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Poliamor: uma forma nada egoísta de amar

7 de Agosto de 2012, 21:00 , por Fernanda Nagem - 0sem comentários ainda | Ninguém está seguindo este artigo ainda.
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No atual contexto social, a conjugabilidade vem sofrendo transformações notórias, sendo possível observar várias formas de arranjos conjugais que vão dos mais tradicionais aos mais modernos. O casamento deixa de ser concebido como uma condição natural, não sendo mais para toda a vida, passando a relação entre os cônjuges a durar enquanto houver satisfação suficiente, podendo tal relação ser rompida a qualquer momento por um deles. Homens e mulheres se confrontam com duas forças paradoxais, que abrangem os ideais individualistas e a necessidade de vivenciar a realidade comum de um casal. Neste sentido, percebe-se que o ideal igualitário predominante na sociedade contemporânea promoveu transformações importantes nos modelos de casal, que se constroem, desconstroem e reconstroem, emergindo daí novas formas de manifestação da conjugabilidade, como o casamento homossexual, a coabitação e união estável, a relação virtual e o poliamor.

O poliamor tem despertado polêmica, sobretudo em razão de seus adeptos consideram ser possível amar e ser amado por mais de uma pessoa ao mesmo tempo, com o consentimento e conhecimento de todos os envolvidos. Este tipo de relacionamento desafia os elementos do amor romântico que pauta a sociedade ocidental, cujo paradigma central das relações amorosas apóia-se na idéia de considerar que o casal se relacione entre si apenas e unicamente com uma pessoa.

Considerando a relevância do tema a ser estudado, e o grande impacto que o mesmo exerce nas relações amorosas, o núcleo de pesquisas Bases Normativa do Comportamento Social (BNCS) do departamento de psicologia da Universidade Federal da Paraíba vem desenvolvendo estudos com o fim de conhecer em que medida os valores, as atitudes frente ao poliamor, o amor e o ciúme explicam a intenção favorável ou desfavorável da pessoa se envolver em um relacionamento poliamoroso.

Apesar de não se verificar, no meio acadêmico, muitos estudos trabalhando com a temática do poliamor, algumas pesquisadores, em especial os americanos, tem se empenhado a realizar pesquisas nessa área. Wolfe (2003) ao pesquisar sobre o ciúme a as relações poliamorosas os resultados demonstraram que mais de 70% dos homens relataram que fato deles se encontrarem envolvidos em uma relação poliamorosa resultou no aumento da auto-estima; enquanto mais de 90% alegaram que está em uma relação poliamorosa havia contribuído para a obtenção de uma melhor perspectiva tanto em si mesmos como de seus parceiros.No Brasil, especificamente no campo da Psicologia, existe a carência de pesquisas empíricas sobre as variáveis associadas ao poliamor, como também nenhuma medida foi encontrada para avaliar o construto. Nessa direção, este estudo visa conhecer os valores e atitudes favoráveis e desfavoráveis ao poliamor, e também identificar os tipos de amor e o nível de ciúme associado com as atitudes frente ao poliamor. Além de contribuições oferecidas no campo da pesquisa científica, pode-se ainda destacar possíveis implicações deste estudo em âmbitos práticos. Por exemplo, no campo da Psicologia Clínica, onde o tema dos relacionamentos íntimos se constitui um problema recorrente, surgindo no processo psicoterapêutico tanto de indivíduos como casais.

Por Sandra Freire


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