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Biodiversidade no Prato

30 de Outubro de 2014, 17:20 , por Guandu - Rede de consumo - 0sem comentários ainda | Ninguém está seguindo este artigo ainda.
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A Rede Guandu faz parte de uma Rede de grupos de consumo pelo Brasil, através de um projeto orquestrado pelo Instituto Kairós − Ética e Atuação Responsável. O Instituto Terra Mater, ONG que apoia a Rede Guandu desde sua criação, foi contratada como Base de Serviço em Consumo Responsável. No quadro deste projeto, realizamos no mês de outubro 2014 duas oficinas com o tema “Biodiversidade no prato”. Este nome foi escolhido a fim  de provocar o seguinte questionamento:

“Você sabe da onde vêm seu alimento?”

Esta pergunta é uma ótima forma de começarmos a refletir sobre todo o percurso que nosso alimento – seja ele fresco ou industrializado – percorreu até chegar ao nosso prato. Sabendo os atores envolvidos, começamos também a perceber que tipo de impactos socioambientais nossas escolhas têm sobre outras pessoas, lugares, ambientes.

Cartaz de divulgação

 

Na primeira oficina de Biodiversidade no Prato, utilizamos algumas das chamadas PANC (Plantas Alternativas Não Convencionais).
As PANC são plantas de uso culinário ou medicinal que não são conhecidas pela maioria das pessoas no seu dia-a-dia. Vale observar que essas plantas não são conhecidas muitas vezes, por nós, moradores da cidade, pois estamos distantes das tradições do campo. Podemos até ver um capim santo por aí e saber o que é, graças uma memória de infância, bem longínqua…

ora-pro-nóbis da flor branca

 No geral, as PANC são plantas rústicas, ou seja, são menos sensíveis à falta ou excesso d’água, solos ruins ou ainda ataques de insetos. Para a primeira oficina-degustação, preparamos um escondidinho de taioba, pão de queijo de ora-pro-nobis, uma salada de ora-pro-nobis  e chá gelado de vinagreira.

 

A ora-pro-nobis, é conhecida como “bife dos pobres” por ser uma planta com alto teor de proteína. É uma das PANC que suporta muitos dias de seca e sol intenso, sendo uma ótima opção de salada para o verão, substituindo a alface. Ela é um pouco suculenta e apresenta uma crocância que estimula o paladar, podendo ficar até 8 dias na geladeira sem murchar. Algumas pessoas sentem um certo amargor, mas observamos que, se o cabinho da folha for retirado essa sensação não ocorre.

 

A taioba, uma planta com porte pré-histórico dado o tamanho de suas folhas, é muito utilizada na culinária mineira. Seu sabor lembra o espinafre, com uma diferença no preparo. Sempre deve-se pré-cozinhar as folhas da taioba, seja em água fervente seja refogando. Ao comer um pequeno pedaço da folha crua, você irá perceber uma coceira intensa na garganta. Essa sensação se deve aos sais de oxalato de cálcio presentes na folha e nas nervuras, que recomenda-se retirar. Após a fervura ou cozimento não há mais problema e você pode se aventurar em diferentes receitas. Podemos ver nas feiras livres de Minas Gerais que a taioba aparece nas bancas assim como as outras hortaliças de uso comum, como a chicória por exemplo.
A folha da taioba pode ser confundida com aquela do Inhame. Observe no desenho abaixo que o ponto de inserção do caule na folha da taioba é exatamente ao final das duas linhas que fecham o desenho de “coração” ou o “V” na folha. No inhame o “V” não é tão bem definido e o ponto de inserção do caule é no meio da folha.

 

diferença entre a folha da taioba e do inhame

folha da taioba comestível

Segue um vídeo explicando como diferenciar a taioba mansa, da taioba brava, que não é comestível:

https://www.youtube.com/watch?v=S_b5BfHcpvE

Com a flor da vinageira fizemos o chá. E com suas folhas é possível também fazer o cuxá, um molho típico do Maranhão que usa outros ingredientes típicos da culinária indígena como o camarão seco farinha de mandioca.

flor da vinagreira Hibiscus sabdariffa

folha da vinagreira

Os consumidores provaram e aprovaram todas as receitas. Tente você também! Pergunte na feira se é possível conseguir, algum vizinho às vezes até pode ter uma ora-pro-nobis como cerca viva (é muito comum) e não saber que é comestível, olhe os jardins por aí, pegue uma mudinha!
Mas atenção para não pegar a planta errada, seja prudente na hora de experimentar não mastigue grandes quantidades e sempre dê uma pesquisada na internet, preferencialmente em sites de botânica.

Uma dica é este livro, de lançamento recente pelo autor Valdely Kinupp, referência nacional no assunto PANC, compilou várias plantas e receitas num só livro. O autor também fez sua tese de doutorado sobre o tema, cujo título é Plantas alimentícias não-convencionais da região metropolitana de Porto Alegre, RS, pode ser encontrar o pdf aqui .


Fonte: http://terramater.org.br/guandu/?p=1212

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