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Suspensa a entrega de alimentos do dia 25 de maio

25 de Maio de 2018, 11:03 , por Consumo Consciente ABC - 0sem comentários ainda | Ninguém está seguindo este artigo ainda.
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Nessa semana, referente a 24 e 25 de maio de 2018, não haverá distribuição de alimentos para associação e compra coletiva devido à “Greve dos Caminhoneiros”.
Durante a semana recebemos notícias de que o caminhão da Ecoterra, cooperativa de produção ligada a Rede Ecovida, estava preso em um bloqueio de caminhoneiros em uma das estradas que liga o sul ao sudeste. Ficamos apreensivos e nossa companheira da Ecovida disse que o caminhão poderia chegar até quinta-feira ao meio dia. Mandamos os comunicados para associados e consumidores prorrogando o prazo para pedido até quinta às 18hs.

Durante a semana, a equipe gestora estava na Aldeia Puri, sítio de produção localizado na zona rural do município de Piracaia, SP, com um parceiro realizando uma série de trabalhos, era quinta-feira e iríamos levá-lo para a cidade para tomar o ônibus de volta para o ABC, foi então que encontramos um vizinho que nos informou sobre a falta de combustíveis nos postos da região. Foi um baque que só se tornou óbvio no momento que soubemos sobre a falta dos combustíveis, ou seja, se a greve dos caminhoneiros está no nível nacional e o caminhão da Ecoterra está preso, logo existem vários caminhões transportando combustíveis parados também. Assim, ficamos impossibilitados de operar nosso sistema logístico para fazer as entregas.


Expressar alguma opinião sobre o que está acontecendo seria muito precipitado, pois não temos dados ou informações dos bastidores dessa “greve”, porém alguns assuntos mais gerais podem ser elencados para um debate mais amplo:

- a matriz energética para movimentação de mercadorias;
- a política de preços dos combustíveis da Petrobrás;
- quem afinal comanda o Brasil?

Olhando para história do Brasil, vemos um país entregue aos interesses estrangeiros, os donos das terras brasileiras mudaram a frota de trens para a frota de caminhões atendendo aos interesses ansiosos das multinacionais e dos governantes da época que necessitavam manter o poder através do populismo. Trens são movidos com combustível fóssil, mas também podem ser movidos a energia elétrica. Caminhões são movidos exclusivamente a óleo diesel. Hoje, qualquer movimentação de mercadoria é feita na maior parte por transporte rodoviário, segundo dados da CNT (Confederação Nacional dos Transportes) 61,1% do transporte das mercadorias e transporte dos passageiros é feito pelas rodovias enquanto 20,7% por transporte ferroviário. Vendo esses dados, concluímos que somos totalmente dependentes do óleo diesel.

A nova política de preços de combustíveis da Petrobrás está sendo ruim para nossa logística, pois nunca sabemos ao certo como estarão os preços, portanto temos sempre um trabalho a mais para gerir esses dados que servem de base para garantir o preço justo dos alimentos e apresentado com transparêcia. Alguns fatos precisam ser pontuados em relação a isso no intuito de conscientizar. No começo de maio de 2018, a Petrobrás divulgou o seu balanço trimestral, em um ano registrou um crescimento de 56% com lucro líquido de quase sete bilhões de reais. Segundo a Petrobrás, a razão para o lucro está no atrelamento do preço do barril do petróleo brasileiro ao preço internacional, segundo as séries de dados da OilPrice.com, o preço do petróleo internacional só cresce, com certa variação pra cima ou pra baixo, mas só cresce. Com isso os reajustes dos derivados de petróleo (combustíveis) se tornaram diários, sendo que a venda de gasolina e óleo diesel diminuiu, mas os preços aumentaram 30% nesse ano, e nessa onda os executivos da petroleira conseguiram esse lucro considerável. Desde 2014, os acionistas da Petrobrás não recebem dividendos devido aos “prejuízos” e agora, hoje inclusive, 25 de maio de 2018, os acionistas estarão recebendo em torno de 652 milhões de reais de dividendos ou 5 centavos por ação.

Neste cenário, avaliamos que o conflito deve se cercar entre rentistas versus transportadores, sendo que os rentistas querem seus dividendos em caráter de urgência dos anos de “prejuízo” que o governo passado deixou em função dos investimentos feitos para explorar o Pré-Sal e os transportadores não querem pagar pelos aumentos abusivos para sustentar rentista. Resta-nos analisar que se trata de um locaute, quando o empregador suspende suas atividades e impede o trabalhador de trabalhar. Essa guerra neoliberal, onde o estado é coadjuvante, está nos afetando e expõe o quanto nossa economia é vulnerável e insustentável.


Fonte: http://consumoconscienteabc.blogspot.com/2018/05/suspensa-entrega-de-alimentos-do-dia-25.html

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