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Primeiro ministro do Butão fala sobre o FIB e suas consequências nas políticas públicas

31 de Agosto de 2012, 21:00 , por Daniel Tygel - 0sem comentários ainda | Ninguém está seguindo este artigo ainda.
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Discurso do Primeiro Ministro do Butão, Sr. Jigmi Thinley

Abertura da 5a Conferência Internacional sobre FIB (Felicidade Interna Bruta), Foz de Iguaçu, Brasil, 20 de novembro 2009

Fonte: http://www.visaofuturo.org.br/pdfs2/Discurso_...pdf

Eu e a minha delegação estamos deveras encantados de estarmos aqui em Itaipu, às margens dos imponentes rios Paraná e Iguaçu, com suas inspiradoras Cataratas do Iguaçu. É uma honra e uma questão de profunda satisfação para o Governo Real, para o povo butanês e para mim, que a 5a Conferência Internacional sobre FIB – Felicidade Interna Bruta, esteja acontecendo pela 1a vez na América do Sul, neste vasto e grandioso país, o Brasil.

Esse nosso encontro aqui é um testemunho do crescimento da idéia do FIB enquanto um movimento internacional muito além dos limites de uma única nação. A presença de vocês aqui é um indicativo da sua devoção em prol de um melhor modo de viver, em direção a tornar este planeta um lar mais seguro, mais sustentável e feliz, tanto para a humanidade quanto para as demais espécies que não têm voz, mas cujo destino é moldado pelas nossas ações.

Para começar, gostaria de agradecer à Itaipu Binacional por sediar esta conferência, e ao governo brasileiro por facilitá-la. Gostaria também de expressar minha gratidão em particular a três pessoas, pelo seu entusiasmo e árduo trabalho, através dos quais elas foram capazes de frutificar essa importante conferência internacional.

Em primeiro lugar eu gostaria de agradecer a Dra. Susan Andrews, fundadora e coordenadora do Parque Ecológico Visão Futuro. Ela assumiu a enorme responsabilidade de organizar a conferência há um ano atrás, durante a 4a Conferência Internacional sobre FIB, realizada no Butão. A realização da atual conferência é atribuível à sua desenvoltura, comprometimento, e, sem dúvida, à sua convicção de que o FIB é benéfico para toda a humanidade. O incrível trabalho que ela está fazendo neste país para promover o FIB, em vez de meramente falar a respeito, merece a nossa sincera admiração.

Em segundo lugar, sou muito grato ao Dr. Nelton Friedrich, Diretor brasileiro para Meio Ambiente e Sustentabilidade da Itaipu Binacional, pelo seu irrestrito apoio, e por promover inspiração para a conferência. E também ao Dr. Jorge Miguel Samek, Diretor Geral Brasileiro para a Itaipu Binacional, que merece os nossos sinceros agradecimentos pelo seu generoso apoio ao sediar a conferência.

Gostaria de também expressar minha gratidão ao Ministério de Relações Exteriores do Brasil, à Prefeitura de Foz do Iguaçu, e à Itaipu Binacional. Todos nós do Butão estamos nos sentido muito honrados pela generosa hospitalidade.

Evolução do conceito e prática do FIB

Como alguns de vocês talvez não estejam familiarizados com a evolução do FIB, deixem-me começar com um breve pano de fundo.

A jornada do Butão no caminho do FIB foi desfraldada nos início dos anos 1970, com um simples pronunciamento feito por Sua Majestade o Quarto Rei do Butão. Ele declarou que ‘Felicidade Interna Bruta é mais importante do que o Produto Interno Bruto (PIB)’.

Ao assim fazer, o Rei questionou a validade da prevalente crença de que somente o PIB pudesse ser uma métrica de progresso da sociedade. Ele argumentou que o bem- estar geral do seu povo era muito mais importante do que o crescimento econômico (que vem a ser a única atividade medida pelo PIB). O bem-estar, estava convencido o Rei, deve ser enxergado como uma função da felicidade das pessoas.

O Rei manteve a convicção de que era sua responsabilidade, e do seu governo, de criar as condições que possibilitassem às pessoas buscarem e aumentarem sua felicidade. Isso, asseverou ele, poderia ser alcançado através de uma abordagem holística de desenvolvimento, através da qual as necessidades do corpo físico e da mente fossem equilibradas, onde as necessidades de um são complementares às necessidades da outra, contrariamente ao foco no crescimento do PIB, que veio às custas do empobrecimento espiritual e mental.

Foi um questionamento refrescantemente, corajoso e profundo, ainda mais porque veio da mente de um adolescente. A pertinência desta sua questão ainda está por ser vista na experiência de desenvolvimento das últimas quatro décadas. Muito da emergente prosperidade fracassou na provisão de satisfação com a vida e com o bem-estar subjetivo, especialmente no industrializado e rico hemisfério norte, onde, de fato, o nível de felicidade estagnou-se.

O real alinhamento do roteiro para desenvolvimento holístico e sustentável no meu país foi executado metodicamente, sob a clara luz do FIB, através do reinado do Quarto Rei. Isso foi feito principalmente através da formulação de leis e políticas públicas para esse fim. Acreditando na primazia da deliberação pública, do diálogo público e da opinião pública na definição de qualquer meta nacional. Sua Majestade assegurou-se de que o FIB ganhasse apoio e a sensação de propriedade pública consensual, não tanto pela persuasão, mas por causar introspecção.

Tais crenças e práticas guiaram logicamente o rei e o povo para que o país se estabelecesse num deliberado caminho à democracia, com uma aspiração por uma mais elevada meta de cidadania iluminada. O que se seguiu foi a abdicação do trono por Sua majestade o Rei, aos 51 anos de idade, para que se abrisse o caminho à completa democratização do Butão. Trabalhando em parceria com o seu sucessor, ambos deram ao país uma Monarquia Constitucional Democrática, que se estabeleceu em 2008.

Desse modo, a democracia butanesa brotou do ventre do FIB. Sua majestade o 5o Rei, Jigme Khesar Namgyel Wangchuck, que ascendeu ao Trono em 2006, proveu ainda mais estímulo ao FIB. E além disso, a nossa Constituição descreve o estado e o governo como tendo que ser guiados pela filosofia do FIB. Logo, o desenvolvimento do conceito de FIB andou de mãos dadas com a prática do FIB com políticas e programas.

É simplesmente natural, portanto, que o primeiro governo democraticamente eleito, que eu lidero, tenha chegado ao poder através de um manifesto político através do qual o meu partido se comprometeu a prosseguir no caminho do FIB.

Mais recentemente aumentamos as nossas tentativas de transformar e desenvolver instituições de modo que estas sejam estruturalmente alinhadas com a aplicação dos conceitos do FIB na formulação de políticas, desenho e implementação de programas. Como sabemos, este não é o modo normal dos governos se estruturarem ou funcionarem.

Eles normalmente ecoam o paradigma do desenvolvimento condicionado pelo PIB, através do qual a prática é de se ter ministérios correspondentes a setores tais como agricultura, comércio, indústria, fazenda etc. , que mantém suas próprias contabilidades em separado.

A busca do FIB pela sociedade precisa ser refletida na estrutura organizacional do seu governo. Isso implica na criação de ministérios ou departamentos que correspondam àquelas funções ou domínios que promovam ou criem condições facilitadoras para o FIB.

Estas deveriam tipicamente incluir tais agências como ministérios para o bem-estar psicológico, vitalidade comunitária, resiliência cultural e integridade ecológica, etc. Se isso fosse para se tornar realidade num país, então é concebível que outros líderes e seus cidadãos irão se mobilizar para seguir o mesmo caminho, do mesmo modo que as organizações que lidam com temas ambientais surgiram rapidamente nos últimos 20 anos. Essencialmente, minha proposta é de que forma e substância precisam caminhar juntas.

Sem substância, a forma, no caso as organizações, acabará morrendo por falta de propósito e irrelevância, do mesmo modo que uma idéia que não tenha forma para o seu avanço irá simplesmente se dissipar. Similarmente, quando não há uma relação entre uma organização e o conceito do FIB, provavelmente em algum estágio ambos irão operar divergentemente, e o processo se tornará contra producente.

Estou feliz por informar que novas estruturas e processos de tomada de decisão que refletem os objetivos do FIB continuam a evoluir no Butão. A agência de planejamento sócio-econômico do país, conhecida anteriormente por Comissão de Planejamento, foi renomeada para Comissão de FIB, e seu papel foi substancialmente alterado para que planos estratégicos sejam alinhados visando apoiar e atingir valores FIB.

Cada política, programa ou projeto precisa ter agora algum valor FIB. Na pior das hipóteses precisa ser “FIB-Neutro”, ou seja, não prejudicar o FIB. Para este fim, ferramentas de triagem estão sendo testadas para assegurar que valores ótimos de FIB possam ser incorporados e concretizados por meio de desenhos de projetos, ao mesmo tempo em que sejam removidos elementos que sejam opostos ao FIB.

A maneira do FIB ser internalizado pela política, e o modo como deve ser implementado, dependem significativamente de governos que devem ser hábeis no direcionamento dos seus recursos em prol de metas mais elevadas, primordialmente por causar uma mudança para cima na consciência coletiva. Isso então irá, no meu modo de ver, possibilitar que as pessoas moldem a natureza da nossa economia política, dos nossos fundamentos legais, dos nossos sistemas de saúde e educação de tal forma que os tornarão distintamente diferentes do jeito que foram ao longo do tempo.

O conceito de Felicidade no âmago do FIB é a Felicidade Coletiva, que por sua vez tem diversas características. Ao longo dos séculos, a felicidade tem sido relegada à esfera privada, enquanto que a provisão de diversos outros bens e serviços de natureza pública foi trazida para o foco do domínio público.

Todavia, como no conceito de justiça, a felicidade é um bem público, mesmo que experienciada subjetivamente. Enquanto que a felicidade é influenciada por uma estrutura de referência, e, neste sentido, é parcialmente relativa às experiências da pessoa no que tange aos outros ou ao passado, é também, mais importantemente, relacional em caráter.

A felicidade é, de fato, mais relacional do que relativa, porque a qualidade e a profundidade do relacionamento com os outros influencia a nossa felicidade muito mais do que a possessão de uma mercadoria. Alguém pode ser mais rico do que o seu vizinho, mas, além de um mero prazer fugaz, essa pessoa volta à “infelicidade” quando se compara a alguém que é ainda mais rico do que ela, e por aí vai. Sucesso relativo não leva à genuína felicidade. A verdadeira felicidade que surge de uma mais profunda sensação de satisfação tem um alcance além do limiar de prazer gerado pela possessão de mercadorias.

Uma vez que a felicidade tem tanto mais a ver com relacionamentos do que com vantagens relativas sobre outras pessoas em termos monetários, status social, ou possessões materiais, a criação ou o melhoramento das condições que promovem relacionamentos merece muito mais tempo e recursos do que estivemos preparados para dar.

As pessoas são mais felizes quando estão cercadas por outras que compartilham da sua alegria. Similarmente, as dores dos infortúnios são muito mais difíceis de suportar quando se sofre e se chora solitariamente. A solidão e a separação amplificam a tristeza, e são frequentemente as causas que levam as pessoas ao desespero e ao suicídio. A felicidade por sua vez emerge quando os relacionamentos são seguros e vicejantes.

Ela se dissipa em relacionamentos que sofrem a erosão da confiança, do afeto e do cuidado. Relacionamentos podem ser condicionados pelo ambiente físico mesmo quando são na sua maioria criação e produtos do caráter de um indivíduo, da sua personalidade, do seu comportamento e competências sociais. Desfrutar de relacionamentos resilientes e duradouros, e criar organizações e ambientes que façam florescer tais relacionamentos positivos, é um desafio crucial e uma responsabilidade do estado que aspira elevar o bem- estar do seu povo. Nesse sentido, estou convencido que os relacionamentos prosperam melhor no meio rural, onde a interdependência é um modo de vida, e onde se viver em harmonia com a natureza é uma compulsão.

É desconcertante se dar conta de que a migração do meio rural aos centros urbanos seja uma tendência universalmente irreversível. No último século, o mundo se tornou mais urbano do que jamais foi, com mais de 50% da população mundial vivendo em áreas urbanas. À medida que as nossas redes sociais se transformam de pequenos assentamentos rurais para um estilo de vida mais urbano, existe um óbvio deslocamento e uma fragmentação da vida social e comunitária – bem como dos valores que sustentam a vitalidade comunitária.

O crescimento urbano não é inevitável. A urbanização ou a migração da zona rural para a urbana, em particular, é uma fuga que é compelida pelo fracasso dos estados no planejamento e na obtenção de um desenvolvimento equilibrado e equânime. Essa migração se torna atraente quando as populações rurais se sentem privadas e frustradas pela falta de oportunidades, quando testemunham óbvias disparidades, e caem nas garras das ilusões de uma vida melhor e mais excitante nas cidades.

A saída para isso é através da “localização” (ênfase na localidade) da produção e na planejada redução da expansão urbana, particularmente quando esta for evitável. Mas isso é mais fácil falar do que fazer. É nas cidades e nas suas periferias onde todas as formas de atividades econômicas acontecem, é onde as pessoas gostam de fazer os seus “agitos e buchichos”, porque isso faz sentido econômico. Mas reluzentes arranha- céus de aço e vidro – ícones de façanhas de engenharia e símbolos de prosperidade - ocultam em suas sombras uma história que não é assim tão radiante. Desilusões, desespero, crimes e favelas de miséria são freqüentemente a realidade entre um número desproporcionalmente alto de habitantes.

As profundas pegadas carbônicas e o horror ecológico que são discerníveis ao olhar mais atento são os resultados de uma concentração populacional e de um consumismo que viceja melhor nas cidades.

A comida que alimenta os milhões dos centros urbanos viaja talvez a distância mais longa em termos de alimento/quilômetro, que muitas vezes, se estica não apenas de uma área urbana para outra parte do país, mas de uma cidade para as mais distantes cidades do globo.

Trata-se de um desafio para o gestor da cidade dar um fim a estupendas quantidades de lixo urbano, sendo boa parte do mesmo contaminante, que não pode ser metabolizado pela ecologia de concreto e metal dos assentamentos urbanos. E acima de tudo, as conseqüências em termos de ruptura dos elos sociais e filiações comunitárias implícitas à vida urbana não são menos severas. É aqui que o paradoxo da solidão em meio às multidões ocorre numa flagrante realidade. Existe muito que está sendo feito, e muito mais que precisa ser feito para melhorar a qualidade das estruturas urbanas, dos serviços urbanos e da ecologia urbana. Muito mais recursos precisam ser despendidos para melhorar a vida urbana.

Para a maioria de nós, as prazerosas sensações dos cinco sentidos (tato, olfato, paladar, audição e visão) são fontes de felicidade e satisfação. Todavia, uma felicidade cuja natureza dependa de estímulos externos não é apenas efêmera mas até perigosa em boa medida, a menos que seja contrabalançada com contemplação interna ou meditação, para gerar fontes internas de contentamento e felicidade através da compreensão da verdadeira natureza da nossa mente. A própria natureza do mercado numa sociedade consumista é de manter sempre aceso e crescente o fluxo de prazeres fugazes oriundos dos estímulos externos.

Isso acontece através de mais e mais extração dos finitos recursos da Terra para produzir mais e mais daquilo que na verdade menos precisamos, de modo que mais e mais possa ser consumido ou desperdiçado através de sedutores comerciais.

Em última análise, mesmo enquanto insaciáveis consumistas, nós, por também sermos seres inteligentes, teremos que nos reconciliar com a realidade, e chegarmos a um acordo com a idéia de uma ‘condição suficiente’ para a sobrevivência e felicidade para nós mesmos, e, se tivermos qualquer consciência moral, para o bem das futuras gerações e da humanidade em si. Chegaremos a compreender que, além de um certo nível de afluência, adquirir mais não irá aumentar a felicidade. Nos daremos conta que a nossa ganância está destruindo a ecologia que sustenta a nossa vida. Não existe infinitude na fonte da nossa riqueza material que precisa sair da natureza, cuja capacidade de doar está rapidamente se esgotando. Nosso nível de demanda material e de consumo precisa ser determinado pela capacidade da ecologia específica do nosso meio dentro de um parâmetro objetivo, e por aquilo que seja inteligentemente e responsavelmente considerado suficiente ao nível individual.

O equilíbrio entre a economia e a ecologia é uma consideração chave no FIB. A Sociedade Orientada para a Felicidade que eu agora tentarei explicar trata de como a busca da felicidade é algo bom para se fazer não apenas para si próprio, mas também para a sociedade, e porque o ‘coletivo’ é uma parte inseparável do conceito de FIB.

A experiência da felicidade muda através do ciclo de vida de um indivíduo. Seu significado muda com as sensibilidades e com a nossa compreensão e apreciação da interdependência.

Não podemos ser verdadeiramente felizes como indivíduos enquanto houver sofrimento à nossa volta, mesmo que não tenhamos nada a ver com isso. Quanto mais amplo for o horizonte de uma pessoa, mais sensível e holística ela é. Quanto mais essa pessoa se dá conta de que sua felicidade está conectada à dos demais, mais inclusiva se torna sua motivação ética para possibilitar a felicidade dos outros.

Uma pessoa feliz é aquela que não apenas valoriza a felicidade para si, mas também para as outras pessoas, mesmo que em algumas ocasiões isso custe sua individualidade. A boa coisa na busca da felicidade é que ela também é consistente com as noções morais e éticas. Enquanto criaturas sociais, nossas razões para sermos felizes frequentemente envolvem o engajamento em esforços moralmente corretos e que valem à pena serem perseguidos.

Essa sensação de felicidade é uma resposta direta a tal ação. Na estrutura conceitual do FIB, a felicidade é verdadeiramente multidimensional, pois é constituída por muitos elementos e domínios da vida. Se assumirmos que cada indivíduo fosse querer ser feliz por si só, o FIB não seria diferente do conceito da bem conhecida utilidade para maximizar cifras econômicas, motivadas apenas pela sua necessidade de gerar satisfação pessoal.

A busca do FIB significa empreender para criar uma sociedade ou nação na qual a facilitação da progressiva felicidade coletiva seja a meta da governança. Para servir a esse propósito, a sociedade que se adapte e adote metas cambiantes, e por conseguinte defina a si mesma, precisa querer ir contra barreiras e idéias concorrentes que possam ter a força de empurrar a sociedade em direções diferentes ou opostas.

O significativo desfrute da vida como um todo é prejudicado não apenas pelas circunstâncias individuais, pelas falácias cognitivas e a nossa falta de vontade positiva, mas também pelo legado de gerações passadas na forma de condições estruturais que podem tanto impedir – ou nos auxiliar – a alcançar a harmonia da existência ou certos objetivos. Logo, construindo um consenso, motivando, criando e mantendo um desejo verdadeiramente consciente para buscar a felicidade coletiva entre as pessoas se torna uma das principais funções do governo.

Este tem sido o caso no Butão, onde um Rei elevou a consciência do povo quanto ao seu único e mais importante desejo, e articulou-o como a meta nacional. O FIB não é uma meta derivada de um desejo do Rei para o povo, mas uma visão compartilhada que o Rei ajudou a compartilhar.

Os esforços de uma sociedade que seja guiada pelo FIB precisam ser no sentido de promover um exitoso ciclo de vida de nascimento, viver, envelhecer e morrer, bem diferente da ‘armadilha biológica’ da qual escreveu Hemingway. Um nascimento bem- sucedido significa alcançar uma taxa mínima de mortalidade infantil e maternal, seguida de uma feliz infância, educação e criação com doses iguais de firmeza e afeto. Isso pode advir principalmente de uma boa atuação dos pais, que por sua vez é resultante de um casamento seguro e estável.

Uma vida bem-sucedida significa uma vida produtiva, saudável e gratificante, na qual a pessoa ganha a vida fazendo aquilo que lhe dá satisfação sem o custo de ter de ceder às questões de ordem moral ou ética.

Construir e desfrutar de fortes e genuínos relacionamentos é o que faz a vida ser boa. Um envelhecimento bem-sucedido significa permanecer vivaz nos nossos anos mais avançados, sem sucumbir às enfermidades precoces; sem ter que sofrer as indignidades de ser marginalizado pela sociedade; e sem sofrer a falta de respeito, amor e cuidados de apoio daqueles que são considerados sua família.

Finalmente, uma morte bem-sucedida vem a ser uma passagem calma e natural da vida sem arrependimentos em meio a uma dignificante lamentação por aqueles que estão suportando a perda. Creio que a verdadeira grandeza da pessoa é ser vista no momento da sua morte – na sabedoria com a qual ela abraça a verdade suprema sem resignação. Ao nível mais fundamental, a felicidade e o bem-estar coletivos dependem de dois absolutos imperativos que precisamos cultivar. Valorizar e proteger; relacionamentos e meio-ambiente. Já elaborei na 1a variável fundamental.

O segundo imperativo é o ambiente natural, sem a integridade do qual a vida em si não pode ser sustentada.

Mesmo assim, a própria sustentabilidade da natureza se tornou questionável. Suas brilhantes cores estão sendo poluídas por turvos matizes. O reconfortante silêncio intercalado pela própria melodia da natureza, que tem o seu próprio ritmo, não mais existe, ou se torna menos visível e audível, pois fomos entorpecidos e ensurdecidos pelos choques da vida cotidiana e pelo ruído de elevados ‘decibéis’.

Ainda lembro de como na minha juventude éramos capazes de ouvir a ressonância dos terremotos que se aproximavam nos nossos vales antes mesmo que eles de fato chegassem. O ar que respiramos está progressivamente sendo atado com uma série de emissões que carregam tóxicos gases e partículas. Nossos rios estão ou secando ou incapazes de agüentar o envenenamento dos seus tóxicos afluentes, morrendo juntamente com muitas das formas de vida marinha. Mesmo assim, com uma benigna negligência, fazemos ajustes, entre outras formas, ao cunhar estranhos novos termos tais como ‘desintoxicar’ nossos corpos.

Existem muitas outras preocupantes tendências. Como mencionei antes, as aspirações consumistas continuarão a aumentar, até exaurirem os nossos recursos e as chances de sobrevivência das futuras gerações. A população continuará a aumentar. O clima está mudando, assumindo um comportamento errático, que está confundindo o ser humano, a vida animal e as plantações, o que está produzindo resultados catastróficos. Mais freqüentes desastrosas inundações, deslizamentos, secas, incêndios, epidemias são a ordem do dia. A elevação dos níveis dos oceanos é uma crescente ameaça. E as realocações e migrações para longe dos assentamentos costeiros estão separando famílias, minando tradições e erodindo sistemas culturais e sociais. E tem também o gradual colapso da biodiversidade, a emergência dos vetores e vírus em territórios até então desconhecidos, a acidificação e assim por diante. Todos esses fatores ameaçam minar tudo aquilo que alcançamos até agora, socialmente e economicamente falando. A natureza está morrendo. O nosso planeta está enfermo. A restauração da qualidade e da pureza do ar, da luz, do silêncio, da água e do solo é urgente, não apenas para o nosso próprio bem-estar, mas para a nossa própria sobrevivência e a sobrevivência das outras espécies.

Precisamos começar um processo restaurativo e ‘descontaminante’. Precisamos trabalhar ligeiro, e em todos os níveis: individual, comunitário, nacional e global, contra as causas-raíz desses desafios.

Podemos presumir que o bem-estar e a boa saúde possam ser, em grande monta, comprados através de uma renda mais elevada e de uma melhor assistência e tratamento médicos. Avanços em engenharia de saúde pública e descobertas em bio-ciência têm nos dado acesso a tratamentos para uma crescente gama de enfermidades. Mas a maioria dos tratamentos é para doenças não-transmissíveis, resultantes de um estilo de vida insalubre e ao custo de não se devotar tempo para cultivar relacionamentos saudáveis. A natureza do nosso estilo de vida, moldada por sistemas mais amplos, por assim dizer, impôs um enorme custo oculto em nós.

Cerca de 64% das mortalidades no mundo são devidas a doenças não transmissíveis. Em torno de 450 milhões de pessoas – 12% da população mundial – padece de problemas de saúde mental de um tipo ou outro.

Considerando que tais perdas de vida e felicidade sejam evitáveis, é um comentário triste na sociedade em que vivemos. Desafortunadamente, as pessoas continuarão a deslizar para estilos de vida insalubres e fracassos de relacionamento a uma taxa que irá requerer cada vez mais recursos para o tratamento daquilo que seria obstável.

O FIB enfatiza um estilo de vida fundamentalmente saudável em vez de tratamento e cura. Esta não é uma aspiração modesta, porque demandará uma enorme mudança no nosso equilíbrio trabalho-vida-lazer, que por sua vez demandará grandes mudanças na estrutura da economia e das organizações. E mais certamente, tal abordagem irá requerer, em muitos casos, mudanças fundamentais no desenvolvimento das estratégias das sociedades.

A nossa vida no trabalho é inevitavelmente influenciada pelas normas e culturas organizacionais. Há, portanto, méritos a serem reconhecidos ao se promover mudanças no local de trabalho, não apenas para aumentar os níveis de felicidade dos colaboradores em si, mas também pelo fato do que isso gera em benefícios diretos de produtividade, que por sua vez se traduzem em crescimento organizacional sustentado. Um colaborador feliz é um colaborador produtivo.

Faz então sentido orientar o desenvolvimento das áreas de Recursos Humanos e de Sistemas de Gestão como estruturas organizacionais alinhadas com as considerações do FIB. Para começo de conversa, no nível micro, existe um considerável espaço para as regras relacionadas à gestão de pessoas, treinamento e condições de trabalho, premiação e incentivos a serem estruturados para que gerem a maximização da felicidade nas organizações. No longo prazo, uma sociedade orientada pelo FIB precisa receber o ímpeto tanto do sistema educacional quanto da mídia, na medida em que ambos são os mais poderosos fatores que influenciam a compreensão, a percepção, o comportamento e o processo de tomada de decisão das pessoas. Ou seja, a educação e a mídia precisam se tornar esferas de influência que sejam promotoras e apoiadoras da felicidade coletiva. A mídia precisa assumir para si o papel de prover um contínuo comentário sobre temas contemporâneos a partir do ponto de vista do FIB, de modo que as pessoas possam, o mais frequentemente possível, ter uma perspectiva FIB sobre suas próprias vidas, da sociedade e eventos que as afetam. Para os jovens, os valores e práticas do FIB devem ser infundidos nos seus livros escolares.

Aqui, pode ser que seja interessante observar que a mídia no Butão é oficialmente reconhecida como o 4o e independente ramo da governança. Quanto à educação, uma conferência estará sendo realizada no início de dezembro, já no ano que vem, para infundir e embutir valores de FIB no sistema através de cada disciplina, incluindo matemática e atividades extra-curriculares.

A economia do FIB, assim como as finanças públicas, são meios-chave para influenciar e moldar qualquer sociedade. Nenhuma discussão sobre FIB será completa sem que se gastem alguns momentos nesse tópico. Aqui, o papel do governo é supremo em qualquer sociedade, na medida em que se manifesta pelo modo como administra seus recursos, e pelo jeito como formula suas leis, ele mesmo seguindo-as ou ignorando-as.

Se a felicidade coletiva for uma visão a ser buscada principalmente através de verbas governamentais, o nosso sistema fiscal tem que ser coerente com esse objetivo. Todavia, se as alocações orçamentárias, a legislação, os impostos e outras medidas de natureza fiscal forem baseadas em um critério convencional, desprovido de considerações relacionadas ao FIB, essa busca seria fútil, uma vez que os resultados seriam inconsistentes com o FIB.

Isso torna forte o caso de uma fórmula para o orçamento nacional e para um processo que seja radicalmente diferente, e dê aos contribuintes incentivos para que busquem o FIB. Tais atividades, como aquelas que promovam a formação de capital social, tecnologia “verde”, integridade familiar, etc., mereceriam portanto uma consideração especial.

O comportamento e as preferências das pessoas comuns, da forma como são expressos nos seus padrões de gastos, são condicionados por dois fatores. O primeiro está relacionado ao preço dos bens e serviços. O segundo é o conteúdo da mídia. O preço e a mídia mudam a noção do consumidor quanto a valor e comportamento.

Por mais que sejam poderosos os instrumentos, seu papel crítico no cultivo dos valores e comportamentos do FIB precisa ser plenamente apreciado. Infelizmente, os preços dos bens e serviços e o conteúdo da mídia atualmente não refletem os verdadeiros custos ambientais e sociais, nem tampouco os outros custos de natureza comunitária, cultural, etc. Como resultado disso, as escolhas que as pessoas fazem têm pouco a ver com a criação de um real valor, ou com a promoção de comportamentos que gerem felicidade num ambiente sustentável.

É imperativo que o custo total da contabilidade nacional, que leva em conta, entre outras coisas, uma análise da pegada ecológica, se torne uma prática corrente. Tal nova forma de contabilidade deveria refletir plenamente os custos culturais, sociais e ecológicos, conforme eu frequentemente tenho enfatizado, e como está mencionado no Relatório da Comissão Sarkozy. Isto nos permitirá chegarmos aos custos reais dos bens e serviços, levando à determinação de um sistema de preços mais acurado, o qual, por sua vez, pode se tornar a base para um sistema fiscal mais significativo e responsável.

De todas as pinceladas que foram usadas para pintar o século passado, dois pincéis proveram as linhas mais definidoras. Primeiro, foi a democracia, e segundo, a abrasiva pincelada do PIB. Bem apropriadamente, o Século XX pode ser referido como o século da democratização, e o período (2a metade) do fetiche do PIB. Enquanto o primeiro fez muito para promover o direito individual e a liberdade, o segundo fez com que os adoradores de todas as fés se ajoelhassem perante o altar do consumismo e do onisciente mercado.

O PIB foi adotado inquestionavelmente como o indicador para medir o crescimento das economias, através do qual seres humanos foram reduzidos a entidades consumidoras, e o progresso da sociedade entendido como significando apenas crescimento econômico. Assumiu-se que, à medida que as economias crescessem, as pessoas devessem se tornar mais felizes, mesmo às custas de uma crescente desigualdade, mais poluição, crime ou doenças. O que importa sob a ethos do PIB é a produção e o consumo transacionados na tela dos mercados.

Nada é para se interpor no caminho do livre mercado, e a democracia serviu para baixar a resistência à dominância do mercado. Falando em democracia e liberdade, as políticas governamentais precisam responder às deliberadas preferências das pessoas. Estas são influenciadas pelo critério público que adotamos e popularizamos como indicando sucesso. É nesse contexto que precisamos questionar até que ponto os critérios públicos de sucesso associados ao PIB estão nos servindo bem, e até que ponto eles estão nos orientando em direção a uma governança e a um desenvolvimento satisfatórios.

O crescimento econômico, conforme medido pelo PIB, bem como a ênfase na eficiência econômica, tem dado margem ao nível mais elevado de riqueza agregada jamais visto no planeta. Mas mesmo assim o número de vítimas da pobreza e sua vulnerabilidade a toda sorte de ameaças estão no seu ápice. Não apenas calamidades naturais estão golpeando com uma fúria e freqüência cada vez maiores por conta do colapso da biodiversidade e da mudança climática, mas muitos outros desastres feitos pelos seres humanos, resultantes de fracassos sistêmicos da nossa estrutura macroeconômica, têm começado a afetar a todos nós que estamos integrados num mundo globalizado pelo comércio e pelas finanças.

Nem mesmo os ricos estão imunes, como ficou claramente demonstrado pela crise global mundial, que expôs a natureza ilusória da riqueza como o PIB nos faria definir.

Por um tempo demasiado longo, o PIB e o mercado têm nos iludido ao nos fazer pensar que eles são a medida e a fonte do nosso bem-estar. Temos ficado todos sob a sua influência e pressão para avaliar nosso desempenho nacional e as nossas preferências sociais segundo a moldura da “mania do crescimento”. Qualquer movimento para cima dos índices do PIB significou sucesso para a sociedade e um maior índice de aprovação para o governo e seus líderes.

Deixe-me repetir. Temos dispensado pouca importância à compreensão de que o que está sendo medido é principalmente a soma dos bens e serviços produzidos e trocados no mercado, que por sua vez são comunicados em termos quantitativos e relativos.

Tal informação nada divulga sobre crime, abuso de drogas, suicídio, acidentes de trânsito, estabilidade da família, integridade da nossa ecologia, justiça e igualdade, e, acima de tudo, o nível de felicidade do nosso povo. Pelo fato de nos termos tornado “animais econômicos”, e abandonado a nossa razão à mentalidade da ‘manada do PIB’, perdemos de vista as outras mais importantes mudanças e eventos que na verdade significam mais para os seres humanos.

É chegada a hora de mudar o critério do conjunto de indicadores de sucesso público. Para esse fim, precisamos encontrar a vontade e utilizar a genialidade que nos é inerente para desenvolver e adotar uma mais verdadeira e humanista definição de riqueza e crescimento, que abranja os valores pelos quais devemos lutar. Estes deveriam ser medidos em termos de domínios de valor, através dos quais a sociedade possa, perpetuamente, desfrutar de abundância e prosperidade em meio à felicidade. Gostaria de, humildemente, mostrar que o Butão tem impulsionado seu desenvolvimento nacional através de quatro estratégias usualmente conhecidas como os quatro pilares do FIB. Estes por sua vez são fundamentados em nove domínios de valor (a saber: bem-estar psicológico, vitalidade comunitária, resiliência cultural, uso equilibrado do tempo, sensibilidade ao meio-ambiente, padrão de vida, saúde, educação e governança), que então compreendem 72 mensuráveis variáveis, as quais, quando agregadas, formam o indicador de felicidade nacional.

Mas voltando à metáfora, o que a pintura do Século 21 precisa é um terceiro pincel que possa trazer o melhor dos pincéis da democracia e do PIB, e também acrescentar uma variedade de cores e linhas que embelezarão a pintura com brilhantes ondulações de felicidade. Falando claramente, precisamos, neste novo século, de uma métrica composta que incorpore boa governança e crescimento material como parte de um compreensivo conjunto de índices para induzir e medir o progresso holístico da sociedade, e o mais importante: bem-estar humano e felicidade.

Nenhuma instituição humana pode nos servir para todas as eventualidades sem se submeter à mudança, mesmos que essas próprias instituições sejam os agentes de mudança. É imperativo que não retardemos ainda mais os nossos esforços para transformar e construir novos sistemas e arranjos. Quanto a isso, a insatisfação generalizada com o sistema econômico global, que está no limite, nos deveria dar a razão para sentirmo-nos encorajados.

E uma vez que nos tornemos conscientes do nosso destrutivo modo de vida, a crescente busca por uma nova arquitetura macroeconômica que não seja nem aquela do mercado completamente livre, como entendida no sentido neo-liberal, nem tampouco completamente socialista, nos dá razões para sermos otimistas.

Essa busca nos preenche de esperança de que essa silenciosa e incessante energia, tão evidente nessa nossa reunião, carregará a sociedade a uma era de uma vida racional e iluminada.

Permitam-me concluir. A sociedade como um todo, contrariamente aos indivíduos, não pode avançar coerentemente sem uma unidade de propósito. Será que alguém realmente gostaria de argumentar contra uma visão de felicidade coletiva? Estou ciente de que existem os céticos que contestariam o fato de que a natureza subjetiva da felicidade não permite o conceito de que esta oriente a governança de qualquer sociedade. Aqui, precisamos distinguir entre dados subjetivos e a interpretação subjetiva dos dados, uma vez que estas são duas coisas completamente diferentes.

Uma interpretação subjetivamente tendenciosa de dados é em geral não-científica, assim como o é no FIB. Por outro lado, dados subjetivos são a única informação que pode refletir um relato na 1a pessoa.

Estados subjetivos não são, por definição, capturados pelos dados objetivos Eu argumentaria ainda mais: que os dados subjetivos, quando elucidados de forma apropriada, podem ser o principal conjunto de informações que represente a realidade dos nossos sentimentos e da nossa consciência. Não há outro modo de sabermos como nos sentimos sobre a felicidade.

Tal desconfiança quanto aos dados subjetivos tem sido o principal impedimento contra a inclusão da felicidade na governança e no planejamento do desenvolvimento. Essa desconfiança tem obscurecido a felicidade no domínio da governança. Onde uma verdadeira infelicidade existe, então certamente algo está errado.

Não vejo razão para que esperemos por séries de dados objetivos sobre pessoas que estejam infelizes, quando sabemos que a realidade do sujeito é, em ultima análise, subjetiva. Nem tampouco enxergo qualquer conflito entre dar à felicidade um foco maior na formulação de políticas com direitos e liberdades. Pelo contrário, no contexto do FIB, um foco maior na felicidade posiciona o que todos os seres valorizam no centro para a formulação das políticas públicas.

Acredito que a nossa geração não apenas tenha a responsabilidade moral, mas a oportunidade de corrigir o que esteja errado em nosso modo de vida. A próxima geração talvez não tenha o tempo ao seu lado, considerando que todos os erros acumulados terão atingido um ponto irreversível.

Como podemos ser felizes quando sabemos que as gerações que nos sucederão se defrontarão com desafios bem maiores para a sua sobrevivência, e o que dirá serem de fato felizes? Precisamos começar a viver novamente como uma raça humana, como seres civilizados, como seres que não são apenas aqueles do corpo, mas da mente também.

Grato pela sua indulgência.

 

Sua Excelência o Primeiro Ministro do Butão Jigme Thinley


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