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enero 12, 2009 22:00 , por Desconocido - | 1 person está siguiendo este artículo.

Indicadores de bem viver

enero 27, 2015 0:32, por Débora Nunes - 0no comments yet

Perguntas sobre o sentido da vida e de como tirar melhor proveito da existência acompanham a trajetória humana desde sempre. As respostas, naturalmente, variaram muito no tempo e no espaço e ao longo da história as religiões foram as maiores fornecedoras de indicações de resposta, convidando as pessoas a adotarem suas doutrinas, a viverem “corretamente” e assim alcançarem o céu, o nirvana, o olimpo.... Para além das religiões e dos anseios íntimos de homens e mulheres, apenas a filosofia e, muito mais tarde, no século XIX, a psicologia, que se debruça sobre o indivíduo como nunca antes, se interessaram a dar respostas ao tema.

As discussões de cunho filosófico e psicológico colocam a questão do sentido da busca por uma existência que valha a pena sem fornecer padrões de resposta, propondo apenas caminhos de reflexão e apoio na construção de respostas pessoais. As demais ciências mantiveram-se até bem pouco tempo distantes do tema do sentido da existência e do que seria viver bem.  Ao longo do século XX, concomitantemente com a construção de um Estado de Bem Estar Social, o mundo intelectual começou a construir indicadores para uma avaliação da situação objetiva de grupos humanos, relacionando implicitamente bem estar e renda, por exemplo.

O primeiro indicador de riqueza, surgido após a segunda guerra mundial, foi o Produto Interno Bruto - PIB, representando a soma de todos os bens e serviços produzidos numa determinada região ou país. Este indicador começou por revelar, de maneira inédita - pelos menos por algumas décadas e em relação à maioria dos países – que o produto interno bruto das nações estava efetivamente vinculado a situações objetivas de vida dos cidadãos. Ou seja, fora as exceções de praxe (como países com grande concentração de renda), a renda per capita, os níveis de escolaridade e educação e a longevidade dos cidadãos, por exemplo, tinham relação com a medida do PIB dos países.

Foram criados neste ínterim vários indicadores complementares à mensuração do PIB, como o Índice de Desenvolvimento Humano – IDH, que buscaram identificar a situação de vida das pessoas com dados diretos de nível de renda, educação, saúde e padrão de vida, por exemplo. Ao mesmo tempo, a discussão sobre a necessidade de “corrigir” aquilo que a medida do PIB poderia iludir sobre a vida dos cidadãos, incorporando um indicador que identificasse a desigualdade (mascarada pelo PIB) foi fazendo seu caminho, consolidado hoje na apuração do Índice de Gini, que retrata as diferenças sociais entre grupos humanos que vivem juntos.

Segundo este mesmo caminho de aprofundamento do entendimento sobre a noção de bem estar, observa-se um fenômeno recente de interesse pela dimensão da felicidade, abordados por vários campos intelectuais, até mesmo por áreas ditas “áridas”, ou reativas a discussões subjetivas, como a economia e a administração. Se antes estas áreas relacionavam o bem estar dos trabalhadores e a produtividade, por exemplo, tratando de salários que viabilizassem confortavelmente a “reprodução da força de trabalho”, ou da correta organização do espaço de trabalho, hoje, cada vez mais, elas vêem relacionando também o que se poderia chamar de “bem estar emocional”, ao sucesso das empresas e instituições em geral.

Se até a economia e a administração começam a pensar em indicadores mais amplos de bem estar, o que não dizer das revistas de grande circulação que se propõem, com grande alarde e em dezenas de línguas diferentes, a mostrar o “caminho” para a felicidade, de modo geral de forma quase caricata e sem ir a fundo dessa grande questão humana.

Outro campo no qual esta discussão sobre a felicidade vem chegando paulatinamente é a medicina ocidental, que nasceu com a idéia do “corpo são em mente sã”, mas que desenvolveu de tal forma a farmacologia e a intervenção cirúrgica que esqueceu, nos séculos recentes, suas bases gregas.  Mesmo esta medicina hegemônica e muito comercial vem descobrindo, cada vez com maior sofisticação científica, aquilo que as medicinas tradicionais - como a chinesa e a ayurvédica - já sabem há milênios: a relação entre espírito e matéria, entre saúde física e espiritual, entre felicidade e saúde.

Entre as várias iniciativas de discussão sobre a felicidade, uma chama a atenção, por se dar em uma esfera absolutamente infensa a discussões subjetivas: a administração pública. Embora tomando forma em um minúsculo país monárquico do Himalaia, o Butão, ela atingiu o mundo pela inovação: as políticas públicas do país baseiam-se na medição da Felicidade Interna Bruta – FIB, índice criado em 1972. O FIB trata nove domínios de onde são extraídos indicadores para que a felicidade da nação seja avaliada: bem-estar psicológico; meio ambiente; saúde; educação; cultura; padrão de vida; uso do tempo; vitalidade comunitária e boa governança. A experiência do Butão vem sendo seguida por entidades insuspeitas, como a Comunidade Européia...

Parece assim que a discussão sobre o que de fato conta na vida de cada um e na de todos, sobre o sentido da vida e a felicidade, estão ganhando aos poucos status de tema de interesse público e científico. Não é paradoxal que só agora o mundo se preocupe  com o que pode ser considerado o fim último da vida de cada indivíduo, viver bem?. Talvez isto possa ser entendido pelo fato de que a felicidade sempre foi vista como um tema subjetivo e apenas o bem estar material seria um problema público. A relação entre matéria e espírito, tão evidente na saúde, por exemplo, só agora começa a ter status científico e assim torna-se matéria de atenções intelectuais e políticas.

Em face destes avanços, uma nova dimensão desta discussão tem vindo também recentemente a público a partir do colapso progressivo do sistema Terra, face ao modo de vida dos humanos e seu rebatimento no meio ambiente. Este colapso evidentemente relaciona-se a uma visão estreita da idéia de bem estar, na qual esse estaria vinculado a um consumo cada vez maior de bens materiais, mas também a uma ideia de serviços que também toma o planeta como um provedor infinito de energia. Nesta idéia, indicadores que mostram o acesso a serviços de saúde sofisticados seriam mais expressivos da saúde dos indivíduos do que saber se ele tem um ambiente familiar e comunitário gregário. Como contraponto, pensar no “bem viver”, que tem origem nas tradições milenares dos povos andinos - como os quéchuas, os aimarás e os guaranis - tornou-se uma expressão “avançada” de indicador de felicidade.

A ética do Bem Viver andina não coloca em primeiro plano o homem/a mulher e a satisfação de suas necessidades, mas a continuidade da Vida. O Bem Viver estaria necessariamente vinculado ao bem viver comunitário, à valorização da história e da cultura, assim como ao bom relacionamento com a Natureza e ao uso respeitoso dos recursos naturais. Deslocar o estudo do bem estar para dimensões coletivas, como fazem os indicadores do FIB e a idéia do Bem Viver, é estar em sintonia com o que Fritjof Capra chama de Teia da Vida, na qual as redes, as parcerias, os ciclos e o equilíbrio dinâmico são alguns dos fundamentos.

Retomando e misturando, para finalizar, um filósofo, Patrick Viveret, que escreveu um livro memorável intitulado “Reconsiderar a Riqueza” e um psiquiatra, Carl Jung, que define a alegria como o grande indicador de que estamos no caminho certo na vida que levamos, propõe-se democratizar largamente esse debate. São os cidadãos e cidadãs do mundo, em debates públicos mediados por técnicas artísticas e muito diálogo, que devem escrever os caminhos de identificação da felicidade pessoal e coletiva.  A construção de indicadores que revelem uma sociedade equânime, sustentável e feliz, em curto, médio e longo prazos (e em acordo com as condições de sustentabilidade na vida local e global) não deve ser atributo de funcionários ou intelectuais, mas ser uma pergunta de cada um e de cada uma, todo dia. Só a partir dessa plena consciência de muitas pessoas o coletivo poderá evoluir. E vice-versa.



Link livro "Incubação de Empreendimentos de Economia Solidária"

enero 12, 2015 23:25, por Débora Nunes - 0no comments yet

É com alegria que disponibilizo o contéudo integral de meu livro aqui. Apresento-o através de trechos da fala do querido professor Paul Singer:

"Eis finalmente um manual de incubação de cooperativas populares, completo, oferecendo uma ampla visão histórica do projeto socialista, que hoje se consubstancia cada vez mais na economia solidária"

"A incubação é um processo complexo, em que pessoas de extração social diversa e consequentemente de situações de vida diferente, interagem para atingir um fim comum, que não se limita à viabilização dum empreendimento de economia solidária. É disto que trata este livro."

"Não existe ainda teoria que dê conta destas tarefas da incubação (...) Este livro notável da professora Débora Nunes vem preencher esta lacuna (...) O livro (...) constroe elementos desta teoria a partir das experiências de várias incubadoras que ela investigou, somadas à experiência concreta derivada de sua participação pessoal numa incubadora (...). A experiência da autora permeia a obra, enriquecendo com um toque pessoal proposições teóricas – de que a exposição está recheada – de autores clássicos das ciências sociais e da educação".



Quatro milhões nas ruas pela liberdade e contra a violência na França

enero 11, 2015 22:10, por Débora Nunes - 0no comments yet

A impressionante manifestação dos franceses hoje, a maior desde  a celebração do fim da segunda guerra mundial, mostra o imenso crescimento da capacidade de mobilização da cidadania em torno de volores fundamentais. A presença surpreendente em Paris de 40 chefes de estado do mundo inteiro, a realização de manifestações nas principais cidades do planeta e a inscrição da frase "Je suis Charlie" em dezenas de línguas em jornais internacionais mostram a constituição de um "povo da Terra", que defende o valor da vida.

Como no Brasil em 2013, cada participante levava seu cartaz ou sua bandeira, e a união da pessoas não dependia de líderes, de palcos, de sistemas de som, mas dos sentimentos e valores compartilhados. Para homenagear os cartunistas mortos, muitos levavam lápis e canetas e cada um sabia que sua presença era importante pra defender a liberdade de expressão. Em silêncio, aplaudindo, cantando, lado a lado na rua, de igual pra igual, artistas, políticos, anônimos, judeus, cristãos, muçulmanos...humanos.  Imaginar que essa prática possa se desenvolver mais e mais dá esperança de que o povo da Terra vá construir junto um mundo melhor de se viver.

 



Paris hoje diz "Je suis Charlie" e protesta contra a intolerancia

enero 7, 2015 19:59, por Débora Nunes - 0no comments yet

Ainda sob o choque do atentado que matou 12 pessoas hoje na sede do querido jornal satirico "Charlie Hebdo", os franceses foram às ruas aos milhares para manifestar seu pesar. Muitos cartazes escritos à mao diziam "Eu sou Charlie" e muitas pessoas levantavam lapis e canetas para mostrarem que partilham o engajamento dos jornalistas mortos: desafiar os poderosos que querem impor suas leis, sejam elas econômicas, religiosas ou sua moral conservadora.

Na praça da Republica nesse 07 de janeiro de 2015 a multidao veio repetir a frase da capa do jornal reproduzida acima, de novembro 2011: "O amor é mais forte que o odio". Comovidos e solidarios os/as cidadaos/as sabem que o fanatismo islâmico nao representa a fé muçulmana e querem demover, com sua impressionante manifestaçao silenciosa, os intolerantes que imaginam poder calar a voz dos que protestam através do humor. O clima de cumplicidade entre desconhecidos, a tristeza compartilhada e a indignaçao contra a violência mostram força dessa voz que cresce: a da cidadania.



A coragem do papa Francisco nesse Natal 2014

diciembre 24, 2014 1:27, por Débora Nunes - 0no comments yet

O melhor presente: sinceridade, espírito crítico, verdades. A Igreja católica assistiu a um discurso papal que honra a história de Jesus Cristo e sua ira santa contra estruturas maléficas. Dirigindo-se à elite da Igreja o papa fala das doenças que atingem a cúria romana: egoísmo, apego aos bens materiais, narcisismo, maledicência, puxa-saquismo, exibicionismo... Esse discurso é uma revolução e mostra aquilo que nem os mais otimistas esperavam: o papa irá lutar contra a burocracia mafiosa da Igreja Católica de cara limpa, diretamente, transparentemente, sem subterfúgios e sem tréguas.  E terá amplo apoio popular vista a repercussão imediata de seu discurso.

O exemplo do papa mostra que “adaptar-se” aos desvios do poder jamais será uma saída, pois posterga a vigência do que é intolerável. Contrariamente aos políticos de esquerda que chegaram ao poder e repetiram atos nefastos praticados historicamente pela direita, o papa Francisco mostra que a honradez pode se impor, serenamente. Que não é ingenuidade manter-se íntegro e enfrentar práticas desonestas denunciando-as, confiando que a população apoiará essa atitude e ajudará a transformar a realidade. Francisco aponta a cura dos males que assolam aqueles que perderam a “serenidade interior”, como sendo “fruto da consciência da doença e da decisão pessoal e comunitária de tratar-se, suportando pacientemente e com perseverança a terapia”. Que seu conselho seja ouvido, particularmente para os que perderam seus ideais.



Um novo jeito de ver e antever o mundo: o paradigma quântico e ecológico

diciembre 15, 2014 12:15, por Débora Nunes - 0no comments yet

A cabeça pensa aonde os pés pisam, diz Frei Betto em sua imensa simplicidade e sabedoria. Mas não só. Para a maioria, a cabeça pensa como o mundo ao redor pensa. O paradigma atual, o modo de pensar majoritário, foi desenvolvido há séculos, quando o filósofo Renée Descartes (1596 a 1650) e depois o físico Isaac Newton (1642-1727) estabeleceram as bases para o pensamento científico atual chamado de “cartesiano-mecanicista”. Os séculos passaram, as Universidades, os livros, as escolas e a mídia divulgaram e hoje a maioria dos humanos pensa dando prioridade à racionalidade, respeitando os especialistas e imaginando a verdade e o mundo como algo pré-determinado.

Se Newton e Descartes deram imenso apoio à humanidade para que ela saísse do jugo dos dogmas de igreja e avançasse em conhecimentos objetivos sobre o mundo, hoje é preciso ir além. O paradigma cartesiano-mecanicista, que foi também um sustentáculo para o desenvolvimento do capitalismo, precisa ser substituído já que esse modo de pensar – e agir – está levando a humanidade ao risco de extinção.  A objetividade que exclui o coração, a especialização que impede a visão de conjunto e a ideia de que muitas verdades não possam coexistir e cocriar um mundo com novas possibilidades são um empecilho à mudança. Precisamos avançar.

Cada um pode ajudar o mundo a mudar trabalhando sua própria mudança de percepção. O inspirador vídeo “O buraco branco do tempo”, de Peter Russel ajuda a entender como agir. O novo paradigma vem sendo chamado de quântico, holístico, sistêmico, orgânico ou ecológico e propõe um novo jeito de pensar e estar no mundo. Nesse jeito estamos todos interligados, usamos a cooperação para avançar, buscamos a coerência entre o pensar, o sentir, o falar e o fazer e nos reconectamos com a Natureza. A física quântica, nascida no século XX irá iluminar a mudança de paradigma do século XXI e nos próximos posts falarei sobre ela e sobre diferentes abordagens ( biológica, sociológica, antropológica e psicológica) deste novo paradigma.



Outra economia é possível e se desenvolve aos poucos

diciembre 1, 2014 12:58, por Débora Nunes - 0no comments yet

A crítica ao capitalismo é uma constante em todo lugar. Nos países do sul, que pouco conviveram com progresso social, democracia e capitalismo, ela é parte do dia-a-dia dos movimentos sociais, dos partidos de esquerda, das universidades, de conversas de intelectuais e trabalhadores/as há décadas. Nos países do norte, a experiência do aumento da desigualdade após mais de meio século de Estado de Bem Estar Social, relativa igualdade e democracia sólida, faz a crítica ao capitalismo se ouvir de forma cada vez mais forte. Mas o capitalismo segue sua organização econômica e social aparentemente sem muitos abalos, tendência dessas iniciativas é crescer, pois aliam preocupações sociais e ambientais inadiáveis ao desafio da economia.

A economia solidária na Bahia tem algumas joias, iniciativas bem sucedidas e de longo fôlego que merecem ser conhecidas e apoiadas. A Redemoinho, cooperativa de comércio justo que promove o consumo consciente é uma delas. Criada na Faculdade de Administração da UFBa por membros do Bansol e da Colivre e apoiada por professores e amigos/as diversos, ela disponibiliza uma quantidade razoável de produtos em sua loja virtual Redemoinho, oriundos da agricultura familiar e de cooperativas diversificadas. Os/as consumidores/as da Redemoinho são os principais parceiros de sua aventura. Quem está insatisfeito com o capitalismo tem muitas opções de demonstrar seu desagrado comprando bens produzidos em outros circuitos. Esse pequeno gesto, praticado por milhões, certamente incomodará o sistema e pode ser tão poderoso quanto tantas revoluções sonhadas. E certamente será menos traumático. Vamos praticar revoluções tranquilas?

apesar de uma opinião pública que lhe é cada vez mais desfavorável, ainda mais com os desastres ambientais que provoca e que se fazem cada vez mais evidentes.

As práticas de economia plural, a economia solidária, a eco-economia, a economia da comunhão, etc. vem se desenvolvendo e mostrando que é possível organizar laços econômicos em outras bases. Os principais motores dessas economias não capitalistas, que fazem do lucro uma parte da questão econômica e não seu único fim, são os/as consumidores/as conscientes. A consciência no consumo se torna uma das principais armas contra o capitalismo. Em tempos de desmobilização operária e intenso consumo inconsciente que fazem o capitalismo parecer triunfante, as milhares de iniciativas de economia solidária e plural são a promessa de outro desenvolvimento. Elas evidenciam que uma parte as sociedade deixou de apenas criticar e resolveu organizar a economia de outro modo.  A



“Os novos coletivos cidadãos” na internet e lançamento acadêmico

noviembre 24, 2014 13:54, por Débora Nunes - 22 comentarios

 

Data: 27/11/2014, às 20h, durante a Semana de Análise Regional e Urbana, SARU. Local: Unifacs Paralela, Auditório da Torre Norte, no Imbuí.

Este livro fala de novos modos de organização cidadã, que estão renovando, no mundo todo, o sentido da palavra “política”. Para descrevê-lo, nada melhor que a fala do seu prefaciador, Ordep Serra:

 “Este livro de Débora Nunes e Ivan Malchef se dirige a outro tipo de gente: a quem não se conforma, a quem sabe indignar-se, a quem quer construir novos arranjos sociais em bases de justiça, apelando ao cabedal de saberes humanos de todas as fontes; a quem deseja abrir-se de forma sincera à comunhão do multiverso; a quem procura uma igualdade rica de belas diferenças; a quem se interessa pelos pósteros e deseja garantir seus direitos a um mundo habitável com alegria; a quem procura o convívio pacífico e criativo; a quem valoriza a solidariedade  e  quer dar-lhe o máximo alcance; a quem sonha com vida digna para todos e quer fazer democracia verdadeira, mas ao mesmo tempo percebe as dificuldades da tarefa. Ela exige não só a participação de muitos colaboradores – das mais diversas origens –, como também novos procedimentos, métodos ainda insólitos ou por criar”.

Quero acrescentar apenas uma frase da conclusão do livro, fruto de uma profunda amizade intelectual e espiritual entre Ivan Malcheff, francês, membro do movimento internacional “Diálogos em humanidade” e eu mesma, na nossa busca de impulsionar os novos coletivos cidadãos: “Um mundo diferente existe dentro de nossas mentes e de nossos corações, nossa missão é manifestá-lo juntos”.  

É com alegria que disponibilizamos o texto gratuitamente aqui. Para acesso do livro em papel, veja o site da Editora Kalango.

 



Juventude e coerência

noviembre 19, 2014 22:45, por Débora Nunes - 0no comments yet

Nas manifestações de junho 2013, um fato encantou alguns e irritou outros: a insistência dos jovens em não designar líderes para as discussões com os governos. Quando havia alguma “comissão” para estas entrevistas, os representantes reiteravam que não eram líderes e sim “um manifestante como outros”. Para a geração anterior isto parecia um contrassenso: “se há reivindicações, há de haver líderes para serem porta-vozes do coletivo”, ou “se não há com quem negociar, como iremos avançar”?

Quem olha com esperança este comportamento pode encontrar aí uma semente para a política participativa de amanhã. Muitos jovens identificam com agudeza a incoerência de muitos líderes que “representam” o povo e que, na prática, defendem principalmente seus interesses pessoais, de grupos, de corporações, de partidos. Carregam a frustração de seus pais de verem tantos sonhos de ética na política esvair-se no ralo da vida real da “governabilidade”. Querem outra política na qual todos/as participem e os que são “porta-vozes” o sejam por um momento e voltem ao estatuto de cidadão comum quando a tarefa de servir ao coletivo tiver acabado. Muitos pensam e agem assim. De onde vem tanta coerência?

Esta é a primeira geração na qual uma parte significativa dos jovens tem liberdade de dizer em casa o que pensa, o que quer e o que faz. Defende seu ponto de vista face ao ponto de vista de pais menos autoritários; escolhe a profissão que quer seguir, mesmo que seja arte ou filosofia; diz que vai viajar com o namorado/a e não “com uma prima” e em muitos casos pode assumir em casa sua opção sexual, se ela não é a tradicional. Pessoas que não precisam mentir são menos tolerantes com a mentira alheia. Para estas, coerência não é virtude, é o normal, e se indignam ainda mais que seus pais com a vocação para a enganação de muitos políticos.  Para estas pessoas, comportamento privado e comportamento público não são distantes, como em gerações anteriores.

E há uma coisa mais nesta geração que os faz querer agir em grupo, de forma horizontal: o modelo das redes sociais. Com todas as fragilidades e os excessos desta forma de comunicação que se tornou tão presente na sociedade hoje, nela há muito mais igualdade de oportunidade de influir na vida social e política. Uma voz, ou um texto, quando faz sentido, pode provocar uma rede imensa de pessoas. Hoje é a opinião de um/a que mobiliza o grupo. Amanhã é a de outro/a. A rede é plana e cheia de nós nos quais cada pessoa é uma conexão que conta. Nada de estruturas verticais, piramidais, com um líder sobre os demais. Caminhamos para lideranças compartilhadas e sociedades mais participativas? As opções de muitos jovens hoje e as famosas manifestações de junho parecem indicar.



Experimentando novos cotidianos

noviembre 10, 2014 15:34, por Débora Nunes - 0no comments yet

As experiências das ecovilas - pequenas comunidades vivendo de modo sustentável e praticando valores diferentes dos da sociedade convencional – vêm se aprofundando, se espalhando pelo mundo e trazendo exemplos inspiradores para quem quer viver de outra forma. Longe da corrida contra o tempo, do consumo irrefletido e da competição, estas comunidades buscam tranquilidade, sonhos e trabalho partilhado e uma vida mais simples.  Auroville, na India, Findhorn, na Escócia, Damanhur, na Itália, Longo Mai, na França, Cristal Waters, na Austrália, estão entre os exemplos que se destacam no mundo. Há uma rede mundial, a Global Network Ecovillage, que congrega muitas dessas experiências que significam projetos pilotos para uma sociedade diferente. 

A 25 quilômetros de Salvador, a Terramirim é uma comunidade intencional com experiência de mais de 20 anos, que recebe gente do mundo todo e mantém profundo enraizamento local, cuidando dos rios e da Natureza do entorno. Ali se vive um cotidiano de trabalho colaborativo, alimentação vegetariana e engajamento socioambiental. Fundada pela xamã e escritora Alba Maria, Terramirim propõe espaços dedicados aos elementos da Natureza - Terra, Água, Ar e Fogo como veículo de cura e conexão profunda com a Mãe Terra. A Bahia tem várias comunidades em desenvolvimento e todas recebem visitantes. Experimentar o cotidiano de uma dessas iniciativas pode abrir caminhos para revoluções tranquilas que se fazem no íntimo de cada um e constroem mudanças de impacto global.