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Sistema de Comunas e Cooperativas

2 de Julho de 2013, 21:00 , por Bráulio Bhavamitra - 1Um comentário | 1 pessoa seguindo este artigo.
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Licenciado sob CC (by-nc-sa)

Do livro Democracia Econômica, página 125, autor P. R. Sarkar
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Capítulo 15

BENEFÍCIOS DAS COOPERATIVAS

Como vocês sabem, a sociedade humana é una e indivisível. Um ser humano não pode viver sozinho. SE uma pessoa quiser beber água de um poço, ela necessitará de corda, balde e roldana. Para todas essas coisas, a ajuda dos outros é indispensável.

Na sociedade, os seres humanos têm de trabalhar em conjunto, de modo que todos possam avançar coletivamente. Samánam ejati iti samájah significa “Sociedade é o movimento coletivo de um grupo de indivíduos que tomaram a decisão unânime de seguir em direção a uma meta comum”. Seria melhor para o bem-estar da sociedade se os seres humanos se movessem juntos em todos os aspectos da vida, exceto naqueles poucos aspectos muito pessoais. Apenas aquelas coisas que não podem ser feitas coletivamente deveriam ser realizadas individualmente.

Então, seria melhor se as pessoas trabalhassem sempre juntas, o máximo possível - quanto mais os seres humanos trabalharem juntos, melhor será. Se este princípio não for seguido, o espírito da sociedade se enfraquecerá, e isto afetará adversamente a própria existência dos seres humanos. As pessoas têm de se alimentar individualmente - outra pessoa não pode fazer a refeição você -, entretanto, a refeição pode ser compartilhada coletivamente. Se a individualidade predominar na vida humana, o ambiente, o bem-estar de diferentes grupos e mesmo a continuidade da existência humana poderão ser afetados adversamente.

Cooperação coordenada

“Operação” significa “conseguir que algo seja feito por qualquer instrumento ou meio”. Suponhamos que você esteja operando uma máquina. Se esse tipo de operação for feito em um esforço coletivo, isto se chamará “cooperação”. Quado se trata de fazer algo com base na cooperação, deve haver direitos iguais, mesmo prestígio e mesmo locus standi.

Em todos os aspectos da vida coletiva deve haver cooperação entre os membros da sociedade. Quando há essa cooperação entre os seres humanos livres, com direito iguais e respeito mútuo, e cada um trabalhando para o bem-estar do outro, chama-se a isto de “cooperação coordenada”. Quando as pessoas fazem algo de forma individual ou coletiva, mas se mantêm sob a supervisão de outros, chama-se a isto de “cooperação subordinada”. Em todo e qualquer plano da vida, nós devemos fazer tudo com base na cooperação coordenada e sempre evitar a cooperação subordinada.

No mundo atual, existem diferentes sistemas socioeconômicos, mas nenhum desses sistemas está baseado na cooperação coordenada. Ao contrário, nesses sistemas as relações sociais estão baseadas na cooperação subordinada, resultando na degeneração da estrutura moral da sociedade. Por exemplo, em alguns países há extrema desigualdade racial e não há nenhuma cooperação coordenada entre diferentes diferentes grupos étnicos. Essa falta de equilíbrio e equivalência [pramá - ver Capítulo 6] na vida social está causando o desmoronamento de toda a estrutura da sociedade.

Nos países que adotam o sistema de comunas também falta cooperação coordenada. No sistema de comunas a sociedade é reduzida a um mero mecanismo de produção-distribuição, sob um rigoroso sistema de controle. Ao invés de aumentar a produção, o sistema de comunas provoca a queda da produção. A consequência pode ser observada em quase todos os países comunistas: escassez de gêneros alimentícios. Países capitalistas, como a Austrália, o Canadá e os EUA vendem sua produção de grãos para China e a [ex] União Soviética. Além disso, os trabalhadores de uma comuna não se sentem integrados ao seu trabalho nem têm a liberdade de expressar todo o seu potencial. Um sistema sufocante e mecânico como esse fomenta a visão materialista e produz lideranças ateístas.

No sistema de comunas a propriedade individual não é admitida. Se não há um sentimento de propriedade individual, as pessoas não trabalham com empenho nem zelam por qualquer propriedade. Quando os produtores rurais se sentem com o direito permanente aos benefícios da terra, eles conseguem uma melhor produção. Tal sentimento é suprimido nos sistema de comunas, resultando em produção morosa e opressão psíquica. Pessoas inteligentes são forçadas a desempenhar funções incompatíveis com a sua capacidade e são remuneradas com o mesmo salário dos trabalhadores comuns. Não há um sistema de incentivo nem as pessoas capacitadas se sentem estimuladas. Por conseguinte, elas não trabalham com dedicação. Tal sistema jamais solucionará os problemas econômicos da sociedade, seja na agricultura, seja na indústria. Pelo contrário, somente agravará os problemas existentes e criará novos problemas sociais. Os mecanismos de produção e distribuição do sistema de comunas são fundamentalmente falhos, exploradores e anti-humanos.

O sistema de comunas baseia-se em cooperação subordinada - as relações são de supervisor e supervisionado, ou de senhor e servente. Tais relacionamentos são prejudiciais ao progresso humano e retardam qualquer possibilidade de movimento progressista. Eles são contrários às aspirações da mente humana.

PROUT apóia a implementação do sistema cooperativo porque o seu propósito intrínseco é a cooperação coordenada. Somente o sistema cooperativo pode assegurar o progresso saudável e integrado da Humanidade e estabelecer uma completa e duradoura unidade para a raça humana. As pessoas devem trabalhar para colher os melhores frutos, estabelecendo o sistema cooperativo. PROUT proclama os slogans: “Queremos cooperativas, e não comunas” e “Não somos escravos das comunas”.


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