotkin's Revolutionary Pamphlets, pp. 158-9]
Kropotkin situou a luta das pessoas da classe trabalhadora (conforme admitem os anarquistas modernos) paralelamente a estas velhas formas de organização popular. Ele argumentou que "as combinações de trabalho . . . foram resultantes da mesma resistencia popular ao crescente poder de alguns  -- a saber, os capitalistas" tanto que o clã e as comunidades nas vilas eram "estritamente livres, com atividades federadas independente das 'Seções' de Paris e de todas as grandes cidades, assim funcionavam as diminutas 'Comunas' durante a Revolução Francesa" em 1793. [Op. Cit., p. 159]

Desse modo, o anarquismo enquanto teoria política é uma expressão da luta da classe trabalhadora e de sua auto-atividade contra o capitalismo e contra o estado moderno, as ideias de anarquismo tem expressado continuamente a si mesmo em ação atraves da existencia humana. A maior parte dos povos da America do Norte e alhures, por exemplo, praticou anarquismo por centenas de anos antes do anarquismo existir enquanto teoria política específica. De forma semelhante, tendencias anarquistas e organizações tem existido em todas as grandes revoluções -- the New England Town Meetings durante a Revolução Americana, a Parisian 'Sections' durante a Revolução Francesa, os conselhos de trabalhadores e comites de fábrica durante a Revolução Russa só para dar alguns exemplos (veja o livro de Murray Bookchin The Third Revolution para mais detalhes). É de se esperar que o anarquismo seja, conforme argumentamos, um produto da resistencia à autoridade, pois qualquer sociedade com autoridades provocarão resistencia a elas e darão origem a tendencias anarquistas (e, naturalmente, qualquer sociedade sem autoridade não pode ajudar se não for anarquista).

Em outras palavras, anarquismo é uma expressão de luta contra a opressão e a exploração, uma generalização das experiencias do povo trabalhador e uma análise daquilo que está errado com o corrente sistema e uma expressão de nossas esperanças e sonhos de um futuro melhor. Esta luta existiu antes e foi chamada anarquismo, mas o movimento anarquista histórico (i.e. grupos de pessoas que deram a suas idéias o nome de anarquismo e anelando por uma sociedade anarquista) é essencialmente um produto da luta da classe trabalhadora contra o capitalismo e o estado, contra a opressão e a exploração, e por uma sociedade livre e de individuos iguais.