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Inserção da extensão nos currículos dos cursos de graduação aproxima UFRB e comunidade

22 de Dezembro de 2023, 17:52 , por UFRB - Universidade Federal do Recôncavo da Bahia - 0sem comentários ainda | Ninguém está seguindo este artigo ainda.
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Reformar os currículos com o objetivo de inserir a extensão como vivência necessária para a graduação é um desafio para as universidades brasileiras. Na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), o percurso começou em 2016, como forma de buscar os caminhos para atender à meta 12.7 do Plano Nacional de Educação (PNE) 2014-2024. 

Após a construção, em fevereiro de 2023, da normativa que regulamenta a inserção da extensão nos currículos da UFRB, as Pró-Reitorias de Extensão e Cultura (PROEXC) e de Graduação (PROGRAD) lançaram edital de fomento à curricularização. O Edital 01/2023 ofertou bolsas para estudantes de graduação, serviços gráficos, diárias e material de consumo para oito propostas de extensão curricularizada. 

O projeto de aquicultura no rio Paraguaçu, coordenado por Bruno Olivetti Mattos, professor de Piscicultura do curso de Zootecnia, foi uma das iniciativas apoiadas pelo edital. Essa ação abrange atividades de ensino, pesquisa e extensão, desempenhando um papel fundamental no fortalecimento dos vínculos entre a UFRB e a comunidade de pescadores da colônia Z-92.

Localizada na zona rural de Conceição da Feira, a sede da colônia Z-92 fica no alto de um monte às margens do rio Paraguaçu, em uma cabana de madeira e alvenaria. A comunidade, que antes praticava apenas a pesca tradicional, hoje experimenta mais produtividade com a aquicultura em tanques criatórios. Os alevinos, peixes juvenis, são alimentados e acompanhados diariamente até que atinjam a condição ideal para a comercialização.

A iniciativa da comunidade de pescadores é apoiada pela UFRB por meio de capacitação técnica, com temáticas que vão desde a instalação dos tanques até o beneficiamento dos pescados. As formações são conduzidas por Bruno Mattos e estudantes de graduação de Zootecnia. Nos cursos, os pescadores aprendem técnicas de defumação, salga, filetagem e preparação de postas de tilápia, além de aprenderem sobre a utilização de pele, escamas, vísceras e ossos para criar coprodutos do peixe.

A presidenta da colônia de pescadores, Aline Ramos da Silva, afirma que, inicialmente, os pescadores constituíam uma associação que se reunia em um colégio público da região. A mudança da condição de associação para colônia ocorreu há sete anos e trouxe crescimento e desafios ao grupo. “A comunidade utilizava a internet para aprender os procedimentos, a gente ia vendo como colocar o tanque na água, como era que colocava os alevinos, aprendemos tudo avulso, e hoje nós estamos nos lapidando através da parceria com a UFRB”, concluiu Aline Silva.

Marlene Marques, vice-prefeita de Conceição da Feira, considera que a capacitação realizada pela UFRB é transformadora para a colônia, e também chama a atenção para a importância do olhar científico sobre a comunidade. “Quando a gente consegue ver a comunidade científica vir para uma colônia de pescadores, que é uma comunidade tradicional, além da capacitação, a gente tem certeza que vão sair daqui dados científicos para potencializar as atividades da colônia”, afirmou.

A interação com a comunidade amplia o olhar dos(as) estudantes da Universidade. Para Bruno Mattos, “a extensão universitária faz com que o estudante saia das barreiras da universidade, saia dos muros onde só tem teoria e comece a conhecer a realidade local. O estudante tem a oportunidade de ver a dificuldade que o produtor familiar passa”.

“Por mais que a gente venha aqui fazer essa capacitação, eles já têm um conhecimento muito prático do dia a dia, e de gerações. Eu tenho aprendido na prática o que, muitas vezes, não consegui na Universidade”, avalia a estudante da UFRB e bolsista de extensão do projeto, Milena dos Santos Ferreira, sobre a troca de conhecimentos que o projeto de extensão oportuniza.

Bruno Mattos considera que a universidade também aprende com o saber tradicional dos pescadores. “No ano passado, a colônia foi à universidade e fez uma palestra. A gente trouxe a comunidade pra universidade e a universidade tá na comunidade, a troca está sendo muito importante para os dois públicos”, avalia o professor.

A UFRB estabeleceu a política de curricularização da extensão depois de um longo processo de diálogo junto à comunidade acadêmica, baseada no artigo 207 da Constituição brasileira e na meta 12.7 do PNE 2014-2024. Essas diretrizes garantem, respectivamente, o princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, e a alocação de, no mínimo, 10% da carga horária total da graduação para programas e projetos de extensão.

Para auxiliar a comunidade acadêmica no processo de implementação da política, a PROEXC disponibilizou o  Guia da Curricularização da Extensão e uma página que reúne documentos e palestras sobre o tema. 

“A extensão universitária sempre aconteceu, e acontece muitas vezes, dentro do próprio ensino, dentro da pesquisa, mas ela precisava e precisa desse lugar de destaque. É preciso saber onde está a extensão. A novidade deste processo é a extensão de forma sistematizada, dentro do currículo”, esclarece Tábata Figueiredo, Pedagoga da PROEXC.

Para que a extensão seja efetivamente curricularizada, é necessária a sua inserção nos Projetos Pedagógicos dos Cursos de Graduação (PPCs). Até o momento, 51% dos cursos de graduação da UFRB deram início ao processo de inserção da extensão nos currículos junto à PROGRAD. 

Apesar dos avanços, alguns desafios persistem, a falta de uma política pública de fomento da extensão é um deles. Outro ponto é o prazo para reformulação dos currículos: o prazo se encerrou em dezembro de 2022, mas a maioria dos cursos da Universidade ainda está em fase de revisão do currículo.

“Não há questionamento sobre se devemos inserir ou não a extensão no currículo, não temos mais esse nível de discussão, agora estamos na etapa da execução. Os desafios são do ponto de vista da implementação: é pedagógico, concepcional e institucional”, pontua Tábata Figueiredo.

A Coordenadora de Extensão Universitária da UFRB, Maria da Conceição Soglia, evidencia o esforço conjunto dos Núcleos Docentes Estruturantes (NDEs), dos Colegiados de Cursos, da PROGRAD, da PROEXC e da Comissão de Acompanhamento e de Avaliação da Curricularização da Extensão da UFRB, para ampliar o número de cursos que atendam às determinações previstas. “A inserção curricular da extensão tem nos movimentado no sentido de perceber que a construção do conhecimento não se restringe à ideia de uma sala de aula encerrada na universidade. Ela faz com que a universidade ganhe novos sentidos sociais, se abrindo ao diálogo, permitindo a troca entre o saber popular e o acadêmico. A universidade se dispõe a produzir um conhecimento científico, tecnológico e cultural que estabelece conexões com a realidade”, afirma Maria da Conceição Soglia.

O Pró-Reitor de Extensão e Cultura da UFRB, Danillo Barata, destaca a importância de construir uma universidade territorializada, superando o modelo tradicional da educação superior no Brasil. “É importante que os(as) nossos(as) estudantes tenham uma relação mais direta com a comunidade, e que a comunidade veja que a universidade é um espaço em diálogo com toda a sociedade. A universidade pensa o território como um espaço de aprendizagem. E essa mutualidade entre comunidade e universidade é um grande diferencial da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. A UFRB se pensa no território, se pensa nesse lugar, se pensa na dialogia entre os saberes da universidade e os saberes do território”, declara o Pró-Reitor. 

A experiência da Colônia Z-92 é um exemplo de como a parceria entre a comunidade e a universidade, por meio do tripé ensino-pesquisa-extensão, pode transformar comunidades tradicionais e a própria universidade. A partir desta relação, o conhecimento acadêmico se torna mais conectado à realidade dos seus territórios de atuação.

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Fonte: http://www.ufrb.edu.br/portal/noticias/7134-insercao-da-extensao-nos-curriculos-dos-cursos-de-graduacao-aproxima-ufrb-e-comunidade

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