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Quem somos | O projeto

7 de Maio de 2015, 13:13 , por Lirca - 1Um comentário | Ninguém está seguindo este artigo ainda.
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"Uilikandé [termo usado para designar o chefe na língua Nambiquara] parece querer dizer “aquele que une” ou “aquele que ata em  conjunto”. Esta etimologia sugere que o espírito indígena está consciente desse fenômeno que já sublinhei, isto é, que o chefe aparece como causa do desejo do grupo de  se constituir como grupo e não como efeito da necessidade de uma autoridade central, sentida por um grupo já constituído." (Claude Lévi-Strauss. Tristes trópicos)

Uilikandé: projeto que aparece como causa do desejo do grupo de se constituir como grupo, não como efeito da necessidade de uma autoridade central.

___QUEM SOMOS__________________

-O Cido Cardoso é um dos pioneiros da agroecologia em Ubatuba; produtor orgânico desde 1993, já trabalhou na Secretaria da Agricultura de Ubatuba e, por esse trabalho, é lembrado pelos produtores orgânicos do município como o melhor parceiro na luta pela agroecologia (pois oferecia cursos e palestras gratuitos, acompanhamento no processo de transição de agricultura convencional para agroecológica, inúmeras visitas de campo, fornecimento de mudas, etc.).

Atualmente, além de ser agricultor orgânico na Chácara Terra Preta (bairro do Araribá, Ubatuba), também desenvolve trabalho de campo em pesquisas voltadas à agroecologia.

2016 cido 700px

 

-A Dona Cida, cuja roça fica no bairro da Folha Seca, decidiu deixar a produção convencional para começar a produzir orgânicos no 2008, animada pelo Cido. Recebeu a Lirca ("urbanoide em transição", que chegava em Ubatuba cheia de ideias malucas de formar redes, impulsar a autonomia dos produtores para poderem viver na roça e da roça...) com os braços abertos desde o primeiro dia, sem preconceitos e sempre aconselhando e repassando as energias necessárias para trabalhar na roça.

 

 

-O Pedrinho e a Edna têm a roça no centro de Ubatuba (perto do posto Kamomê que fica na BR, mas do outro lado da pista). Até 2002, produzíam verduras no sistema convencional (com agrotóxicos), e as comercializavam no CEASA, em SP. Como a grande maioria de agricultores que trabalharam com este mercado atacadista, viveram a experiência de ter um grande movimento de dinheiro todo mês: muito entrava, muito saía (adubos, pesticidas, transporte), mas no fim das contas, pouco ficava! Finalmente, desde faz uns 15 anos, depois de uma intoxicação com agrotóxicos que levou o Pedrinho pro hospital, converteram seu sistema de produção pro sistema agroecológico; atualmente também contam com a ajuda de sua filha Mônica, sobretudo nas questões logísticas.
Além de serem um dos núcleos parceiros-produtores que alimentam as cestas do Uilikandé, também entregam na Merenda Escolar (PNAE), na Rede Agroecológica Caiçara, num outro projeto de cestas e fazem feira nas quartas (frente à Fundart) e nos sábados (na praça BIP).

Pedrinho e edna perto 2000px Pedrinho e edna roça 2000px

 

-A Lirca, de Barcelona, desde 2008 trabalha em projetos autogestionários na Catalunha. Desde 2013 mora no Brasil, impulsando projetos relacionados com agroecologia, autogestão e economia alternativa: colaborando voluntariamente durante o primeiro ano da Rede Agroecológica Caiçara de Ubatuba; idealizando e escrevendo um projeto aprovado pela Petrobras para o Instituto da Árvore (trabalho também voluntário), na FairCoop... Trabalha para construir o Coletivo Uilikandé desde que chegou no Brasil, tentando impulsar uma rede de projetos autogestionários em Ubatuba, querendo demonstrar que dá para viver bem do trabalho na roça agroecológica, se trabalhamos sob um esquema cooperativo de base.

Vilanova de meia (tomaqueres) 512px

 

Em julho de 2015, começaram a formar parte do Uilikandé (com menor implicação, mas sendo igualmente importantes no projeto) a Vivian Kadry e o Danilo Cernicchiaro. Eles vinham na roça uma vez por semana, sempre que podiam, a ajudar e aprender com o Cido, a colocar boas energias para que seguíssemos funcionando...

A Vivian é permacultora, formada em biologia, estava cursando mestrado em Agroecologia e Desenvolvimento Rural e sua tese envolveu os agricultores agroecológicos de Ubatuba. Desde 2007, estuda as diferentes formas de agricultura ecológica, sempre aplicando seus princípios em pequenos espaços, como hortas agroecológicas no próprio quintal ou em espaços comunitários; atualmente mora e trabalha com agroecologia em Botucatu.

O Danilo, se apresenta como "Danilo Cernicchiaro, formado em Gestão Ambiental ESALQ-USP, extrativista de fazenda abandonada de cacau agroecológico, apoio a reforma agrária. Sou adepto da agroecologia afim de boicotar as multinacionais do agronegócio e valorizar o consumo e produção local de orgânicos." Atualmente trabalha com o Alcides no Camburi, Ubatuba.

 

___O PROJETO, NOSSA HISTÓRIA__________________

em 2014, começamos trabalhar a Cida, o Cido, o Lilo e a Lirca juntos: comercializando cestas de verduras (producidas sem agrotóxicos nem produtos químicos de síntese) em São Paulo. Durante esse primeiro ano, levávamos uma contabilidade separada: o Cido e a Cida recebiam íntegramente o valor dos produtos vendidos (e só eles trabalhavam no dia a dia da roça) e o valor cobrado dos consumidores em cada cesta pela gestão, o transporte e distribuição, ficava para quem fazia o trabalho de comercialização e distribuição (a Lirca e o Lilo).

Em março de 2015, depois que o Cido perdeu a cessão de uso da terra que trabalhou nos últimos anos, e numa tentativa de demonstrar que podemos viver bem na roça (e da roça) se trabalharmos sob um esquema cooperativo de base, mudamos o esquema de trabalho: o Cido, que tem grande experiência e conhecimentos de produção agroecológica, era o coordenador dos trabalhos na roça; a Lirca ficava com a responsabilidade de coordenar a comercialização e distribuição. Os dois trabalhávamos no projeto sob um esquema cooperativo: os 2 trabalhávamos na roça, no transporte e no que for necessário em cada área, considerando o projeto como um todo (projeto = produção na Chácara Terra Preta no Araribá + comercialização e distribuição + aprender e divulgar conhecimentos) e repartíamos os benefícios também equitativamente (em partes iguais). Foi nessa época que às vezes recebíamos ajuda de parceiros como a Vivian e o Danilo, ou outros visitantes que entravam em contato querendo aprender agroecologia na prática (valeu a todas e todos os que passaram por alí!)

A Cida continuou sendo uma importante parceira: oferecendo seus produtos orgânicos nas cestas que entregávamos semanalmente, seguindo o mesmo esquema que no 2014, mas também doando um 10% do valor dos produtos que ela comercializava a través do projeto Uilikandé, para ajudar a fortalecer o projeto (para fazer material de divulgação, imprimir materiais de comunicação interna, facilitar nossa participação em encontros agroecológicos, organizar mutirões, entre outras).

Em 2016, depois que a Cida decidisse ceder uma parte da área dela no bairro da Folha Seca para o Cido e a Lirca, decidimos mudar de novo o esquema de trabalho: o Cido seguiu trabalhando na roça do Araribá e a Lirca começou de novo na roça da Folha Seca, dessa vez, com a Vivian e um casal de amigos dela que queriam vir morar em Ubatuba: a Julia e o Gabriel. Foi um ano bem intenso, de muitos aprendizados. Na roça da Folha Seca, não conseguimos nos organizar assembleariamente de um jeito que atendesse as necessidades pessoais e do projeto; tínhamos objetivos diferentes e a dedicação era muito diversa; por isso, acabamos decidindo entregar a roça que a Cida tinha nos cedido. Aquele ano, quase acabou com o Uilikandé.

Mas não conseguimos abandonar assim esse sonho e em 2017, decidimos mudar de novo os esquemas: acreditando que vai dar certo sim, depois de todo o carinho, trabalho e esforços dedicados até agora, o Cido e a Cida seguem respectivamente nas suas roças do Araribá e da Folha Seca, entram o Pedrinho e a Edna como novos produtores parceiros guerreiros da agroecologia, e a Lirca (que saiu da roça e buscou um emprego paralelo para poder seguir com o projeto) segue só com a parte computadorística da historia (contato com produtores e consumidores, logística, desenvolvimento do projeto amplo, etc.).

 

___O PROJETO, COMO TRABALHAMOS__________________

Os parceiros que vêm aprender nos ajudando na roça, são essenciais para que o Uilikandé siga funcionando (se quiser colar algum/ns dia/s, é só marcar!) assim como todas as pessoas que nos apoiam consumindo conscientemente nossas cestas (sem vocês, sem seu compromisso e apoio, nosso projeto não teria sentido!) e os grandes parceiros da rede de Pontos de Recolhida.

Através desse projeto de produção e distribuição de cestas de verduras, dentro do guarda-chuvas da rede de projetos autogestionários do Uilikandé, queremos demonstrar a hipótese de que se pode viver bem na roça, dedicando-se à agricultura agroecológica.

Não somos um ponto de vendas, não nos especializamos na comercialização de produtos eco-legais. Para nós, o importante são as pessoas que queremos formar parte desse projeto, que entre outras necessidades queremos trabalhar para que todas tenhamos (para começar), nossas necessidades materiais cobertas. Trabalhando em cooperação (não competindo) vamos formando a rede Uilikandé (devagar, não temos pressa; não temos que mostrar números para ninguém), uma rede de confiança e apoio mutuo, uma rede de pessoas que gostamos de fazer o trabalho bem feito, e que nos alegramos ao ver o sucesso dos outros parceiros da equipe.

Gostaríamos que a nossa prática contribua para impulsionar a agroecologia em Ubatuba: incentivando e facilitando para que cada vez mais produtores convencionais se convertam à agricultura orgânica (trabalhando em rede) e para que cada vez mais pessoas jovens contemplem ou voltem a considerar esta opção (a de ser produtores agroecolôgicos) como opção de vida/trabalho digna e mais gratificante que as opções oferecidas nas cidades, no contexto de crise sistêmica global: contatem a gente, contem com nosso apoio! ([email protected])

Demonstrar que se pode viver bem fora da cidade e obter uma renda digna sem recorrer à elitização dos produtos orgânicos, mas sim disponibilizando os produtos a um preço justo para que possam ser consumidos por um amplo número de pessoas (e não só pelas que podem pagar preços mais altos).

Plantar nossa semente (oferecendo informações, organizando mutirões, visitas de campo e oficinas, organizando feiras de trocas, criando e dinamizando bancos de sementes) para que as consumidoras e consumidores sejamos cada vez mais conscientes da importância que têm nossos atos de consumo: atos políticos (apartidários) capazes de interferir no sistema plutocrático, sistema baseado e sustentado pelo consumismo predatório atual.

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