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Conheça o FESDFE

4 de Julho de 2016, 20:35 , por Marcelo Inácio de Sousa - 0sem comentários ainda | Ninguém está seguindo este artigo ainda.
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O QUE É

O Fórum de Economia Solidária do Distrito Federal e Entorno (FESDFE), fundado em 29 de maio de 2003 e vinculado ao Fórum Brasileiro de Economia Solidária (FBES), é um espaço permanente de representação, diálogo, articulação, discussão, proposição, formação, troca de saberes e fomento ao desenvolvimento da Economia Solidária no Distrito Federal e Entorno. Congrega empreendimentos econômicos solidários (EES), gestores públicos (GP) e entidades de assessoria e fomento (EAF), além de outros movimentos e pessoas comprometidos/as com os objetivos do Fórum Brasileiro de Economia Solidária (FBES) e com princípios e valores da Economia Solidária (ES).

O FESDFE tem como objetivo geral o fortalecimento do Movimento de Economia Solidária, difundindo seus princípios e práticas, representando-o frente à sociedade e aos poderes públicos e articulado-o no DF e Entorno. Outros objetivos específicos definem ainda melhor os princípios e eixos de trabalho do FESDFE:

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL SOLIDÁRIO
  • Promover estratégias de desenvolvimento através de planos, programas, projetos e ações voltados para o fortalecimento da ES;
  • Apoiar a formação de cooperativas, associações e empreendimentos autogestionários;
  • Fomentar redes de produção, distribuição, comercialização, consumo e compras coletivas;
  • Buscar o fortalecimento da política pública e influenciar a formulação, aprovação e execução da legislação distrital e municipal de ES;
  • Fomentar diálogo, intercâmbio e articulação com outros movimentos sociais;
  • Estimular a criação de espaços permanentes de comercialização de produtos e serviços da ES;
  • Promover a realização de feiras locais, regionais e distritais e participar dos programas de feiras da ES.
FORMAÇÃO
  • Promover a formação humana, social, econômica, educacional, técnica, ética, cultural, de valores, princípios e política dos EES, seus gestores e integrantes;
  • Educar para a solidariedade e cooperação na produção, comercialização e consumo justos, éticos e solidários;
  • Estimular a capacitação de gestores públicos com atuação em ES;
  • Participar do Coletivo do Centro de Formação em Economia Solidária do DF e Entorno.
FINANCIAMENTO
  • Identificar fontes de financiamento e divulgá-las;
  • Incentivar a criação, desenvolvimento e permanência de fundos de ES;
  • Articular com agentes públicos e financeiros o acesso ao crédito e apoiar a criação de bancos comunitários de desenvolvimento (BCD), fundos rotativos solidários (FRS) e cooperativas de crédito solidário;
  • Incentivar a participação da sociedade nas ações do FESDFE;
  • Propor e acompanhar a criação de legislações distritais e municipais de incentivo e fomento à ES.
O valor central da Economia Solidária é o trabalho, o saber e a criatividade humanos e não o capital/dinheiro e a sua propriedade, sob quaisquer de suas formas. A Economia Solidária representa práticas fundadas em relações de colaboração solidária, inspiradas por valores culturais que colocam o ser humano como sujeito e finalidade da atividade econômica, em vez da acumulação privada de riqueza em geral e de capital em particular.

COMO FUNCIONA O FÓRUM

O FESDFE adota algumas estratégias para sua organização. Quem participa do Fórum, encontra-se em Plenárias e Reuniões para dar encaminhamentos às ações, dentro dos objetivos e princípios norteadores. São nestes momentos que são definidos o seu Plano de Ação e as ações prioritárias, a partir das necessidades levantadas e da avaliação das ações já realizadas.

Mas o cotidiano do FESDFE acontece nos seus Grupos de Trabalho (GTs) e Comissões, criadas sempre que necessário para a execução de suas deliberações. Na última Plenária Ordinária, realizada em julho/2016, foram constituídos os GTs de Finanças Solidárias, Formação, Comercialização e Juventude, além do grupo que está discutindo a constituição do Centro Público de Economia Solidária do DF.

Também é prática do Fórum firmar parcerias para atender os objetivos e demandas do Movimento. É papel da Coordenação assegurar a articulação, acompanhamento e continuidades destas parcerias.

A Coordenação do FESDFE é composta por 20 entidades membro, respeitando a proporção de 60% de Empreendimentos Econômicos Solidários; 20% de Entidades de Assessoria e Fomento; e 20% de representantes dos Gestores Públicos. A coordenação para o biênio 2016/2018 foi eleita em julho/2016. As entidades integrantes e seus representantes estão listados na aba COORDENAÇÃO.

Dão suporte à Coordenação do FESDFE as secretarias executiva, administrativa e financeira:

SECRETARIA EXECUTIVA
Marcelo Inácio de Sousa
EES: Aldeia Mundo

SECRETARIA ADMINISTRATIVA
Deuzani Noleto
EES: Banco Comunitário de Desenvolvimento da Estrutural

SECRETARIA FINANCEIRA
Sérgio Nascimento
EES: Grupo Atitude

As pessoas que respondem pelas secretarias também integram a Coordenação do FESDFE.

NOSSA HISTÓRIA

Uma das grandes manifestações contra a globalização neoliberal foi o movimento global de contestação denominado Fórum Social Mundial, que reuniu países do mundo inteiro em busca de emancipação social. Este fenômeno, político e social, introduziu na sua agenda o desenvolvimento democrático e sustentável e, na sua terceira plenária (em 2003), o tema da Economia Solidária passou a fazer parte dos debates. A Economia Solidária é uma forma de produzir, distribuir e consumir de forma diferente, tendo o ser humano como sua prioridade.

Neste mesmo ano, na III Plenária Nacional de Economia Solidária, são criadas a Secretaria Nacional de Economia Solidária (SENAES) no Ministério de Trabalho e Emprego (MTE) e o Fórum Brasileiro de Economia Solidária (FBES), com representantes nos estados. No Distrito Federal, o Fórum de Economia Solidária foi criado (maio/2003), com a capacitação de seus delegados sobre o movimento de Economia Solidária, ainda pouco conhecido no DF e Entorno. A proposta seria fortalecer os empreendimentos locais e regionais.

O Fórum de Economia Solidária do DF e Entorno teve como objetivo, desde sua criação, o reconhecimento de uma outra economia e sociedade. Seu propósito era tornar-se um instrumento legítimo de fortalecimento de diretrizes para políticas públicas, voltadas para a valorização do trabalho e da cidadania. No seu início o Fórum se organizou em Grupos de Trabalho (GTs) - na época, nos GTs de Comunicação; Educação; Produção, comercialização e consumo; e Organização Socal. Hoje, após a Plenária de julho/2016, o FESDFE se organiza com os seguintes GTs:
  • de Finanças Solidárias;
  • de Formação;
  • de Comercialização;
  • de Juventude; e
  • do Centro Público de Economia Solidária (este criado com o propósito de propor diretrizes para a parceria entre poder público e Fórum na criação do CPES).

Fazem parte de cada GT empreendimentos, gestores públicos e entidades de assessoria e fomento, com propostas e desafios para a implementação da Economia Solidária. Neste espaço, "desenvolvimento" envolve a criação das condições para que cada pessoa possa expressar suas capacidades, possibilidades, fazeres, saberes e sentidos. Isto exige que os processos levem em conta a solidariedade, a confiança, a autogestão, a coletividade, o respeito, a credibilidade, a dignidade e a responsabilidade.

Esta proposta de desenvolvimento implica valorizar a cooperação ao invés da competição; desenvolvimento da inteligência coletiva ao invés do individualismo; implica respeito à vida. São instrumentos e condições como estas que estão mostrando para o conjunto da sociedade que a Economia Solidária é o caminho para um outro mundo possível.

CONQUISTAS E DESAFIOS

Ao longo de 13 anos de Movimento de Economia Solidária no Distrito Federal e no Entorno alguns avanços e retrocessos marcaram a história do Fórum. A cada ano, planos de trabalho foram sendo construídos, feiras, formações, assistência técnica, acesso a crédito a partir de fundos solidários e bancos comunitários foram conquistas sendo gradativamente implementadas.

Mas a compreensão sobre a complexidade do campo da Economia Solidária ultrapassava as ações concretas e seguia para o debate mais profundo da política. E em 2010, enquanto debatíamos nacionalmente a permanência da Secretaria Nacional de Economia Solidária (Senaes/MTE) e repudiávamos a transferência dela para o Ministério da Micro e Pequena Empresa, o Governo do Distrito federal (GDF) - contrariando o que a sociedade civil apontava - apostou que poderia dar certo este casamento de políticas tão diferentes: Economia Solidária com micro e pequenas empresas.

O resultado foi o surgimento de uma política tímida, com pouco investimento do GDF na Economia Solidária, com pouca ou quase nenhuma participação da sociedade civil, sem levar em consideração os planos de trabalho que o Fórum já vinha desenvolvendo. À luz dos princípios da Economia Solidária, as micro e pequenas empresas representa uma continuidade da economia capitalista e do trabalho alienado.

A relação de diálogo com a gestão pública, ainda que bastante abalada, gerou condições necessárias para a criação da Lei nº 4899, de 08/08/2012, que instituiu a Política de Fomento à Economia Solidária no DF. Mas por conta das idas e vindas, ainda estamos buscando instituir o Conselho Distrital de Economia Solidária e temos o desafio de articular entre si os projetos financiados com recurso público.

As experiências mostram que os melhores resultado são obtidos onde existe vontade política e espaço de diálogo com a sociedade civil. Este caminho tem apontado para a conquista do Centro Público de Economia Solidária do DF; para a efetivação de um Circuito Ecosol DF, com programação de feiras durante todo o ano; e para a reaproximação da Economia Solidária com setores que demandam inclusão produtiva pelo trabalho, com solidariedade e autonomia. Este movimento não pulsa só no coração dos pobres: Economia Solidária não é apenas uma economia para pessoas pobres. É para todas as pessoas que têm vontade de viver numa sociedade melhor, para todas que se sentem indignadas com a pobreza, a violência, a exclusão social. São bem vindos e bem vindas à Economia Solidária todos e todas aquelas que querem uma sociedade melhor.

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