Ir para o conteúdo
Mostrar cesto Esconder cesto

Fórum Brasileiro de Economia Solidária

Tela cheia

Economia Solidária nas eleições 2014

12 de Setembro de 2014, 8:42 , por Daniel Tygel - 2222 comentários | 6 pessoas seguindo este artigo.
Visualizado 407 vezes

debate aberto
coloque sua análise como comentário abaixo!


Categorias

Organização do movimento

2222 comentários

  • C104c3f070728889de4e2e32993bd0f9?only path=false&size=50&d=identiconbeta
    14 de Setembro de 2014, 23:34

    Neoliberalismo

    Só pra encerrar: repudio totalmente a orientação neoliberal, mas acredito que a Marina esteja apenas se servindo de alguns elementos da corrente, úteis enquanto ferramenta para viabilizar economicamente a implantação do modelo que defende e que, em momento nenhum, nega a assistência social ou a responsabilidade pelos serviços públicos essenciais.


  • N737255486 4959074 6547 minorJoão Conrado
    15 de Setembro de 2014, 4:46

    Contribuição a partir de uma pespertiva libertária

    Reflexão da fAu (Federação Anarquista Uruguaia) quando perguntada sobre as eleições e os anarquistas.
    Uma pergunta que, obviamente, não tem uma resposta simples. É o equivalente a perguntar: Como o anarquismo concebe o mecanismo político? O anarquismo considera que há um nível político específico e que se deve atuar nele? As práticas políticas não são todas da mesma ordem, não tem algo em comum que as constitui e lhes dá um perfil inconfundível? As eleições não são parte substancial de toda prática política?
    A categoria política está constituída sobre bases tão fluidas (muitas delas polêmicas) que esta lista de perguntas, correspondentes a uma mesma constelação de questões, poderiam ampliar-se muito mais.
    É importante pontuarmos, antes de tudo, que seria um atrevimento de nossa parte querer falar em nome do anarquismo. O anarquismo é uma ideologia, uma doutrina, com muitas matizes. Assim, respondemos aqui como fAu, como uma organização política anarquista que já tem 43 anos de existência e uma trajetória na qual fizemos, com coerência, o que foi possível em função de seu projeto.
    O anarquismo não é um dogma, nunca colocou-se como tendo em suas mãos a verdade revelada. Consequentemente, sempre agiu ao mesmo tempo no campo social, no trabalho crítico e reflexivo. E muito desta atitude está presente na fAu.
    Pensamos, obviamente, que os contextos históricos estão constantemente apresentando diferentes formas, e através de momentos de grande importância. O que podemos chamar de “etapas do capitalismo” carrega determinados elementos específicos. E o específico é questão de primordial importância para analisarmos tanto o tema que estamos tratando, como uma formação social, ou um período pertencente a uma mesma estrutura de dominação do sistema capitalista. Mas não acreditamos que o específico anule o geral. É verdade que, no percurso do século que está por terminar, montaram-se teorias, estabeleceram-se paradigmas falando-nos, com certezas científicas, de totalidades quase inquestionáveis. Hoje muitos destes fundamentos teóricos, destes paradigmas e epistemes, são altamente questionados e alguns caíram por terra.
    Mas houve muita coisa positiva que as lutas e o pensamento socialista produziu. E também, por que não dizer, muitas pesquisas independentes sobre temas particulares que abriram campos de reflexão e trouxeram novos elementos para novos discursos.
    Dentro do que foi produzido pelo pensamento socialista, corroborado em boa parte pelas experiências sociais, estão teorias sobre os mecanismos de reprodução do sistema vigente. Mecanismos básicos que, mesmo em contextos sociais altamente diferenciados, operam de maneira semelhante. Como um conjunto básico de “peças” relacionadas, articuladas, que possibilitam algumas coisas e impedem outras. Permitindo, por exemplo, que a riqueza e a pobreza cresçam; que os distintos poderes fundamentais estejam sempre nas mãos de uma minoria privilegiada; que os meios de comunicação conformem “ideais”, “valores” e padrões “culturais”, reafirmando do sistema vigente.
    Então, falar de eleições é fazer alusão a uma “peça” de uma estrutura de poder que é muito mais ampla.
    Sabemos que não é simples colocar certas propostas em nossa época, quando o aparato ideológico do sistema, a guerra aberta à solidariedade e a tudo o que possa gerar culturas de cooperação, acabam alimentando a fragmentação e a atomização, em que cada um pensa somente em si.
    Porque essa agressividade ideológica, por parte dos mesmos que dão por encerrada a própria ideologia, a história e outras questões, tentam utilizar-se de fatos históricos, tais como as chamadas “experiências socialistas” que tiveram um triste final, para gerar a desmobilização moral e combativa das populações.Mas a verdadeira alternativa socialista está aqui, diante de nós, não é uma elaboração feita de fora das experiências históricas. Mas, com seus erros e acertos, é um produto autêntico que compreende as ânsias de justiça e liberdade dos povos. Seria importante começar a se reformular uma crítica mais rigorosa sobre tudo aquilo que fez naufragar a alternativa de estruturar uma sociedade sobre bases diferentes das da miséria, que sustenta este sistema.
    Dentro das reflexões – que muitos já se fazem – está o papel representado pelas eleições num sistema como o atual. Há participação em um processo como as eleições? Representam uma autêntica democracia? Se o elaborado discurso “moderno” serve para nos inserirmos nessa estrutura, para deixarmos que tudo siga da mesma maneira; para termos a ilusão de que estamos fazendo grandes transformações políticas, então não há dúvidas de que as eleições, enquanto ação política clássica, representam atualmente o espaço privilegiado para isso. Permitidas e altamente desejadas por aqueles nossos conhecidos de sempre.
    Mas há algumas coisas sobre o funcionamento do sistema, seu caráter classista, seus mecanismos de poder e reprodução que o socialismo assinalou, e em especial o socialismo de matriz libertária. Esses mecanismos tem uma dinâmica perversa e seria puro voluntarismo e idealismo procurar subvertê-los utilizando-se de seus próprios meios. Não são onipotentes e podem ser enfrentados e desestruturados, mas… não a partir de dinâmicas que o retroalimentam.
    Assim, todo jogo eleitoral cumpre fins que tendem à legitimação do sistema. Seguindo a vida de maneira regular, alternado com alguma ditadura quando convém, é vital ao sistema esta legitimação e esta ficção de participação popular, que cumpre ao mesmo tempo o papel de expropriação da soberania popular. Mas esta fantasia, que oculta os núcleos duros de poder, não é ingênua, é muito exigente. Para participar dela é preciso despir-se, somente são aceitos os que vem com pouca roupa. Num documento da fAu, de 1969, dizíamos: temos que ir “buscando a aprovação dos poderosos: FMI, capital internacional, militares… ter bom comportamento, rebaixar programas, criticar duramente as culturas combativas”.
    As regras do jogo da burguesia são fortes e envolventes, costuram com um invisível fio de aço. Por isso, mesmo com tantas pessoas bem intencionadas é pouco ou nada o que podem fazer, e na maioria das vezes o ambiente da estrutura política “faz suas cabeças”. Em tal contexto é preciso ter atenção a cada passo que se dá; há pouco tempo um político da Frente Ampla disse que sua ida às eleições havia significado perdas de voto.
    Esse mecanismo de democracia virtual parece estar se desgastando de modo geral, no Uruguai mais lentamente. Este “carrossel” que troca políticos, partidos, constituições; que alterna de lugar períodos social-democratas, democratas, partidos tradicionais, e que não deixa nada de novo ou positivo. É hora de pensar em práticas políticas diferentes. Não bastam discursos com adornos modernos e tratando de assuntos atuais. A questão parece ser a de avançarmos em direção a práticas e estratégias que superem as instâncias que não dão lugar ao novo. Ainda mais se o novo busca mudanças profundas e urgentes.
    Ouvimos todos os dias que vivemos uma outra época. Mas repetem-se as mesmas velhas e fracassadas receitas. Claro que vivemos uma época assombrosa em termos de avanços técnico-científicos, como a robótica, a cibernética e a genética fazendo maravilhas. Temos meios de comunicação instantâneos, que parecem mágica. Mas junto com toda essa maravilha, que muito apreciamos, também temos mais populações miseráveis, mais devastação do meio ambiente, mais invasões brutais e genocídios. E tudo isso não é casualidade.
    Nós, anarquistas da fAu, votamos em muitas situações e instâncias como sindicatos, cooperativas, centros populares e estudantis, plebiscitos populares. O problema não é o voto nem a democracia. A questão é a que mecanismo pertence tal voto e de que democracia falamos.
    Nestas circunstâncias, quando a agressão ideológica do sistema é alta, quando os meios de comunicação tem a cada dia maior poder de fabricar opiniões, quando coordenar-se e mobilizar-se se torna uma tarefa difícil, quando a miséria do povo cresce, quando o projeto neoliberal dizima os pobres do mundo, quando os discursos dos setores de esquerda e de intelectuais tornam-se lavados e confusos, faz-se imperativo contar com orientações precisas e firmes. Há uma busca – na qual se encontra muita gente – de ferramentas que permitam a unidade do povo para a luta por suas imperiosas e urgentes necessidades. É nessa busca que nós queremos estar.
    Repetiríamos mais uma vez, a questão não é emitir um voto a cada cinco anos, mas sim o que fazemos durante esses cinco anos nessa luta que deve ser cotidiana.


    • N737255486 4959074 6547 minorJoão Conrado
      15 de Setembro de 2014, 4:56

       

      Não se prega aqui o voto nulo, muito pelo contrário. Eu mesmo voto na Dilma, pois não se pode ter uma visão simplista de que não há diferenças entre os três candidatos do G3. Dois defendem uma política econômica completamente neoliberal e uma defende algum tipo de regulação, mesmo que insuficiente para qualquer rompimento com a estrutura econômica e social atual.
      A questão da reforma política, mesmo com o plebiscito popular apoiado pelo PT, está só no gogó, pois sabemos que nenhum instrumento do tipo será apoiado pelo Congresso. Talvez com muita mobilização, a qual levará muitos anos de trabalho de base para ser construída.
      O fato é que votar é uma ferramenta política entre outras mil e que a real política deverá ser feita todos os dias por cada um de nós. "É melhor dar um passo com mil do que mil passos com um".


      • Foto varga mbraz minormarcbraz
        16 de Setembro de 2014, 11:31

        Contribuiçõe(s) a partir de perspectiva(s) libertária(s)

        Caro Conrado, obrigado por compartilhar um texto relevante do país vizinho. Ainda poderia tê-lo compartilhado através de um link, não? Curiosamente o que você (aspas)prega(aspas) depois, de certa forma, contradiz o proposto no texto. O texto afirma que vota (aspas)em muitas situações e instâncias como sindicatos, cooperativas, centros populares e estudantis, plebiscitos populares(aspas)E não que coloca a verdade dentro de um partido. O que denota com muita propriedade o perfil e a proposta da candidata que você defende, a crença absurda de que está sempre certa, ou melhor...uma total ausência de auto-crítica no exercício do poder e de um bom mocismo conveniente em época de eleições. Eu não votarei, declaro novamente meu voto como ausente, por que não quero ser cúmplice das diversas atrocidades cometidas pelo que se convencionou chamar de uma suposta governabilidade(monarquismo messiânico??) que na prática política aconteceu como ditadura branda. Aliás, não tão branda assim para os indígenas, os favelados e os quilombolas. Todos os que somos nós, os libertários, não defendemos propostas através de chavões fáceis, onde o discurso da cabeça não condiz com a ação direta do corpo, Onde a mão esquerda é cega para aquilo que a mão direita está fazendo. Enfim...saúde, paz e luta!


Enviar um comentário

Os campos são obrigatórios.

Se você é um usuário registrado, pode se identificar e ser reconhecido automaticamente.

Cancelar

FBES - Fórum Brasileiro de Economia Solidária

Brazil