Ir para o conteúdo
Mostrar cesto Esconder cesto
Voltar a Diário sobre o mundo....
Tela cheia

O que vi e senti ontem na Presidente Vargas: o campo popular precisa se unir!

20 de Junho de 2013, 21:00 , por Fernanda Nagem - 0sem comentários ainda | Ninguém está seguindo este artigo ainda.
Visualizado 321 vezes

 

Depois do que vi e ouvi ontem (20.06) na passeata do Rio ou o campo popular se une em uma verdadeira aliança e com estratégias claras de atuação ou poderemos ser engolidos, mesmo que aos poucos, por uma onda conversadora e sectária. Vi e senti na pele muitas coisas, desde repressão e agressão policial, sempre esperada, ao que descreverei abaixo e que na verdade tem me tirado o sono.

Vi uma Presidente Vargas tomada por pessoas e grupos com seus cartazes e gritos, mas sobretudo dividida. Uma divisão que, num primeiro olhar, poderia ser interpretada como totalmente saudável e própria do estado democrático. Porém, deixando de lado as primeiras impressões, colocava-se bem `a minha frente uma perigosa fórmula: mobilização sem uma causa, aparentemente, clara e oportunismo dos que a possuem de modo bem nítido.

De um lado, pessoas com seus cartazes e dizeres de ordem, cobrando direitos das mais distintas naturezas. Legítimo, mas insuficiente para mudarmos o status quo. As palavras de ordem dessa natureza quase que não existiram diante do mar de reivindicações por melhores condições de vida dentro de um sistema que, por natureza, é incapaz de proporcionar a todos e todas essa condição.

De outro, vi pessoas também com seus cartazes e dizeres de ordem, mas nitidamente com inclinações fascistas, reforçando preconceitos e propagando a intolerância a toda e qualquer forma de organização coletiva. Vi os perigosos nacionalistas e patriotas, aos gritos e com olhares de ódio, cuspindo palavras de ordem, insultando, sobretudo, partidos políticos, movimentos sociais e sindicais.

A rua ficou dividida e tensa até o encontro e mistura de todos e todas em uma só marcha e, dai em diante, o que vi foi um cenário que me fez chorar pelas agressões físicas e psicológicas de um grande grupo de pessoas com os rostos tampados e de pedras e paus nas mãos. Assisti a tudo isso perplexa, ao ver muitos, mas muitos dos que ali para simplesmente exercer o simples e profundo direito de ir e vir e de expressar o que pensa serem agredidos por estarem envolvidos em causas claras, seja em partidos ou em movimentos sociais. Foram forcados a baixar e esconder todas as suas bandeiras, que mais do que bandeiras significam lutas distintas, e também muitas vezes contraditórias, por uma sociedade melhor. E ao vê-las sendo escondidas por aqueles que as erguiam de forma assustada senti a sensação amarga da repressão.

O momento carece de muita reflexão, pois não podemos perder o bonde da história. Já o perdemos em alguns momentos de nosso passado recente e sabemos, ou parte sabe e outra simplesmente sente na pele, o que pode significar a extinção dos direitos de ir e vir e de expressão politica. Sim, estou falando do período militar, de um longo e cinzento momento de nosso passado. As ruas precisam ser ocupadas, precisam ser ressiginificadas como espaço publico de debates e de pressão sobre questões do bem comum, da comunidade, da cidade! Não podem servir para legitimar a intolerância, o racismo, a homofobia, o machismo, o sectarismo!

Por isso, o campo popular precisa se unir, organizar suas pautas e ocupar com consciência as ruas. Os debates precisam acontecer, as pessoas, mais e mais, estão interessadas em entender o que tem afetado suas vidas. Os gritos de ontem, de parte significativa desta mesma marcha, por saúde, educação, críticas `a copa, `a rede globo, e aos atuais governantes do estado do Rio de Janeiro, demonstram, minimamente, que as pessoas estão interessadas. Agora, para que lado esse debate será direcionado vai depender da capacidade de mobilização e conscientização dos grupos políticos organizados, e ai incluir tanto os ditos de esquerda com os direita. Na história, tudo sempre está em aberto, mas me parece que neste momento muito mais!

 


0sem comentários ainda

    Enviar um comentário

    Os campos são obrigatórios.

    Se você é um usuário registrado, pode se identificar e ser reconhecido automaticamente.

    Cancelar