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12 de Janeiro de 2009, 22:00 , por Desconhecido - | Ninguém está seguindo este artigo ainda.

Cibercultura

4 de Setembro de 2014, 4:18, por Caio - 0sem comentários ainda


Nas décadas de 70 e 80 grande parte da população mundial começa a ter acesso aos equipamentos e dispositivos como walkman, vídeo-cassete, controle remoto, que, ao invadirem nossas casas, o local de trabalho, nosso cotidiano, proporcionaram o enraizamento de uma prática de disponibilidade. Santaella (2007) caracteriza esse período como um momento de transição entre a cultura de massas e a cibercultura, processo que a autora categoriza como cultura das mídias. Lemos e Levy (2011) não observam a transição da cultura de massas para a cibercultura como uma cultura distinta, para estes autores foi entre a decáda de 70 e 80 que se deu o início da cibercultura.

Tanto Santaella, como Lemos e Levy compreendem a cibercultura como o contemporaneo. Não estaria no futuro, no devir, mas nosso cotidiano, no hoje.  Em constante uso de tablets, smartphones, home banking, cartões inteligentes, celulares, palms, pages, voto eletrônico, imposto de renda via rede, entre outros dispositivos e artefatos que alteraram as formas sociais previamente existentes. A cibercultura é a forma sociocultural que emerge da sinergia entre a sociabilidade pós-moderna, a evolução da cultura técnica moderna, as tecnologias de base micro-informática e a convergencia das telecomunicações nas redes telemáticas mundiais. A cibercultra é a fotografia do complexo arranjo social que entrelaça informática, comunicação e cultura. (LEMOS, 2003) Juntamente com a cibercultura, emerge o paradigma informacional, cujo o fundamento é o “domínio cientifico da natureza não apenas para transformá-la material e energeticamente, mas para traduzi-la em dados binários, em informação”. (LEMOS; LEVY, 2011, p.22) 

Lemos e Levy observam três princípios na cibercultura. O primeiro, a liberação da palavra, “que se dá com o surgimento de funções comunicativas pós-massivas que permitem a qualquer pessoa...consumir, produzir e distribuir informação”. (LEMOS; LEVY, 2011, p. 25) A conexão e a conversação mundial, ou inteligência coletiva mundial, o segundo, “a circulação da palavra em redes abertas e mundiais criam uma interconexão planetária fomentando uma opinião pública ao mesmo tempo local e global”. (LEMOS; LEVY, 2011, p. 25) Por fim, a reconfiguração do sistema infocomunicacional, “aparecem dois sistemas em retroalimentação e conflito...o massivo e o pós-massivo”. (LEMOS; LEVY, 2011, p. 26)

Este arranjo tecnosocial está definitivamente nos envolvendo, alguns pesquisadores como Amber Case afirmam que estamos nós tornando uma versão de Homo sapiens olhadores de tela e clicadores de botão, e provoca: será que essas máquinas vão nos conectar ou nos conquistar no final das contas? Assita a palestra dela no TED Woman em 2010.

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LEMOS, André. Alguns pontos para compreender a nossa época. LEMOS, André; CUNHA, Paulo (Orgs). Olhares sobre a Cibercultura. Porto Alegre: Sulina, 2003, p. 11-23

LEMOS, André; LEVY, Pierre; O futuro da internet: Em direção a uma ciberdemocracia planetária. São Paulo: Paulus. 2010.

SANTAELLA, Lucia; Linguagens líquidas na era da mobilidade. São Paulo: Paulus, 2007.

Definição de Cibercultura na Wikipédia.



Onde estamos? Para onde caminhamos?

7 de Fevereiro de 2014, 13:53, por Caio - 0sem comentários ainda

 

Onde estamos?

Quanto a Internet se popularizou, ainda na década de 90, os criadores e usuários ainda a utilizavam como o paradigma massivo, como o televisão e rádio onde palavras como consumidor, receptor e espectador definiam um dos lados da comunicação, ao passo que os grandes portais, redes de noticias transmitiam as informações de forma estática e sem qualquer tipo de interação, caracterizando o outro lado da comunicação. Esta é a definição da comunicação massiva, uma relação de um (polo emissor) para muitos (polos receptores). Naquela época, para se comunicar os usuários da Internet, receptores da comunicação massiva, tinham que recorrer a um e-mail ou ainda utilizar o telefone, não havia possibilidade de contestar, discutir ou interagir em tempo real.

Com a mudança de paradigma, da comunicação massiva para a pós-massiva surgem novas necessidades. Uma serie de iteração levou os usuários a questionar esse paradigma centralizado de emissão e num rápido processo de desenvolvimento surge a segunda geração da WEB, focada em serviços online para “potencializar as formas de publicação, compartilhamento e organização de informações, além de ampliar os espaços para a interação entre os participantes do processo”. (PRIMO, 2007)

Segundo Tim O’Reilly, criador do termo:

Web 2.0 é o entendimento de que a rede (internet) é a plataforma. Sobre esta plataforma de rede as regras para negócios costumam ser diferentes e sua principal regra é: Usuários agregam valor! Entendendo como construir seus bancos de dados, eles ficam melhores quanto mais às pessoas o usam, é na verdade o segredo das origens de toda empresa 2.0“.

Apesar da visão comercial, é importante destacar a valorização da participação dos usuários, apostando no uso, na interação para melhorar os serviços. Emerge um modelo informacional, e de negócios diga-se de passagem, onde a conexão de micro-redes interconectadas, cooperando intensivamente garante a melhoria dos serviços e ações.

Cada vez mais o trabalho a distância se populariza. Eu mesmo faço parte de uma cooperativa de trabalho, EITA – Educação, Informação e Tecnologias para Autogestão (1), cujo as/os participantes estão localizados em estados diferentes (BA, RJ, RS, PE, MG, SP e PR), mas graças a ferramentas como pad (2), serviços de videoconferência, ferramentas de compartilhamento de arquivos e de gestão de projetos, podemos ter um ambiente de trabalho colaborativo sem residirmos nos mesmo local.

A Web 2.0 refere-se então a um conjunto de novas estratégias mercadológicas e a processos de comunicação mediados pelo computador, com repercussões sociais importantes, que potencializam processos de trabalho coletivo, de troca afetiva, de produção e circulação de informações de construção social de conhecimento apoiada pela informática.

Primo alerta, “Contudo, não se pode supor a auto-organização grupal como um processo mágico que faria sempre emergir a verdade a partir de vozes espontâneas, legítimas e interessadas na construção de algo que é de interesse de todos e para seu próprio bem.” há que se trabalhar em processos de gestão e construir relações de confiança entre os envolvidos, seja por meio de outras tecnologias ou por mediações entre os envolvidos.

Para onde caminhamos?

Através do uso ontologias e taxonomias, a Web está se transformando, permitindo uma conexão não somente de pessoas para pessoas ou pessoas para comutadores, mas entre computadores e computadores.

O conhecimento está sendo representado por definições, com anotações que atribuem significados de forma hierarquizada, o que permitiu o desenvolvimento de mecanismos de buscas semânticas, capazes de realizar inferências e análise em banco de dados, além de viabilizar o uso de agentes inteligentes para buscar informação na Web de forma muito mais rápida e efetiva.

O gargalo desta tecnologia é a criação de ontologias/taxonomias e a anotação prévia de tudo de forma estruturada, o que faz um processo complexo e demorado, dai sua baixa popularidade em cenários menos “acadêmicos”.

Vamos a um exemplo: se todos os jogos de futebol da Copa de 2014 fosse anotados com uma ontologia formalizada do futebol. Seria possível desenvolver mecanismos de busca para selecionar apenas os gols de cabeça de um jogador, e visualizar os trechos, 2s antes e 2s depois, destes gols.

Uma vez que pudêssemos realizar busca por contexto as ações de filtro seria facilitadas, evitando que conteúdo indesejado fosse encontrado. Cada camada, ou nível, de uma arquitetura de busca refinaria os resultados melhorando eficiência e eficacia para o nível subsequente.

 

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1 - A EITA atua como parceira das lutas de movimentos sociais do
campo popular através da construção de tecnologias livres da informação e metodologias participativas para seu uso e apropriação. O portal da Economia Solidária – Cirandas.net, é um dos trabalhos que a cooperativa desenvolve.

2 -Um pad é um documento de texto aberto, não necessita de usuário ou senha para edição e visualização. Utilizamos uma versão do etherpad que está disponível para quem tiver interesse em - pad.eita.org.br/



Letramento Digital e Letramento na Inclusão Digital

7 de Fevereiro de 2014, 10:53, por Caio - 0sem comentários ainda

Inspirado pelo preambulo da tese de doutorado 'Entre a Fronteira e a Periferia: linguagem e letramento na inclusão digital' de Marcelo Buzato, tentarei falar o que entendo sobre letramento digital. Antes preciso esclarecer que o sub-título do trabalho à cima me auxilia em minha argumentação, uma vez que linguagem e letramento na inclusão digital me conduz a pensar processos que permita aos envolvidos usarem os signos, a escrita, os textos em dispositivos digitais (computadores, celulares, tablets) para se comunicarem.

A preposição na, ei espera ai! Eu me considero quase analfabeto, coisa que aquelas e aqueles que acompanham as postagens neste blogs já perceberam, e sinceramente espero que mais alguém além dos colegas da disciplina leia minhas incertezas, continuando... , dai antes de sair falando tenho que 'googlar' qual a função da preposição na numa sentença.

Foi no Yahoo Respostas (1) mas não achei o que precisava. Que nome adequado, mas dessa vez não deu. Usei então a Wikipédia, que “preposição é uma palavra invariável que liga dois elementos da oração”, assim temos que pensar no letramento na inclusão digital como algo diferente de letramento digital. Assim posso afirmar que letramento digital é outra coisa.

O que seria então letramento digital? Busquei o trabalho de Verônica Araújo e Raquel Glotz em titulado 'O Letramento digital enquanto instrumento de inclusão social e democratização do conhecimento: desafios atuais.' Ela trata de letramento como mecanismos de inclusão na Sociedade da Informação, mas não apenas ensinar o uso da informática, mas também melhorar as condições de vida a partir do uso dos computadores.

Penso alto: Sabemos que a questão do analfabetismo funcional representa um grande problema numa cultura que, desde à Grécia, vem usando signos para comunicar-se. Aprender as letras de fato é uma possibilidade de melhorar as condições de vida, isso seria alfabetização né? Sem ela não estaria aqui expressando o meu entendimento, ou falta de, sobre o assunto. Porém ainda assim não seu o que é letramento.

Letramento, segundo Soares (2002, p. 145), “o estado ou condição de quem exerce as práticas sociais de leitura e de escrita, de quem participa de eventos em que a escrita é parte integrante da interação entre pessoas e do processo de interpretação dessa interação.” A autora busca uma compreensão mais ampla do conceito letramento, que surge no contexto de uma cultura do papel, ao mesmo tempo que já vêm adquirindo novos contornos na medida que nos damos conta de como cibercultura muda nosso cotidiano. (SOARES, 2002, p 144).

Então, tensionando as ideias de Magda Soares, Verônica Araújo e Raquel Glotz (3), posso dizer que letramento é a a interpretação que pessoas fazem do processo de comunicação que integram, a partir de uma interação com outras pessoas ou consigo mesmo, numa busca por melhorar seu cotidiano. Então letramento é política!

Agora digital! Não sei bem, mas talvez Levy ajude, talvez não. Letramento digital é um conjunto de técnicas, práticas, atividades, formas de pensamento e valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento do ciberespaço que possibilitam os indivíduos acessar, interagir, processar e desenvolver multiplicidade de competências na leitura e escrita das mais variadas mídias, através da mediação dos computadores ou outros dispositivos eletrônicos da tecnologia da informação e da comunicação. (LEVY, 1999, p.17).

Ele continua que é difícil o individuo emergir na cibercultura se não possui o domínio do código de escrita e leitura de seu próprio idioma. Acrescento que, até que existem processos automáticos e confiáveis de tradução, ainda vamos continuar precisando também do inglês, idioma universal de grande parte dos textos na Internet.

Levy contribui para pensar o letramento digital enquanto um processo de criticidade dos usos que fazemos das TICs, seja em prol de objetivos pessoais, enquanto membros ativos de uma sociedade mais tecnologizada, seja em cooperação com nossos pares.

Ainda assim não me sinto seguro, sei que letramento digital tem algo mais. Quando penso em leitura e escrita de mídias, cabe audio, foto, vídeo e código. Sim código fonte. Os softwares podem ser entendidos como um conjunto de abstrações, organização lógica de uma ideia, um projeto, um conhecimento, que usa de uma linguagem (signos e sintaxe). Um programador que conheça essa linguagem pode usar um suporte computacional para transformar sua ideia em uma algoritmo, que uma fez executável segue os passos lógicos para realização de um conhecimento.

Pode ser que o letramento digital perpasse pelas muitas possibilidades que a cultura digital oferece, como apropriação da linguagem de programação, não uso domínio, pois pode induzir a pensar que tenhamos que ser programadores, mas sim entender os desafios do percurso entre ideias, linguagem, linguagem de programação, binária e eletrônica.


1 - Um portal que as pessoas fazem perguntas dos mais variados tipos e recebem respostas diversas, que podem ser qualificadas, dizendo se serviu ou não para o que foi perguntado. No caso da preposição na – veja o link <<http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20100816150828AArZY11>>

2 - Novas práticas de leitura e escrita: letramento na cibercultura' de Magda Soares, Educ. Soc., Campinas, vol. 23, n. 81, p. 143-160, dez. 2002

3 - Aproveito para compartilhar um link com uma bibliografia disponível on-line sobre letramento digital veja o link <<http://blog.midiaseducacao.com/2012/04/bibliografia-on-line-letramento-digital.html>>

4 - LÉVY, Pierre. As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da informática. São Paulo. Editora 34. 2004



O que, para quem e como Educar?

3 de Fevereiro de 2014, 20:26, por Caio - 0sem comentários ainda

 

Michel Serres um filosofo francês que caminhou por diversas áreas é o autor do livro A Polegarzinha onde analisa as mudanças ocorridas no último século, e o surgimento de Polegarzinhos e Polegarzinhas, jovens que pretendemos ensinar, a partir de estruturas que datam de época que eles não reconhecem mais: prédios, pátios, bibliotecas, salas de aulas, auditórios universitários, campus e os próprios saberes, estruturas que datam de uma época que os seres humanos eram diferentes.Diante destas transformações, sem dúvida é necessário inventar novidades inimagináveis. Nossas instituições tem o mesmo brilho das constelações que os atrônomos nos dizem ter morrido a muito tempo.

Nas civilizações classícas o saber tinha como suporte o corpo docente do erudito, que eram como bibliotecas vivas. Pouco a pocuo o saber foi objetivado, primeiro em rolos, velinos e pergaminhos, depois em livros de papel, suporte do impresso, e hoje o saber esta na Internet. Com a mudança de suporte muda a tecnologia de ensino-aprendizagem. Se a paideia surge para educar os cidadãos livres, com a Internet não há um único lugar para educar-se, pois o saber está disonível e distribuído por todos os espaços que nos deslocamos.

Sem que nos dessemos conta um novo ser humano nasceu. Não temos mais a mesma relação com o corpo, o mesmo modo de vida, não nos comunicamos mais da mesma forma, não tememos a mesma morte, inclusive o trabalho se transformou. Os alunos que emergem dessa (re)produção humana são diferentes. A grande maioria mora nas cidades, são mais sensíveis ao meio ambiente, habitam um mundo muito povoado.

Junto com estas mudanças de lugar de tempo, de suporte e das pessoas, mudam também as funções cognitivas para assimilar tudo isso. Na verdade a mudança que necessitamos não afeta apenas o ensino, mas o trabalho, a saúde, o direito e a política, isto é conjunto de nossas instituições.



Incluir: quem? para que? como?

20 de Janeiro de 2014, 12:56, por Caio - 0sem comentários ainda

A compreensão e problematização do termo inclusão digital é fundamental no contexto contemporâneo, uma vez que existem discursos que estão em conflito. O artigo, Inclusão Digital, Ambiguidades em Curso, (1) de Maria Helena Bonilla e Paulo Cezar Souza de Oliveira trata disso. 

Os tecnófobicos afirmam que cada vez mais os jovens tem se isolado em seus mudos e jogos virtuais, e que as mobilzações nas redes sociais vem esvaziando ações coletivas e grupos políticos. Tecnoútopicos pensam em distribuir o poder na mão das pessoas, conectando tudo a rede de computadores numa convergência digital planetária, o que aumentaria a autonomia dos indivíduos e das sociedades. Realistas, indicam que as tecnologias são ambíguas e incapazes de mudar as mentalidades. Todas essas visões acabam por perceber o desenvolvimento da tecnologia numa caminhada particular, que é capaz de exercer efeitos sobre o mundo social de forma autônoma, auto-derminada, exógena a questões culturais e políticas.

Um dos falsos consenso sobre as tecnologias na contemporaneidade, é o senso comum quanto a necessidade de inclusão digital na nossa sociedade. Há uma inundação de informações, para usar os termos de Noam Chomsky, sobre o assunto. A ideia que a mídia propaga é que inclusão digital é dar acesso domiciliar ou comunitário (telecentros, escolas e pontos de cultura) para às pessoas que vivem em situação de desigualdade social possam usar tablet, cameras, computadores, serviços do governo, jogos, compartilhamento de música e qualquer outra vantagem relacionada com as TIC.

Não há como negar que o mundo hoje é traduzido em informação, dai um novo arranjo social emerge uma vez que diversas atividades humanas passaram a acontecer também na rede mundial de computadores – Internet. Por isso que estar desconectado da Internet é ter o direitos a comunicação amputado, tendo como consequência uma das formas mais danosas de marginalização em nossa economia e em nossa cultura. Outra premissa a se destacar é que há desigualdade de acesso a essas TIC. O Mapa da Inclusão Digital, realizado em 2010, pela Fundação Getúlio Vargas – FGV, mostra as diversas formas de acesso à tecnologia digital, sua qualidade, seu uso e seus retornos. Segundo este mapeamento, o nível de escolarização, a localização geográfica e a renda são os grandes determinantes no acesso à Internet.

Conforme afirma Marcelo Buzato (2) no capitulo 2 de sua tese de doutorado, não há clareza no discurso transmitido a sociedade que, no caso das TIC, acesso não é um conceito binário, do tipo ter ou não ter. Essa divisão entre os que tem (incluídos) e os que não tem (excluídos), desconsidera as diferenças nas velocidades, no tempo disponível para o uso, no custo da conexão, a diversidade dos usos e sua relevância para a qualidade de vida da pessoa. Enfim nas consequências sociais, econômicas e culturais de distribuição igual do acesso. A partir deste prisma podemos pensar concretamente sobre incluir: quem? para que? Como?.


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Por exemplo o assentamento Terra Vista. Já falei um pouco da história deles em outros post, mas para quem ainda não conhece pode assistir o vídeo criado pela comunidade e que conta sua história no portal do MST (3), aqui

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Estes moradores de um assentamento de reforma agrária, vivem numa comunidade rural que se estivessem desconectada da Internet teria muito mais dificuldade de participar das ações de nossa sociedade do que aqueles que moram em áreas urbanas. Os motivos são diversos mas destaco o projeto de homogenização neoliberal em curso em toda América Latina.

Parte da marginalização destes sujeitos está na falta de reconhecimento de seu modo de vida, e uma constante ofensiva para homogenização das singularidades, da  diversidade.  Na medida que existem condições básicas de comunicação para além das mídias massivas, cujo a produção e difusão não segue controle/censura, as populações marginalizadas podem expressar sua visão de mundo.

Com acesso de qualidade a Internet, gratuita e pública, podem fazer como sugere Pierre Levy - liberar a palavra para veicular sua mensagem. Porém para isso só a internet não resolve. É preciso estar apropriado das tecnologias para serem capazes de produzir seus conteúdo voltados para os interesses de fortalecer e dar visibilidade a identidades diversas, locais e globais. Uma vez compartilhados, estes conteúdos ajudam na concepção de um mundo novo, diverso, plural e multireferenciado. E por isso a comunidade abraçou a ideia do projeto Tabuleiros Digitais, que ruante o ano de 2012 realizou atividades de formação em comunicação comunitária, software livre e produção de conteúdo. 

Agora em 2013 começará a fomentar a criação de um comitê gestor de tecnologias digitais e mobilização para cultura digital. Da mesma forma a participação na política é encorajada, pois se é no local que as questões globais se manifestam, a ação planetária dar-se-a pelo envolvimento de questões locais, práticas, como a gestão do serviço de internet de forma solidária e comunitária, como uma crítica ao modelo centralizado onde as empresas de telecomuniação e as oligarquias da comunicação são as únicas beneficiárias.

Enfim, a inclusão digital de populaões pode ser apenas uma outra ação de enquadramento dentro da política neoliberal mundial, de ter acesso a novos mercados, e de fazer de todos comsumidores. Pode também ser ação de resistência, atuando na contra-mão deste modelo de progresso homogenizante.Isso é exatamente o que os organizadores desta politica neoliberal não querem, e é exatamente por isso que a comunidade do Assentamento Terra Vista quer, pois compreendem seu papel de movimento social como motor das transformações sociais.

Entretanto, diante dos desafios já postos pelo conjuntura da reforma agrária, cada vez pior, paralisada diante aos interesses do agronegócio, cabe a estes grupos marginalizados procurarem apoio, parcerias, alidados. E a nós? Cada um que descubra qual a parte que te cabe desse latifúndio.

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1 - O texto é parte de um livro - Inclusão digital – polêmica contemporânea , uma coletânea de atigos organizada por Maria Helena Silveira Bonilla e Nelson De Luca Pretto, lançado em 2011.

2 - Marcelo Buzato escreeu a tese, Entre a Fronteira e a Periferia: linguagem e letramento na inclusão digital, como parte do doutorado em Lingüística Aplicada na Pós-Graduação do Instituto de Estudos da Linguagem na Universidade
Estadual de Campinas, e está disponível para consulta pública no repositório instucional da UNICAMP, aqui.

3 - O portal www.mst.org.br é um canal de comunicação do movimento social MST, que faço questão destacar para difundir que existem mídias alternativas sendo construídas.