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Coletivo Uilikandé

20 de Março de 2017, 12:06 , por Lirca - 0sem comentários ainda | Ninguém está seguindo este artigo ainda.
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Licenciado sob CC (by-nc-sa)

"Uilikandé [termo usado para designar o chefe na língua Nambiquara] parece querer dizer “aquele que une” ou “aquele que ata em  conjunto”. Esta etimologia sugere que o espírito indígena está consciente desse fenômeno que já sublinhei, isto é, que o chefe aparece como causa do desejo do grupo de  se constituir como grupo e não como efeito da necessidade de uma autoridade central, sentida por um grupo já constituído." (Claude Lévi-Strauss. Tristes trópicos)

Uilikandé: projeto que aparece como causa do desejo do grupo de se constituir como grupo, não como efeito da necessidade de uma autoridade central.

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Surgido e baseado em Ubatuba, começando por um projeto de produção e comercialização de frutas e verduras (cultivadas sem agrotóxicos nem produtos químicos de síntese) em rede (começando por um grupo de 4 núcleos de produção parceiros do sul de Ubatuba), o coletivo Uilikandé começou funcionar na prática (entregando cestas) em 9 de junho de 2014, visando demonstrar na prática a hipótese de que podemos viver bem na roça e da roça, sem precisar sermos grandes produtores, mas trabalhando sob um esquema horizontal-cooperativo, e sem precisar recorrer à elitização dos produtos orgânicos (sem restringir o consumo desses produtos a uma minoria: evitando comercializá-los a preços elevados).

 

Algumas das ideias que nos levam a montar este projeto são:

  • aprender, promover e difundir os benefícios socioambientais da agroecologia (fertilidade do solo, sementes crioulas, SAFs,etc.);

  • resgatar e promover a cultura de cooperação frente à de competição, através da prática, promovendo atividades (feiras de trocas, mutirões, oficinas, eventos culturais, cineforuns, almoços colaborativos, etc.) e ajudando à criação de novos projetos autogestionários;

  • servir como coletivo guarda-chuva de novos projetos cooperativos autogestionários e da Economia social e solidária em Ubatuba e região, que além de ser viáveis economicamente (além de atingir sua capacidade de permanência, seja usando dinheiro nacional, seja combinando alternativas como moeda social e trocas), também forneçam um serviço ao coletivo e à comunidade, que proporcionem formação e satisfação aos membros do coletivo que neles trabalhem, melhorando sua qualidade de vida (começando pela produção, manipulação, comércio e distribuição em rede de produtos cultivados sem agrotóxicos nem produtos químicos de síntese no sul de Ubatuba; seguindo por outros projetos autogestionários que gostaríamos de desenvolver, quando tiver pessoas interessadas em fazer junto: hortas comunitárias nos bairros; hortas e oficinas em escolas; produção de conservas com excedentes da roça; padaria comunitária; produção de cosmêtica, higiene e limpeza natural; compras coletivas; coleta de lixo orgânico e compostagem; óleo usado>sabão>biodiesel; captação de água de chuva; entre outros);

  • auxiliar na preservação da cultura local e dos saberes tradicionais e populares, na conservação dos ambientes naturais e seus recursos, recuperando espécies e variedades crioulas e tradicionais da Mata Atlântica, produzindo mudas de espécies arbóreas nativas, criando e dinamizando um banco de sementes, recuperando e disponibilizando receitas crioulas e saberes locais sobre os usos das plantas medicinais e das PANCs, organizando eventos musicais e culturais.

Sabemos que existe um jeito alternativo e melhor ao oferecido atualmente pelo sistema capitalista para acessarmos o conhecimento e suprir as nossas necessidades materiais. Por isso, as relações entre os projetos e pessoas do Uilikandé estão baseadas na cooperação, na empatia e na solidariedade.

Acreditamos que nem tudo o que tem valor, tem um preço que possa ser estipulado pelo mercado. Valorizamos o tempo livre, a alegria, o respeito, a liberdade, a empatia, a natureza, a ancestralidade, o compromisso, a cultura, a diversidade. Acreditamos que é necessário um retorno à ruralidade (incorporando as tecnologias atuais), ao feminino e que precisamos reaprender coisas que esquecemos que sabíamos fazer (DIY!) em contraposição à alienação que representa a crença/sentimento de não saber fazer, que nos torna dependentes.

Rejeitamos o patriarcado, o capitalismo, o Estado plutocrático, a competitividade e as pessoas que chegam perto pra tentar se apropiar ou tirar proveito pessoal do trabalho alheio.

Somos uma rede de projetos que nos apoiamos e retroalimentamos, uma rede de confiança; nenhum dos projetos, nem ninguém de nós, está por acima dos outros: estamos trabalhando juntxs porque queremos cumprir os objetivos dos projetos (estipulados assembleariamente por cada um deles), não para alimentar egos ou aparentar (quem quiser se dedicar a isso, que faça no seu tempo livre... ou nos muitos outros espaços que existem pra isso).

 

Quer saber mais sobre o projeto, sobre quem somos e como nos organizamos? Quer trabalhar junto? Entre aqui e/ou entre em contato com a gente: [email protected]

 

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