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Cidades do DF terão moedas sociais que servirão de substitutas do real

30 de Outubro de 2011, 22:00 , por NESOL USP - 0sem comentários ainda | Ninguém está seguindo este artigo ainda.
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Cristiane Bonfanti, enviada especial

Publicação: 23/10/2011 16:00 Atualização: 23/10/2011 16:46

O pedreiro José Antônio Barbosa recebe parte do salário em veredas, que usa nos supermercados e nas farmácias do município de Chapada Gaúcha (Daniel Ferreira/CB/D.A.Press)  
O pedreiro José Antônio Barbosa recebe parte do salário em veredas, que usa nos supermercados e nas farmácias do município de Chapada Gaúcha


Chapada Gaúcha (MG)
 — O Distrito Federal está prestes a ter suas moedas sociais. Já existe um projeto em andamento para implantar o meio alternativo de pagamento nas cidades Estrutural e São Sebastião. Elas terão um banco comunitário no ano que vem. Afonso Magalhães, subsecretário de Economia Solidária do DF, adianta que o orçamento de 2012, que ainda será votado pela Câmara Legislativa, prevê R$ 750 mil para o projeto-piloto nessas localidades. Há outros R$ 500 mil para apoio a empreendimentos eco- nômicos solidários e R$ 500 mil para a implantação do Centro Público de Economia Solidária.

O dinheiro poderá ser utilizado para custear treinamentos, montar a estrutura dos bancos e comprar equipamentos, entre outras prioridades. “Mas esse é um trabalho que exige tempo de maturação. Nesse caso, essas duas cidades já têm o nosso apoio”, afirma Magalhães. A iniciativa conta com o apoio da Cooperativa de Trabalho e Produção das Pessoas Unidas de São Sebastião (Cooperunião). Na avaliação de Zilmar Pereira de Sousa, presidente da entidade, a implementação da moeda social vai ajudar no desenvolvimento dos grupos de economia solidária. “Temos negócios que serão beneficiados. Muitos são voltados ao artesanato, à culinária e à capacitação de pessoal para a geração de renda”, observa. 

A cidade de Chapada Gaúcha comprova que o modelo só traz benefícios para a população. Proprietária de um supermercado no local, Rosana Cristina Magalhães Gobira, 33 anos, vê com empolgação a expansão das substitutas do real em sua cidade e no país. Do total de suas vendas diárias, 30% são em veredas, nome dado à moeda local. “Evitamos que a população leve nossas economias para outras cidades, pois a moeda só é aceita aqui. Recebo, dou troco, pago contas e empregados com as veredas”, conta. No início, o pedreiro José Antônio Barbosa, 31 anos, estranhou receber salário em outra moeda. Mas logo se adaptou. “Achei as notas muito simples. Parte do meu salário é em veredas e faço compras como as de supermercado e de medicamentos com elas”, relata.

A abertura dos bancos comunitários também tem o respaldo do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que incluiu as moedas sociais nas políticas públicas do país em 2005, quando foi criada a Secretaria Nacional de Economia Solidária. “Até agora, o governo federal investiu R$ 15 milhões no apoio a essas iniciativas”, afirma Antônio Haroldo Pinheiro Mendonça, coordenador-geral do Comércio Justo e Solidário do Departamento de Fomento à Economia Solidário (Defes) da secretaria. 

A comerciante Rosana Cristina Magalhães Gobira: 30% das vendas são feitas por meio da moeda alternativa  
A comerciante Rosana Cristina Magalhães Gobira: 30% das vendas são feitas por meio da moeda alternativa

A seu ver, no Distrito Federal, a abertura dos bancos comunitários vai impulsionar o desenvolvimento nas regiões mais distantes do Plano Piloto. Ele destaca que uma das vantagens da iniciativa é o fato de os bancos funcionarem como correspondentes bancários. Atualmente, em todo o país, eles têm parcerias com instituições como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. “Estamos falando de localidades empobrecidas e de pessoas que não tinham acesso a serviços financeiros”, diz.

Financiamento
Além de pagar contas, a comunidade pode realizar empréstimos pessoais ou empresariais nos bancos comunitários, com recursos das próprias instituições. Os juros variam de 1% a 3% ao mês. No mercado, essas taxas vão de 2,5% a 5%. No caso do cheque especial, elas alcançam a marca dos 12%. Os empréstimos são feitos com base em pesquisas com referências pessoais. Nem mesmo a inclusão do nome em cadastros negativos, como o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), restringe os empréstimos. Na Chapada Gaúcha, por exemplo, é preciso ser morador do município, preencher um questionário e apresentar referências pessoais. Os valores são repassados apenas na moeda local.


Categorias

Crédito e finanças, Desenvolvimento territorial, Finanças Solidárias, Minas Gerais
Tags deste artigo: bancos comunitários finanças solidárias moeda social

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