Não é muito atualizado.... um dia serei mais assíduo nessa história de blog... idéias não faltam!


Participe: Referendo Mundial sobre o Câmbio Climático lançado por Evo Morales!!

21 de Fevereiro de 2010, por Daniel Tygel - Sem comentários ainda

Amigas e amigos,

O governo da Bolívia lançou em Copenhagen a proposta de um Referendo Mundial sobre Mudança Climática e a idéia foi efetivamente lançada! Na página de internet do Ministério de Relações Exteriores da Bolívia, qualquer cidadã ou cidadão do planeta pode manifestar sua posição quanto a 5 perguntas sobre a Mudança Climática:

  1. Você está de acordo em reestabelecer a harmonia, reconhecendo os direitos da Mãe Terra?
  2. Você está de acordo em mudar este padrão de consumo em excesso e desperdício que é o sistema capitalista?
  3. Você está de acordo que os países desenvolvidos reduzam e reabsorvam suas emissões de gases de efeito estufa em seus próprios países para que a temperatura não suba mais que 1 grau centígrado?
  4. Você está de acordo em transferir tudo o que se gasta nas guerras para um orçamento de combate à mudança climática que seja superior ao orçamento utilizado para defesa?
  5. Você está de acordo com um Tribunal de Justiça Climática para julgar os que destróem a Mãe Terra?


Como disse Evo Morales, durante a Cúpula de Copenhagen ao anunciar a proposta: "Já que temos divergências profundas entre presidentes, consultemos o povo e façamos o que ele nos disser".

Faça parte deste referendo! Que seja o primeiro de muitos, em escala mundial!

A página é a seguinte:
http://portalmre.rree.gov.bo/cumbre/Referendum.aspx



Avatar e uma possibilidade de "contato" com a sociedade

7 de Fevereiro de 2010, por Daniel Tygel - Um comentário

Iniciei este ano (por volta do dia 5 de janeiro) modificando o rodapé do meu e-mail:

Gostou do filme AVATAR? então não financie os mesmos que invadiram Pandora: evite comprar de corporações e grandes empresas e busque alternativas na Economia Solidária, Agroecologia, produção local/artesanal e transporte coletivo/bicicleta!

Tem gente dizendo que estou ganhando uma comissão de Hollywood para fazer propaganda do filme. É uma boa hipótese, mas acho que este filme não precisa mais de propagandas: é considerado o maior recorde de bilheteria da história do cinema.

E foi justamente este fato que me chamou atenção: como pode um filme em que Gaia vence a tecnologia, em que os humanos são representados pela aliança entre exército e uma corporação multinacional, em que humanos são expulsos pelos alienígenas, e em que a beleza está na natureza e toda a tecnologia é vista de forma pesada, cheia de fumaça, barulhos e truculência. Enfim, como pode um filme deste tipo bater um recorde de audiência deste nível?

Todo mundo diz que é por causa dos efeitos especiais em 3D. Tenho minhas dúvidas. Sei de vários filmes que romperam limites trazendo novos efeitos tecnológicos mas não deram tanto boom de audiência, não neste nível. Ou seja, isso explica certamente boa parte do sucesso do filme, mas ainda tenho a esperança de que haja um "algo mais" também.

Mas independentemente das razões do sucesso do filme, o que interessa é que é um filme que será visto por muita muita muita gente (graças à pirataria, viva!), e que contém elementos que abrem portas para um diálogo direto com a sociedade. Esta foi a motivação de meu rodapé de e-mail, para quem estava curioso: aproveitar o fato deste filme ser conhecido e associar os que estavam invadindo pandora com o atual modelo de desenvolvimento de produção e organização da economia. Pode também ser um espaço para promovermos o debate sobre o consumo e incentivar o boicote às grandes empresas nacionais e corporações multinacionais...



Fórum Social de Economia Solidária

15 de Janeiro de 2010, por Daniel Tygel - Sem comentários ainda

1º Foro Mundial y 1ª Feria Mundial de Economía Solidaria
Santa Maria, Canoas y Grande Porto Alegre – RS – Brasil
De 22 a 29 de enero de 2010
Santa Maria/RS/Brasil, 26 de octubre de 2009.
Estimados Compañeros de la Economía Solidaria!
“MUCHA GENTE PEQUEÑA, EN MUCHOS LUGARES PEQUEÑOS, HACIENDO COSAS PEQUEÑAS, CAMBIARÁN LA FACE DE LA TIERRA”.
(Proverbio Africano)
Es con mucha alegría y renovado entusiasmo que enviamos el material para las inscripciones a los compañeros de la Economía Solidaria, de los Foros, Emprendimientos Solidarios, Cooperativas, Asociaciones y Entidades asociadas  que apoyana los grandes Eventos Mundiales, que marcarán la caminada histórica de los 10 años del FSM (Foro Social Mundial).
10 Años del Foro Social Mundial – FSM
1º Foro Social de Economía Solidaria – ECOSOL
1ª Feria Mundial de Economía Solidaria – ECOSOL
Días: 22 a 24 de enero de 2010
Santa Maria – RS – Brasil
Días: 25 a 29 de enero de 2010, en la Región Metropolitana de Porto Alegre – RS – Brasil, habrá Eventos importantes para marcar los 10 años del FSM (Foro Social Mundial), distribuidos en varias ciudades de la región de la grande Porto Alegre – RS – Brasil y en 14 regiones del mundo entero.
La finalidad de estas informaciones es encaminarles la Ficha de Inscripción para la 1ª Feria Mundial de Economía Solidaria – ECOSOL y agilizar las inscripciones. El 1º Foro Social de Economía Solidaria tendrá dentro de algunos días sus orientaciones e inscripciones liberadas en su sitio web propio, que está en fase de organización, cuya dirección ya está en anexo.
La 1ª Feria Mundial de Economía Solidaria es un gran espacio construido colectivamente, a través de Comisiones, de los Emprendimientos Solidarios y Entidades asociadas de forma participativa, interactiva y autogestionaría, por eso el proceso de cambio se da de distintas maneras: a través del dialogo entre los grupos y con el publico en general, por medio de lo compartir de las experiencias vividas y construidas colectivamente y los importantes espacios de Formación e interacción entre los participantes.



Despedida de dpadua

21 de Novembro de 2009, por Daniel Tygel - Sem comentários ainda

Querido daniel,

que a passagem tenha sido leve. O mundo sentirá tua falta. Falta de tuas idéias, disponibilidade, capacidade de sonhar e concretizar, construir, articular, unir. Uma filosofia da criatividade, inter-comunicação, xemelê, software livre, cultura livre, meta-reciclagem.

ontem o mundo teve uma perda precoce, de um ser bonito, que acreditava na transformação e na vida.

adeus, daniel pádua. aprendi muito contigo no pouco que convivemos.

e continuamos na luta, não vamos te deixar na mão!

daniel



Gambiarra - criatividade tática

16 de Outubro de 2009, por Daniel Tygel - Sem comentários ainda

Reproduzo abaixo texto muito bom de FF e Hernani Dimantas.

O texto encontra-se originalmente aqui: http://desvio.weblab.tk/blog/gambiarra-criatividade-t%C3%A1tica

Por Felipe Fonseca e Hernani Dimantas

A gambiarra aparece como a arte de fazer. A re-existência do faça-você-mesmo. Sem todo o ferramental, sem os argumentos apropriados, mas com o conhecimento acumulado pelas gerações. Fazer para modificar o mundo. Um contraponto ao empreendedor selvagem. Fazer para transformar aquilo que era inútil num movimento ascendente de criatividade. A inovação está presente no DNA pós-moderno, no pós-humano. Numa vida gasosa. Abrimos aqui parênteses para fazer uma crítica ao Bauman com suas diversas modernidades líquidas. O líquido se acomoda ao recipiente. Seja um copo, um vaso ou apenas a terra contra a qual o oceano se deixa existir. O gasoso flui no espaço, no tempo e no ser em existência. Não só líquida ou gasosa, a pós-modernidade é a multiplicidade de estados que se misturam, na confluência da Ipiranga com a São João, na co-existência de todos os níveis de desenvolvimento econômico e tecnológico. Uma gambiarra que remixa, modifica, transforma e se mistura. Traço comum da inventividade cotidiana, do improviso, da descoberta espontânea, da transformação de realidades a partir da multiplicidade de usos. O mais trivial dos objetos, lotado de usos potenciais: na solução de problemas, no ornamento improvisado, na reinvenção pura e simples. O potencial de desvio e reinterpretação em cada uso. A inovação tática, acontecendo no dia a dia, em toda parte.

Gambiarra é um termo em português que no dicionário denota uma extensão elétrica, mas ali no mundo real adotou (naturalmente?) outro significado ao qual só podemos tentar aproximações: improviso, solução temporária, bricolage, desconstrução, precariedade. É tida como consequência de uma sociedade ainda não totalmente amadurecida: como não temos as estruturas apropriadas, as ferramentas adequadas, os profissionais especializados (ou o dinheiro para contratá-los), a gente improvisa. Desloca a finalidade desse e desse objeto, soluciona as coisas por algum tempo, e assim vai levando.


Mas a gambiarra é muito mais do que isso. O ideal de sociedade hiper-especializada, com conhecimento compartimentado, guardado em gavetinhas e vendido em embalagens brilhantes, já deu sinais de esgotamento. A aceleração da aceleração do crescimento econômico já começou a vacilar (e nem vamos falar em crise, ok?). O modelo de desenvolvimento do século XX não fechou a conta: os países ricos não conseguiram integrar as populações de imigrantes, criaram uma sensação de estabilidade e prosperidade totalmente ilusória, transformaram toda produção cultural e toda solução de problemas em comércio. Em nome do pleno emprego e de uma sociedade totalmente funcional, as pessoas comuns perderam uma habilidade essencial: a de identificar problemas, analisar os recursos disponíveis e com eles criar soluções. Em vez de usar a criatividade para resolver problemas, as pessoas pegam o telefone e o cartão de crédito. Todos vítimas da lógica do SAC!


Esse movimento embute a semente de sua própria reação. O faça-você-mesmo é a sequela dele. As novas gerações assumem a necessidade de ação. Não dá para ficar com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar. Há que se fazer a diferença. Mesmo nos países ricos e nos centros urbanos brasileiros, a repressão ao impulso inventivo cotidiano causa uma insatisfação que acaba sendo canalizada para atividades criativas. Inventores e inventoras em potencial buscam reconhecimento e troca em seus pares, e a gambiarra renasce. A entrada das novas tecnologias nos tem aberto alguns espaços. As pessoas estão cada vez mais construindo atalhos para a participação em rede. Grupos de afinidade se encontrando para organizar hacklabs, iniciativas faça-você-mesmo, software livre, robótica de baixo custo, hardware aberto e experimentos de diversas naturezas. Nesse sentido, a gambiarra, nosso traço tão brasileiro da gambiarra, não é atraso ou inadequação, mas sim um aviso e um apelo ao mundo: desenvolvam essa habilidade essencial, e a sensibilidade que ela exige em relação a objetos e usos. Não se alienem de sua criatividade! Não acreditem nas estruturas do mundo ocidental que querem transformar a criatividade (as "indústrias criativas" e todas as suas falácias) em nada mais que um setor da economia, restrito e regulamentado. Criatividade não se trata de submissão individual ao mercado "criativo" que tudo transforma em produto, mas do estímulo à capacidade de invenção em todas as áreas.


A gambiarra ainda não virou produto. Precisamos resistir a isso. Nosso espírito antropofágico facilita, mas as tentação de uma sociedade plenamente consumista estão sempre na esquina (ali na frente do shopping center, pra ser exato). Curiosamente, não é a precarização das pontas que faz do mundo globalizado uma ameaça para a gambiarra. O perigo é justamente o outro lado: traz o espectro de um tipo burro de desenvolvimento para os quase-desenvolvidos. Não podemos acreditar demais no sonho civilizado de uma sociedade em que toda aplicação de conhecimento vira consumo, porque isso destrói o potencial de criação nas pontas que vai ser cada vez mais importante.


Da mesma forma, é também fundamental questionar o uso de um referencial da gambiarra como mero instrumento de renovação estética, sem tratar desse aspecto importante de entender a criatividade como processo distribuído e transformador. Fica no ar a pergunta de Aracy Amaral citada em artigo de Juliana Monachesi questionando a chamada "estética da gambiarra" na mostra Rumos Artes Visuais 2005-2006 – Paradoxos Brasil: "Seria uma circunstância necessária com que os artistas brasileiros se deparam para produzir ou trabalhar com o descarte tornou-se um maneirismo?”. A gambiarra não pode ser mero ornamento formal para ocupar galerias - para desenvolver toda sua potência precisa ser legitimada, perder a aura de atraso e envolver cada vez mais gente na perspectiva de criatividade tática. Essas são as bases da Gambiologia. Não pretendemos um elogio da precariedade, do que é abaixo do ideal, daquilo que está aquém. Não, estamos atuando e construindo um mundo em que toda condição é vista como abundância. Com o espectro da invenção latente no dia a dia, qualquer problema é pequeno. Basta exercitar o olhar.